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maternidade o meu diário

sobre o cansaço. ou sobre o segredo que tem de deixar de ser um segredo.

segredo

tenho andado brutalmente cansada. naquele ponto em que tenho a sensação que a cabeça vai rebentar. naquele ponto que me apetece chorar e gritar. não choro porque não consigo e não grito porque o ruído seria pior ainda. é um conjugação explosiva entre cansaço e problemas. na confissão deste estado mandaram-me este texto da Ang Porter no Huffington Post. revi-me nestas palavras. e concordo com tudo o que ela diz: não só temos de conseguir admitir que sim, que estamos cansadas, exaustas, quase a quebrar, como temos de parar de tentar fingir que está tudo bem. temos de parar de gozar. e temos de encontrar soluções e pedir ajuda. temos de ter um tempo que seja só nosso – mas a sério, de qualidade. temos que juntar a tribo. foi isso que fiz este fim-de-semana. temos de quebrar o segredo. 
 
“Muitos de nós, pais, temos um segredo. Nós gozamos com este segredo. Rimo-nos casualmente, como se não estivéssemos a falar a sério.
Depois vamos à casa de banho e fechamos a porta. Sentamo-nos no nosso spot secreto. Talvez agarremos no telefone, num livro, talvez fiquemos só a olhar para a parede da casa de banho. Há água a correr. Conseguimos ouvi-la a bater na porcelana. Cai, cai, cai.
Quando a torneira solta um gemido gutural lembramo-nos de que são os nossos olhos que estão a correr. E as nossas lágrimas estão a cair na porcelana.

maternidade

queridas mães de bebés – e crianças pequenas – que acordam várias vezes à noite…

alimentar os bebés

esta manhã depois de me lamentar, na mensagem matinal à minha mãe, que estava cheia de sono, ela respondeu:
– temos que fazer alguma coisa! – referindo-se aos acordares da Maria Luíza
aquilo enervou-me. sendo a minha boa disposição inversamente proporcional ao sono que tenho aquilo enervou-me muito. e lembrei-me quando, aos 24 anos, acabadinha de ser mãe do G. acreditava que toda a gente sabia mais do que eu e que tinham todos uma solução milagrosa para tudo. a minha mãe referia-se à sua preocupação com meu cansaço e não a nenhuma atitude em relação à bebé. eu demorei umas quantas mensagens – ainda zangada – a perceber isso. as zangas com a minha mãe na idade adulta são muito curtas – primeiro porque já nos conhecemos e segundo porque lhe sou muito grata.
voltemos ao sono. este que me presenteou com uma neura memorável. o sono é uma merda. não é por acaso que manter alguém acordado é uma das técnicas de tortura mais eficazes. uma pessoa com sono fica desesperada e passa a acreditar seja no que for que lhe dê a menor esperança de poder dormir. e nós, mães de bebés que não dormem a noite toda – nem perto disso -, passamos a sentir que somos as únicas neste mundo. e nós, mães de bebés que não dormem a noite toda, começamos a acreditar que estamos a fazer qualquer coisa errada.

o meu diário

revitalizada. agora a parte boa.

revitalizada

ontem falei-vos do meu cansaço. confesso mesmo que, na semana passada, sentia que estava mesmo no meu limite. aquele momento em que te apercebes que, quando te perguntam como estás, respondes sempre: “mas ou menos” ou “muito cansada”. aquele momento em que te olhas aos espelho e te sentes com mais 100 anos. e que tudo custa muito e o humor vai atrás.
na semana passada para além do cansaço tive que gerir um novo dado: o Pedro ia ser operado numa altura em que estaria a trabalhar e eu iria de férias uma semana com a minha mãe. correria tudo bem na operação? o que era necessário para o pós operatório? desmarcava as férias e ficávamos todos em casa quando o homem precisava de descanso?
decidi [decidimos] orientar tudo em casa para o seu máximo conforto e mínima preocupação e manter a semana de férias que permitia tirar o ruído todo de casa.
quando cheguei a Santa Eulália – nuns dias que já se tornaram tradição – depois de dias terríveis e uma viagem infernal só me apetecia chorar. era este o ponto de situação na noite de quarta-feira.
desde quinta-feira que a minha vida é dormir, mimar os meus filhos, apanhar sol e treinar. a diferença que faz poder dormir meia hora ao sol [um agradecimento do tamanho do mundo à minha mãe].

maternidade o meu diário

quanto tempo dura o pós parto?

não sei tecnicamente quanto tempo dura a expressão pós parto. na verdade espero que não tenha uma validade definida porque para umas mulheres o pós parto são uns dias e para outras uns anos.
aqui estamos na fase do cansaço acumulado. já não me sinto em pós parto, sinto-me mãe de três: um adolescente, uma criança e um bebé. não durmo uma noite seguida, nem nada que se aproxime disso, há uns meses. consequências? não tenho memória e o desespero pela sensação permanente de desorganização da cabeça [principalmente em relação ao trabalho]. anoto tudo e vejo e revejo as listas todos os dias, várias vezes por dia.
em termos de rotinas estamos na fase boa. sinto que os dias funcionam, sinto que as estratégias para lidar com cada um dos meus filhos estão no ponto certo [mesmo que amanhã seja preciso acertar tudo outra vez convém aproveitar e agradecer este momento].
é em termos físicos que o cansaço tem sido mais difícil de gerir. se logo depois da Maria Luiza nascer achava que podia tudo e muito rápido [falamos de treino e recuperação], nesta fase nem sempre há força para isso. há dias em que fisicamente não consigo ir treinar porque não tenho força. e já aceitei isso de forma serena. quando consigo – e não há melhor forma de acordar do que ir à aula das oito da manhã na Rounds Academy e dar uns murros – aproveito muito.

maternidade

pausa para recuperação.

pausa

pausa. o blog foi abaixo e eu também. sete noites sem dormir uma hora seguida é mais do que suficiente para que a cabeça entre em curto circuito. neste momento faço a terceira tentativa de medicação. e espero que seja desta que paro de tossir. só quero dormir uma noite seguida sem acordar com ataques de tosse que tenho que me sentar porque deixo de respirar. tenho um filho pequeno com febre e um filho grande com os seus problemas “normais” de asma. eu já sei que quando acontece uma coisa acontece tudo. mas mesmo sabendo não me habituo. tento dizer baixinho, muitas vezes, que sejam sempre estas coisas pequeninas, que não há problema, que já passa. mas porra, estou cansada. e a privação do sono tira-nos a racionalidade. isto até podia ser uma fabuloso teste ao meu casamento, “aí que estou tão mal, cuida de mim”, mas o homem está fora em trabalho. o blog está em baixo, eu também, mas tenho a certeza que ficamos em estado normal num instante.
 
[quando foste mãe solteira durante 13 anos e és uma mãe casada há apenas 3 meses, tens que fazer um exercício de racionalidade para não te mandares para o chão a chorar porque estamos os três doentes e o homem não está.]
 
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