Maternidade

Coração-de-Mãe

Porque o coração de mãe sabe sempre, este post é dedicado a esta mãe.

Quando estava grávida, cruzei-me com uma amiga que me perguntou o que ia fazer quando o G. nascesse e eu respondi com um sorriso a roçar o arrogante:

– Aos três meses vai para o infantário. Queres que fique em casa a olhar para ele?

E o G. nasceu a 14 de Dezembro de 2002 às 6h44m. Naquela altura estava envolvida num negócio que (já) me dava muito problemas mas como ficava suficientemente perto de casa. Nos primeiros seis meses, o pai do G. ficava com ele a maior parte do tempo. Gravava videos e tirava fotografias para eu ver quando chegasse. Enquanto a minha função maternal cumpria-se de três em três horas com uma maminha de fora e a partir das 20h até à manhã seguinte (acho que tenho saudades dessas noites terriveis). O G. cumpria todas as etapas de desenvolvimentos sob as instruções dedicadas do pai, que o estimulava todos os dias para uma nova descoberta.

Os meus-três-meses passaram e nunca se falou na palavra infantário…

Foi durante o Verão que o assunto-tabu entrou nas conversas. As avós sugeriam que a criança precisava de “conviver com outras crianças” mesmo que para mim bastava que ele continuasse a conviver comigo e com o pai. Mas cedemos. Visitámos o infantário-da-moda. Observei as salas cheias de miúdos a chorarem e a passividade (que me nego a aceitar como calma) das educadoras e das auxiliares. No breçário não havia janelas. Assim que a directora do infantário fechou a porta com um sorriso comercial, eu comecei a chorar compulsivamente. O D. pegou-me na mão: – Não temos que o pôr aqui…

Acabamos por optár por um infantário da igreja porque fica muito perto de nossa casa. Mas desejei, em segredo, que o nome dele não fosse aceite. Mas foi. Enquanto visitava as instalações, o meu coração de mãe voltou a dizer-me que não. Mas como toda a gente dizia que não devia desperdiçar a oportunidade, que era tão perto de casa, tão acessível, e o G. já precisava.

Galinhices de mãe, pavoíces… pensei. E o G. foi. Com doze meses. Minha coisa pequenina.

Mas eu odiava o cheiro daquele espaço. Detestava ir buscá-lo e vê-lo sentado sozinho. O D. odiava a caixa das bolachas, uma técnica fantástica de calar criancinhas. Passado duas semanas o Gonçalo ardia em febre. E nunca tinha estado doente. Nesse momento, um daqueles, assumi que o coração-de-mãe tem sempre razão. Mandei à merda a opinião de toda a gente. O D. concordava, assim como, o Dr Jacome* também. Tirámos o G. do infantário. A nossa casa é um gigante quarto do G. e o melhor infantário do mundo!

Mas em Maio de 2004 surgiu a possibilidade de trabalhar e foi nesse momento que se impôs a necessidade de um infantário. Procurei com calma. Entrei. Cheirei cada canto. Contei quantos choravam. Observei o olhar de quem tomava conta deles. Fiz as perguntas todas. Fui chata. Termendamente chata. E assim escolhi. Três salas, cinco bébes, dez na sala 1-2 anos, oito na sala 2-3 anos. Não só cheirava bem como, também, davam colo. Os miúdos vão trocando de sala consoante a necessidade de novas aventuras. A Educadora segue-os até sairem para a escola primária.

No primeiro dia o G. chorou. Mas quando o fui buscar não queria vir. Passado uma semana já não chorava. E o meu coração de mãe teve certezas. Tornou-se mais forte. Mais destemido. Mas também aprendeu a fazer birras e a lutar pela suas coisas. O G. adora a escola. Assim como, adora os amigos e as namoradas! Adora a Zezinha e a Cristina, a Celeste e a Edite assim como eu. Confio nelas como em mim mesma para tomar conta do G. enquanto lá está. E por isso agradeço todos os dias por as ter encontrado.

Entra. Cheira. Conta quantos choram. Observa o olhar de quem toma conta deles. Faz as perguntas todas. Sê chata. Tão chata quanto precisares. E deixa que o teu coração de mãe escolha.

Comentários (6)

  • Os corações das mães não se enganam…e é tão bom saber que eles estão bem…é O que nos faz estar bem também…
    Vou seguir o conselho…muito obrigado pelas doces palavras
    Muitos Beijinhos!
    *

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  • Entao, esta historia eu ja conheCo! mas cumé? é pra vir ao blog ler cenas que já contaste?
    eheheheh
    O infantario do teu G. é muito giro e ve-se que ali nao ha confusoes,os miudos teem tratamento cinco estrelas. E tenho as fotos… manda pra a semana! Ficaste mto maternal com a Carolina ao colo. (ines?)

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  • Estou lixada se não puder repetir histórias que já te contei!!!

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  • duas perguntas: o Dr. Jacome é o da Cliniped? E o infantário é o Jean Piaget?

    De qualquer forma adorei o que escreveste. Ainda não rpecisei de procurar infantário mas quando o fizer serão esses os sinais que vou procurar.

    bjs
    Sónia

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  • Isso mesmo: Cliniped e Dr.Jacome ( a quem dedicarei oportunamente um post) e Externato Jean Piaget. São os dois espaços que o meu filho mais frequenta depois da dua própria casa! 🙂

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  • Penso que por lapso colocou o nome correcto do G. neste post

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