Eu… depois de parir.

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Recordar aqueles momentos antes de parir e o pós-parto.

Parir

do Lat. parere

  1. tr. e int.,

dar à luz filhos;

  1. int.,

ter um parto.

Porque hoje apetece-me recordar este dia, aquele momento antes e pós-parto.

No dia 13 de Dezembro de 2002 fui à medica de manhã com o propósito de me fazer o toque (para quem não saiba consiste em enfiar dois dedos pela vagina até sentir a criança).

– É cabeludo!

A consulta acabou com a entrega de um comprimido para induzir o parto caso o meu gajo não quisesse enfrentar a dura realidade antes de dia 18 de Dezembro.

Eu explico: tudo menos um homem capricórnio na minha vida! Eu não ligo a essas coisas mas os homens capricórnios dão-me cabo do juízo. Por isso, coincidência ou não mais valia não arriscar.

Á tarde tratei dos meus negócios enquanto lanchava como uma besta: um pão de deus com 1kg, 250g de fiambre, um litro de leite com chocalate e tomates recheados.

Obviamente que, quando às onze da noite me deram umas cólicas, eu não estranhei. Fui fazer cóco uma, duas, três vezes. Até não ter mais nada para cagar. Então, voltei para o sofá e continuei a ver o Titanic (e a verdade é que a TVI repete o Titanic sempre na mesma altura do ano). A vontade de cagar continuava mas agora de forma bastante ritmada.

Oh D. será que isto são contracções?

Vamos ver de quanto em quanto tempo sentes isso…

Mas quando passei a ter as mesmas dores de três em três minutos, resolvemos ir acordar a minha mãe.

Mãe, acho que vai nascer. Estou com contracções.

A minha mãe dormia profundamente:

Não pode ficar para amanhã?

MÃAAAEEEEE!!! acho que tem que ser HOJE!

Acordou e lá fomos os três para o hospital do SAMS. Interrompida de três em três minutos pela necessidade de me calar e controcer-me na parte de trás do carro, enquanto ia mandando mensagens para desmarcar tudo o que tinha marcado para o dia seguinte.

Mas quando chegamos ao hospital do SAMS informaram-me:

Confirma-se que está em trabalho de parto. Mas tem que sair porque não há camas livres.

Dado o alívio que eu e a minha mãe sentimos (uma vez que o meu pai faleceu no mesmo hospital) nem nos lembrámos de protestar contra aquela situação ridícula.

E como se fosse um filme, o trânsito estava cortado no sentido Norte-Sul em direcção à ponte 25 de Abril.

Está aqui uma grávida!!!

Assim seguimos caminho com o agente da autoridade à frente.

03H – Hospital Garcia da Orta

Eu, muito bem disposta, passeava-me com uma bata ridícula pelos corredores, com o cu à mostra.

Então, enquanto me dirijo à sala dos horrores, com o clister numa mão e lâmina de barbear noutra, que oiço a enfermeira:

Esta é das espertas! Já traz o serviço feito.

Pois minha senhora, felizmente conheço a palavra depilação-completa.

05h30 – Deito-me no local indicado. Continuava feliz e contente com a excepção feita à desagradável sensação de rebentar as àguas fácilmente traduzida por: mijares-te toda pelas pernas abaixo, como se não mijasses há uma semana.

Epidural não valia a pena porque já tinha a dilatação quase completa.

Podem chamar o D.???

6h – Agora dói!!!

Ai mãe!!! D. agarra nos meus óculos, dá-me os óculos. Agarra nos meus óculos, dá-me os óculos.

Em seguida, chega o salvador, mais precisamente o Sr. Dr.

Você está a precisar de ouvir voz de homem!

Pois que engraçadinho. Mas tire lá o gajo de dentro de mim.

– Mas tente aguentar mais um bocadinho para não termos que cortar nada.

Corte. Corte mas deixe-me fazer força.

E a verdade minhas amigas é que me cortaram com uma tesoura, no meu precioso pipi mas eu não senti nada.

Faz-se força e… do mesmo modo que uma sensação além-orgásmica!!!

6h44 – Cá estás!!! Quem és tu?

Neste momento chora-se de alivio e de susto porque como a música que tocava no rádio enquanto iamos a caminho dos hospital: Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida. (Sérgio Godinho)

Foi logo depois que  te trouxeram, já limpinho, minúsculo com um gorrinho branco para te agarrares às minhas mamas.

Então, já no pós-parto, as grávidas ao lado perguntavam-me:

Não doeu?

Doeu um bocadinho. Mas como gritei o que tinha direito que já nem me lembro se doeu!

Enquanto as enfermeiras comentavam:

– Aquela está pronta para outra!

Feliz da vida porque este foi o MEU momento pós-parto e a minha primeira foto do resto da minha vida.

8 Comentários
  1. A. says

    Que linda!
    Ele era tão pequenino!!!
    A.

  2. A. says

    Fizeste-me chorar…
    Não me perguntes porquê.
    A.

  3. Minhoca,a verdadeira says

    Esta historia de parto faz com que todas queiramos ser parideiras!! eheeheh! Gostei de detalhe das idas à casa banho relacionadas com o Titanic. Compreendo-te bem.

  4. Ana says

    LINDOS!!!!! Jokas grandes…. nao consigo fazer nenhum comentario mais construtivo

  5. Costinhas says

    A Joana nasceu no SAMS, e eu definitivamente não tinha esse bom aspecto que tu tinhas :)))

    Beijinhos
    Sandra

  6. MF says

    Também eu fui parir ao HGO…Solidariedade…é sempre bom recordar…Se há muito em comum no acto de parir, há tanto de único e exclusivo!!! O meu foi assim: http://dasdoresecores.blogspot.com/2005/08/25-de-julho-de-2004-ol-carolina-ol.html

  7. Mamã trintona says

    Parece que ficaste logo pronta para outra mesmo. Este relato mais parecia uma cena dum filme cómico. (espero que não leves a mal). Costumo chorar com relatos de partos mas, detsa vez, foi o contrário.
    Joquinhas
    Sofia

  8. Goiaoia says

    Isto de se gritar tudo a que temos direito é flagrante. Diz muito de uma pessoa. Muito, muito.
    (E agora um bonéquinho:)
    Já está, viu?

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