Carta aberta aos meus rapazes.

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Quando li esta carta aberta da Farmácia de Serviço aos adolescentes, identifiquei-me com cada linha. Enquanto mulher, mas, como mãe de dois gajos, sendo um deles quase adolescente, pensei: e quem é que defende os meus meninos?

E assim, obrigada Lina, pela inspiração, escrevo uma carta aberta aos (meus) rapazes.

Ponto número um: as mulheres não são todas iguais (e livrem-se, por essa vida fora, de usar a palavra “mulher” no plural quando falam com alguma). Repito: as mulheres não são todas iguais mas têm um insuportável número de características comuns.

No geral, as mulheres vão ser sempre muito mais inteligentes do que vocês. É uma coisa científica, não há nada a fazer. O cérebro não é maior, mas é mais complexo. Logo, a capacidade de vos levarem à certa será sempre muito maior do que a vossa, mesmo que vocês passem o tempo a acreditar no contrário.

Para além de muito mais inteligentes, as mulheres são, até aos 70/80 anos, muito mais crescidas: sabem mais, mexem-se mais e querem mais. Parecerá isto um elogio às mulheres mas é antes um aviso.

As mulheres querem príncipes, difíceis de conquistar. Não, as mulheres não querem cabrões. É aqui que vocês se baralham, mas eu explico. As meninas, as raparigas, as mulheres são para respeitar e tratar como verdadeiras princesas (rainha é a vossa mãe, combinado?).

Mas tratar uma mulher como uma princesa não significa que vocês deixem de fazer as vossas coisas, de gostar das coisas que sempre gostaram, de ter os vossos amigos e as vossas amigas. Não significa que não podem falar com a vossa mãe ao telefone todos os dias, ir de férias uns dias, ou aceitar uma opinião de uma mulher que não seja ela. Tratar uma mulher como uma princesa significa ser fiel, fiel mesmo, com todas as letras, mas não significa que deixem ter a vossa intimidade, o vosso espaço e as vossas passwords.

Há por aí muitas campanhas sobre violência doméstica. Vocês sabem que, se um dia batessem numa mulher, não teriam qualquer desculpa. Nem o meu amor – que, sendo incondicional, tem valores. Mas sabem, não se fala muito nisso mas há mulheres que batem nos homens, dizem que perderam a cabeça, que a culpa é vossa. Uma mulher não pode bater num homem, mesmo que tenha muito menos força. Uma mulher não pode dizer o que lhe apetece porque está com ciúmes – a isso chama-se violência psicológica.

Vocês vão sofrer de amor, exactamente como se escreve e mostra nos filmes que as mulheres sofrem. Não é vergonha nenhuma. Vocês vão morrer de amor. Mas prometo que sobrevivem.

E, da mesma forma que, se uma mulher diz “não” quando lhe querem tocar é para ouvir o “não”, se uma mulher te diz que “não”, não é talvez. É mesmo “não”. Se for fita, ela que explique melhor.

Não vão atrás de uma mulher que vos diz “não”. Se elas disserem talvez e vocês gostarem mesmo delas, corram, façam-se em merda para as conquistarem. Mas depois do “não”, acabou-se.

Se tiverem vontade de chorar por causa delas, liguem à mãe. Eu não sou de preconceitos mas nos filmes os príncipes não choram e as mulheres não gostam.

As mulheres são princesas mas vocês são príncipes. Não se esqueçam disso.

Carta aberta da Farmácia de Serviço

19 Comentários
  1. CatandPlum Plum says

    Espero que não sejam só os teus rapazes a ler isto. Infelizmente já sei que não mas ler isto dá-me alento para que um dia, nem que seja só um dia, os homens nos entendam. Ou vejam.

  2. Rita victorino says

    Finalmente alguém que consegue transmitir aquilo que sentimos!!
    Adorei e vou partilhar no meu facebook.
    BJS

  3. happymum says

    Adorei! Como mãe de dois rapazes (um adolescente) adorei cada palavra.:)

    Gabriela M.

  4. Inspired says

    Dizem sempre que o difícil é educar meninas. Não acho. Acho igualmente difícil educar meninos. Porque transformar um miúdo num cavalheiro não é fácil! 🙂 e é o que menos por aí há!

  5. macaca grava-por-cima says

    como mãe de um rapaz… amei! vou imprimir!

  6. Miss F says

    Muito bom! Gostei muito mesmo!

  7. Mariana says

    Parabéns, Catarina! Devia haver mais mães capazes de dizer isso aos seus filhos e filhas também.

  8. Do Porto Com Amor says

    Quem dera que todos os "meninos da mamã" fossem educados desta forma.. as mulheres não sofreriam tantas desilusões.
    Estás educar dois príncipes não tenho dúvidas! Parabéns!!

  9. Alexandra de Amorim says

    Grande grande like 🙂

    The gLiTtEr Side

  10. Tatiana Sá Silva says

    Amei e espero poder ensinar ao meu menino em ser um grande homenzinho para com as mulheres! <3

  11. Tatiana Sá Silva says

    Amei! E como mãe de um menino espero poder ensinar a ser um grande homenzinho para com as mulheres!

  12. ana moura says

    Parabéns pela excelente mensagem que publicou e eu como mãe de 3 adolescentes, tenho sempre procurado incutir valores fundamentais e um deles o principio do respeito pelo semelhante para ser respeitado. Não à violência venha ela de onde vier, difundir e cultivar valores é indispensável para construir uma sociedade melhor, mais feliz e mais justa.

  13. SBarreiros says

    Que bonito, Catarina.
    Eu adorava ter um filho rapaz ou que uma filha um dia casasse com um dos teus filhos. Com esta mãe, só poem ser príncipes!

  14. Lina Santos says

    Olá, Catarina
    Com rapazes assim não precisava de me preocupar. Gostei muito. Obrigada. Lina

  15. andré says

    Essa de que as mulheres são mais inteligentes que os homens podia deixar-nos aqui o dia todo.
    E então dito como sendo uma "coisa científica" dá até para rir um bocado.
    Mais complexas concordo, até no sentido de complicadas.
    Inteligentes, bem, falta demonstrar, pelo menos "em cartório do céu, Deus e com firma reconhecida ! "
    Para onde é que iriam todos os prémios Nobel da física ? Enfim.

    Como argumento para os convencer a tratar bem o sexo oposto, acho que não serve.
    Mas é sempre bom acreditar em princesas. 🙂

  16. Raquel Sofia says

    Vou guardar. Para um dia, daqui a uns anos, mostrar-lhe. 🙂

  17. Sandra says

    É mesmo isto! Love it…

  18. […] e esta foi a carta que, a propósito disso, escrevi aos meus filhos há dois anos. para ler. […]

  19. […] Não! Não é normal! Não é assim que as coisas acontecem no mundo real, não é disso que as mulheres gostam e nem sequer acredito que seja isso que dá prazer a um homem. A mudança das mentalidades também pode começar por aí. […]

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