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maternidade o meu diário

sobre a paixão e os recém nascidos

queria um título melhor para este post mas não encontrei. nem sequer há uma forma fácil para falar deste assunto. é daquelas coisas que sabemos mas temos medo de falar. li este post da Marta e chorei. é verdade: ter filhos e manter uma relação de amor é um desafio.
já tinha dois filhos antes de ser mãe da Maria Luiza mas nunca tinha passado por esta fase acompanhada. disseram-me muitas vezes que era corajosa e forte por aguentar sozinha os dias e as noites de um recém nascido. como se adivinhasse sempre respondi: coragem é fazer isto com outra pessoa ao lado. quando estás sozinha ninguém assiste ao teu mau humor depois de noites e noites sem dormir mais de duas horas seguidas. quando estás sozinha ninguém te vê cair de cansaço quando a casa fica em silêncio, despenteada, a cheirar a leite, o corpo ainda mole e a pior roupa. quando estás sozinha ninguém vê que suspiras demasiado alto [e até dizes algumas asneiras] quando te levantas pela quinta vez em dez minutos porque o bebé voltou a acordar. quando estás sozinha ninguém assiste ao lado menos sedutor da maternidade. quando estás sozinha ninguém vê as tuas falhas, as tuas fragilidades.
quando a Maria Luiza nasceu não tive medo. tinha a certeza absoluta que correria tudo bem. fui-me mentalizando para isso ao longo da gravidez. e nos primeiros dias flutuamos.

maternidade o meu diário

“a menina” ou dias de uma princesa

é trombuda como eu. tem um choro engraçado em que parece queixar-se zangada: ai, ai, ai. chora sempre com os olhos fechados e chora muito alto. adora a alcofa e odeia o ovo. adora o banho e detesta o frio quando sai. adora mamar mas não gosta de fazer da mama chucha. é absoluta fã de Frank Sinatra. e sossega com o som do aspirador/secador. quando tem sono põe-se sempre na mesma posição [desde o primeiro dia]: aquela mão fechada encostada à bochecha, exactamente onde estava a minha placenta enquanto estava na barriga. chamo-lhe “a menina” nessa expressão meia foleira que só me recorda como o meu pai sempre me tratou. é a nossa gorda, a trombuda, “a menina”.

o meu diário

poucos caracteres mas muitas coisas boas…

falta-me tempo para escrever. provavelmente se fosse uma pessoa mais organizada conseguia sentar-me uma hora em silêncio. falta-me tempo para estar em silêncio a escrever. acordo todos os dias às 6h30 para dar de mamar, depois acorda o mais velho, depois acorda o Afonso que acorda a Maria Luiza. há sempre alguma coisa para fazer até serem 16h30 e recomeçar a sequência logística normal por sermos muitos. depois são 22h, os miúdos estão todos a dormir e ainda há roupa para estender e trabalho para acabar. falta-me tempo para escrever em silêncio e sem ser em casa. porque aqui há sempre alguma coisa que posso adiantar para tentar adormecer às 22h quando a casa sossega. se calhar nem me falta tempo, falta-me apenas organização, por o computador na mala e fugir durante uma hora para me sentar num lugar onde a única coisa que exista para fazer seja escrever.
aos quase dois meses de Maria Luiza sinto a desorganização e o cansaço normal. ao terceiro filho, aos quase 39 anos, as expectativas desta fase eram realistas. aos quase dois meses de Maria Luiza sabe que ainda não teria o peso que quero [e não tenho, faltam 5/6 quilos]. aos quase dois meses de Maria Luiza ainda não consigo treinar como treinava porque tenho sono.

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o encanto da imperfeição

quando partilhei esta foto no instagram recebi imensos comentários a agradecer pela honestidade da partilha.
a confusão também fica bem na fotografia [pronto, verdade seja dita que fica melhor porque não tem som]. posso preferir fotos em que sorrimos mas nunca esconderei que a realidade também se faz dos outros momentos.
o caos do final do dia, entre banhos, jantares, trabalhos de casa, roupa para o dia seguinte, animados com a birra sonora da Maria Luiza, são tão felizes como uma manhã calma de domingo, com cheiro a torradas ou a papas de aveia, e sorrisos misturados com bocejos no edredon da cama grande [e somos uns privilegiados porque quase todas as nossas manhãs são muito calmas].
voltemos à confusão. os finais de dia são o momento mais cansativo do dia. acho que são sempre e para toda a gente mas quanto mais logística pior. aqui em casa tento ter quase tudo preparado para facilitar: os jantar está feito [nunca faço o jantar no próprio dia, opto por ter comida para a semana toda] e as roupas do dia seguinte ponho-as de lado quando tenho uma pausa durante o dia ou quando estou a arrumar a roupa passada ou a apanhar a que já secou. temos a sorte de estar todos em casa às 18h. depois vem a sequência: banhos intercalados com brincadeiras e trabalhos de casa, depois o jantar.

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desculpem, isto é mesmo uma chatice [II]

disseram-me que já não escrevo sobre amores e desamores. é verdade. não há nada menos inspirador do que a tranquilidade de um amor a sério.
releio o que escrevi poucos dias antes de te conhecer. 
não perco a minha certeza absoluta. o amor é sempre feliz, mesmo que dê muito trabalho. e, tenho a certeza absoluta, que o amor se faz da presença, desse pânico do não-te-quero-perder-por-nada-nesta-vida. mas os amores literários são diferentes, não são amores são amores literários, como nos livros, amores escritos com palavras complicadas e advérbios de modo.
no meio de todas as certezas absolutas que perdi, confirmei que o amor é sempre feliz. também tenho a certeza que só soube que tinha encontrado a minha história porque vivi todas as outras. e gostava daquilo que escrevia entre angústias e desesperos, desistências e recomeços. tinha produção de posts garantida. agora, mesmo este aperto do não-te-quero-perder-por-nada-nesta-vida é insuficiente para inspirar caracteres infinitos, existencialistas, desesperados sobre amores e desamores. é uma chatice, eu sei. mas espero que seja que seja uma chatice para sempre.
 
há um ano a foto era esta. agora somos mais um.

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