Maternidade

[crianças e restaurantes]

restaurantes baby friendly

Na semana passada discutiu-se a legitimidade, ou a ética, de proibir a entrada de crianças em restaurantes. Assim como a de proibir a entrada a pessoas visivelmente alcoolizadas, pois há quem ache que são ambos acontecimentos igualmente “incomodativos”.
Não concordo que se proíba, mas proponho um dístico visível que distinga os restaurantes “amigos das crianças” daqueles onde que as pequenas criaturas não são bem vindas.
No verão passado, eu e uma amiga fomos jantar fora, em Tavira, com quatro crianças. Só faltou baterem-nos. É verdade que nos deixaram entrar, mas mais valia que não tivessem deixado.
Neste caso o estrangeirismo funciona melhor: restaurantes baby friendly. Há um enorme potencial para este negócio. Quando vamos almoçar ou jantar fora, com os miúdos, queremos restaurantes com um enorme autocolante na porta de entrada: crianças são tão bem-vindas que vamos tratá-las como se fossem nossas.
Haverá um menu só para os miúdos, saudável e apetitoso, sem douradinhos, nem bolonhesa, ou hambúrguer congelado. Haverá mesas cheias de brinquedos, folhas de papel e quem tome conta deles. Haverá várias cadeiras próprias para os miúdos, babetes descartáveis e talheres pequenos.
O objectivo é o mesmo em todos os restaurantes: evitar as birras e garantir uma refeição o mais descansada possível. Mas nos restaurantes baby friendly as birras são um facto previsível que sabemos que podem acontecer a qualquer momento.
Eu gostava de dizer que é como ir a um restaurante onde se pode fumar, sabendo que podemos voltar para casa a cheirar a fumo, mas a minha mãe disse-me que comparar birras e tabaco não era bonito.
Comparações à parte, nos restaurantes baby friendly as crianças são bem vindas, bem tratadas e quem escolhe aquele lugar para tomar uma refeição sabe que pode deliciar-se com a sobremesa enquanto um bebé chora, ou duas ou três crianças correm peço restaurante aos gritinhos. É um direito que lhes assiste.
Não falo de má educação porque essa não é suportável em crianças, nem em adultos, nem em qualquer tipo de restaurante. E infelizmente essa ninguém propõe proibir.

 

Comentários (5)

  • Olá! Nunca aqui comentei…mas este post aborda um tema que me é querido!
    Mudámos para a Holanda,há um ano, eu o meu marido e o filhote (com 3 anos) e apesar de ter sido bastante difícil integrar na cultura, algumas coisas são mesmo de aproveitar e de aprender! Aqui passeia-se mais com os miúdos, há parques infantis por todo o lado, e bastantes restaurantes child friendly! É frequente encontrar restaurantes com uma sala cheia de brinquedos ou um recanto com uma mesa baixinha, legos e livros para os pequenos brincarem e os pais conseguirem comer ou conversar…Muito frequente amigas com miúdos pequenos combinarem um café e um bolinho enquanto eles brincam (nós até já temos um grupo de mães portuguesas que combinam regularmente um café, num desses sítios, para conversar!)! Não conheço sítios com essas características em Portugal, mas diria que é uma óptima ideia!
    (por outro lado, levar um miúdo a jantar fora onde quer que seja, é quase um crime nesta terra…já que é normal deitarem os miúdos ás sete da tarde e portanto quem os leva a jantar não pode ser boa da cabeça..enfim, culturas…nem tudo é bom! 🙂 )

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  • Tal como a Lee acho que também nunca aqui comentei e também só recentemente comecei aqui vir.
    É bem verdade o que este post retrata.
    Eu quero que a minha filha se porte bem em todo o lado e quero ir com ela onde quer que seja porque é assim que ela vai aprender como se deve comportar nos diferentes ambientes mas em alguns sítios sinto-me mais pressionada a evitar as birras o que também pode levar aos típicos comportamentos de ansiedade e até as típicas chantagens "se te portares bem no fim comes um gelado!". Se houvesse os ditos restaurantes amigos das crianças iriam retirar um bocadinho desta pressão, não iria admitir a birra mas se calhar podia contar com um ambiente mais favorável para as duas desfrutarmos.
    Queria também dizer que antes de ser mãe vivi fora de Portugal e já sentia isto em relação ao meu cão (sem querer pôr ao mesmo nível). Íamos com o nosso cão a todo o lado (lojas, restaurantes e etc…) e ele portava-se bem. Desde que voltámos para Lisboa não dá para ir a lado nenhum com ele e ele cada vez se porta pior porque quando vai à rua está hiper-excitado e cheio de energia a puxar por todo o lado.
    Enfim, o civismo aprende-se ou apreende-se de estarmos em zonas comuns e públicas não é por proibir o que quer que seja.

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  • Olá! Eu já fui mãe fora de Portugal mas onde vivo há imensos guias e comunidades online com informação sobre os melhores sítios para ir com os miúdos, seja para beber um café ou almoçar/jantar (embora sinta que 90% dos sítios são child friendly, com os tais cantinhos que a Lee refere, com os lápis de cor, os brinquedos, etc). Talvez seja uma boa ideia fazer algo do género, não só para quem vive em Lisboa mas para quem visita. Se se souber de antemão que no restaurante 'A' fazem cara feia a famílias,não se vai lá e pronto. Proibir a entrada de crianças num restaurante parece-me discriminatório. Um beijinho.

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  • Conhece algum restaurante em Lisboa com esse tipo de menu saudável para crianças?

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  • Conhece algum restaurante em Lisboa com esse tipo de menu saudável para crianças?

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