Maternidade

[filhos]

os meus filhos

Sobre os meus filhos e o amor que sinto por eles.

Num comentário disseram-me que, quando o A. lesse este blog, sentiria que o amor que sinto pelo G. é maior do que aquele que sinto por ele.

Eu e o G. conhecemos-nos há 11 anos, passamos por muita coisa juntos, só os dois. Já escrevi sobre isso:

 

Afonso,

Vou contar-te um segredo: eu não queria (muito) ter outro filho. O Gonçalo já tinha oito anos, já ficava com os avós e eu podia sair à noite ou trabalhar, sem sentimentos de culpa pela ausência. A memória, algures desaparecida depois da gravidez e do parto, já tinha voltado e até conseguia ler um livro inteiro em poucos dias. A casa estava pensada para a mim e para o teu irmão: pequena mas bem localizada, um quarto para cada um. Eu e o teu irmão tínhamos um amor construído, as arestas limadas  e a rotinas acertadas. Era tudo fácil.

 

Quando o G. nasceu eu era uma miúda. Mas quando o A. nasceu eu já era mãe. Eu e o G. temos a cumplicidade de um adulto e um pré adolescente que me conhece. Porque já me atura há muito tempo. Sabe quando estou bem e estou triste mas tento esconder.

O A. tem dois anos. É um bebé porque sou completamente apaixonada. Quem visitar o meu Instagram achará que amo mais o A. porque o fotografo mais. Obviamente, porque ainda deixa.

Sim, a minha vida tem muito mais do G. do que do A.. Sim, amo os meus filhos de formas completamente diferentes. Não, o A. nunca achará que amo mais o irmão. Dessa parte eu tenho a certeza. Porque é mentira e porque quando souber ler este blog terá tanto dele como tem do irmão. Mas não tem apenas o meu amor, tem o amor de um irmão mais velho, que o G. nunca terá.

Há dois anos, deixei o teu irmão a dormir profundamente e apanhei um táxi que me levasse, o mais depressa possível, ao hospital mais próximo. Deixei em casa uma prenda “tua” para que a entregassem ao Gonçalo quando acordasse e ficasse, assim, a saber que já era “o irmão mais velho”.

Foi muito bom fazer-te nascer. Muito rápido e muito intenso. Mas aquilo que guardo foi o instante em que te vi. E, como descrevem nos filmes de domingo à tarde, o tempo parou, o resto do mundo desapareceu, e gritei:

– Afinal amo-te, afinal amo-te.

Apaixonei-me, perdidamente.

Apaixonámo-nos, eu e o Gonçalo, que amo ainda mais, porque, descobri, é o melhor irmão do mundo. E as nossas vidas não tinham nem metade do sentido sem a confusão e o mimo que nos trouxeste.

 

Sim, amo os meus filhos de formas diferentes, mas não amo mais a um que a outro.

 

Comentários (17)

  • estou quase quase a chorar.
    claro que nunca achará isso.
    é fantástica!!

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  • Quem disse isso não deve ter boas intenções. Só sigo o seu blog a um par de meses, não a conheço é certo, mas dizer que gosta mais de um do que do outro é simplesmente cretino, não é preciso ser mãe para saber isso.
    Como disse são amores diferentes, sinceramente acho que irá ter mais preferência para um do que para o outro (isto não quer dizer que goste mais do que do que do outro) mas acontece com os nossos pais, com os nossos amigos, há sempre alguém com que nos identificamos mais, com quem temos mais cumplicidade, mas como já disse em nada isto quer dizer que se goste mais de um em detrimento do outro (e não estou a comparar o amor que se tem por um filho, com o amor que se tem por um amigo).
    Os seus filhos vão sentir imenso orgulho em si, e do imenso amor que mostra por ambos! Ora bolas, até eu sinto orgulho em si pelo amor aos seus filhos e pela forma como expõe aqui no blog!

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  • Ainda não posso dizer se o amor é diferente entre um e outro filho, sei sim que existe uma cumplicidade maior com um do que com outro. O meu pai sempre o teve mais comigo e a minha mãe com a minha irmã.
    Essa foto está absolutamente amorosa.

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  • Adorei! E não estou quase a chorar, estou mesmo a chorar!! beijinho

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  • Não pode ser mais sincero. Ter um segundo filho não é partilhar um amor é sim amar a duplicar.

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  • Não pode ser mais sincero. Ter um segundo filho não é partilhar um amor é sim amar a duplicar.

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  • Nunca concordei quando se diz que os pais amam todos os filhos por igual. A mim soa-me mal. O amor pode ser quantitativamente equivalente vá mas acho que se ama cada filho de maneira diferente, porque eles próprios são diferentes, as relações que se estabelecem são próprias, únicas e por isso especiais e isso é bom.

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  • De lágrimas nos olhos e a sentir o meu segundo filho a mexer na minha barriga só lhe consigo dizer obrigada…

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  • De lágrimas nos olhos e a sentir o meu segundo filho a mexer na minha barriga só lhe consigo dizer obrigada…

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  • As tuas palavras emocionam sempre… como se fosse uma luz no coração….

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  • Olá Cataria, eu conheço o Blog há pouco tempo, e espero que não me leve a mal, mas realmente quem lê o Blog fica com a sensação que tem um amor maior pelo seu filho G, eu sou mãe, e logo nos primeiros post´s que li fiquei com essa sensação. Poderá ser inconscientemente quando escreve, mas acho que o seu filho A quando ler todas as palavras escritas por si, também vai ficar com essa sensação. Por norma o filho que gostamos mais é aquele que precisa mais de nós num determinado momento, é certo que eles têm idades diferentes e isso faz com que exista uma cumplicidade diferente para cada um, mas a maneira como escreve parece que o seu filho A, veio-se intrometer num amor e num espaço que estava fechado, e de facto já assumiu que esse espaço estava fechado e não estava à espera de um bebé, mas o seu filho A não teve culpa, é de todos o que tem menos culpa e por vezes a forma como escreve parece que ele carrega esse peso… De qualquer das formas, admiro-a pela força que tem e pela sua constante luta como mãe e mulher… Um bem Aja

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  • Sabes o que digo à Vera? (a mais velha) que não amo mais o mano que ela (também tem dois anos).

    Eu amo a Vera há mais tempo. Isso ninguém lhe tira.

    "A mãe não gosta mais do Simão do que de ti. A Mãe ama-te há mais tempo."

    Isso apazigua-lhe o coração.

    Bjs

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  • Oh Margarida, eu aceito e respeito mas o que meu filho Afonso menos carrega é essa peso. É o contrário. 🙂

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  • Desculpe Catarina, não era de todo a minha intenção magoar, quando fiz o comentário.
    mas o que disse é o que sinto quando a leio.
    comecei a ler o seu blog, quando ainda não havia o A e continuo a seguir e não podia achar mais do que disse.
    Faço das palavras da Margarida as minhas.
    é o que acho e o que sinto quando a leio.
    ao contrário do que a Aniri disse, não tenho qualquer tipo de má intenção.
    tudo de bom para si e para os meninos

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  • Olá, ando há que tempos para lhe escrever…gosto muito de a ler. Tenho dois filhos com 11 anos de diferença e é mesmo isso: amo o Diogo há mais tempo que a Sara, só isso. E, depois, a forma amorosa, generosa e aberta como ele a recebeu, como a acha linda, cuida dela, cuida de nós. Bom…enche-me o coração tanto, tanto que talvez a Catarina entenda…beijos

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  • Olá, ando há que tempos para lhe escrever…gosto muito de a ler. Tenho dois filhos com 11 anos de diferença e é mesmo isso: amo o Diogo há mais tempo que a Sara, só isso. E, depois, a forma amorosa, generosa e aberta como ele a recebeu, como a acha linda, cuida dela, cuida de nós. Bom…enche-me o coração tanto, tanto que talvez a Catarina entenda…beijos

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  • A mim… vieram-me mesmo as lágrimas aos olhos… e o que tiro do texto é que o amor tem sempre fases diferentes, fases de dedicação diferentes, claro que quando o A. ler este blog, haverão muitos mais textos com descrições mais parecidas às que hoje são do G.!
    Parabéns!

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