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o meu diário

31.8.2016

preferia acordar no dia do teu primeiro aniversário na cama onde, há um ano, percebi que a bolsa estava rebentada que seria hoje que te ia conhecer. mas já me deste um sorriso enorme e estás a olhar para o ecrã de monitorização como se fosse “o mundo da sara”. estar aqui, ansiosa pelas próximas análises, a lutar contra os meus demónios para que só exista espaço para pensamentos bons, fez-me resumir aquilo que desejo. quero saúde. e quero que saibas que podes tudo nesta vida. e que estou aqui sempre, a tentar ser uma mulher melhor para poder ser uma referência na tua vida. quero saúde. não precisamos de pedir mais nada. do resto para sermos felizes, tratamos nós.
Nota: Maria Luiza está internada. Vamos dando notícias. Obrigada pelas mensagens e mimo.

maternidade o meu diário

tua mãe há cinco anos…

és o meu amor arrebatador, aquele tipo de paixão que nos cega a qualquer tipo de defeito. sei que tens mau feitio, assim ligeiramente a tender para o ditador e que és um chato porque achas que sabes tudo. racionalmente sei isso tudo mas, na prática não reparo em nada. és infinitamente doce e infinitamente independente. és arrumado e sabes sempre onde está cada objecto, o que me dá imenso jeito. és absolutamente doido por tudo o que seja tecnológico, filmas tudo mesmo que seja com câmaras imaginárias ou aquelas que consegues ver em qualquer objecto, pões o microfone e perguntas por cabos com nomes estranhos. conheces todos os youtubers e falas com um ligeiro sotaque brasileiro. não fazes birras mas contrariar-te é uma guerra que vou aprendendo a contornar porque, sendo igual a ti, também não me apetece perder. morres de saudades do teu irmão quando ele não está mas fazes-lhe a vida negra assim que ele chega. és o mais terno com a minha barriga mas também tens sido tu que mais te ressentiste com a ideia. quiseste voltar a dormir comigo e chamas-me “mamã”.
és a minha fotocópia. és o meu desafio. és a certeza absoluta que a vida pode ser completamente ao contrário do que imaginamos e muito melhor do que podíamos imaginar.
parabéns minha coisa boa. [e obrigada ao teu pai pelo momento em arriscamos ter-te].

o meu diário

parabéns minha mãe.

depois de ler o que escrevi no ano passado faltaram-me as palavras.  percebi que as saudades que sinto de Almada não são culpa das hormonas mas da falta que me faz saber que estás já ali. sei que és hoje uma mulher tremendamente mais feliz mas – num acto egoísta – conto-te as saudades que sinto dos primeiros anos de vida do G.. e da infância e dos almoços no Barril. e da minha adolescência e dos almoços fosse onde fosse, sempre contigo. tenho saudades de abrir aquela porta e saber-te sempre do outro lado. das noites em que ficávamos a conversar. dos finas de tarde dos nossos Verões em mergulhos e “peixinhos”. de acordar todos os dias com os teus bilhetes. nunca saías sem me deixar um bilhete. [agora culpo as hormonas e conto-te que choro porque consegui ver o sítio exacto no móvel que guardava as Burdas, ali ao lado do telefone preto, com uma ponta presa no candeeiro branco, os bilhetes escritos com a tua letra perfeita].
 
sei que também te tenho hoje, todos os dias. mas, como diria um amigo, eu tenho sempre saudades de tudo. e as saudades que tenho de ti são boas porque tenho o teu cheiro para que não sejam nada mais do que saudades das boas.
 
parabéns minha mãe.

maternidade o meu diário

parabéns avô Zé

o meu avô faz hoje 93 anos. está velhinho mas mantém o mesmo sorriso maroto quando tenta fazer alguma coisas às escondidas da minha avó. em miúda passava os meus verões em casa dos meus avós na Figueira da Foz. volto à Figueira da Foz sempre que posso porque não quero perder nenhuma dessas memórias. o meu avô faz hoje 93 anos. continua a ler mais de um livro por semana. já não faz mantas enormes em crochet perfeito. nem bolos de iogurte que, sem qualquer medida, eram sempre os melhores do mundo. também já não me faz torradas encharcadas em Planta. eu tenho essas imagens muito bem guardadas. o meu avô faz hoje 93 anos e continua a cheirar a bolos, bolachas e pão, como um bebé, porque os guarda nos bolso para comer quando a minha avó não está a ver. eu tenho saudade de quando o meu avô me contava o Amor de Perdição, vezes sem conta, todas as que eu pedia, e terminava a cantar: Simão aquele estudante apaixonado por aquela fidalguinha de Viseu… o meu avô continua a ser muito bonito. diz a minha avó – que ainda lhe faz cenas de ciúmes dignas de adolescente, que era o homem mais bonito do mundo. eu acredito. o meu avô faz hoje 93 anos e eu pedirei à minha mãe que lhe mostre este post e sei que chorará. o meu avô ensinou-me que os homens fazem exactamente as mesmas coisas que as mulheres. mudar fraldas, fazer crochet e chorar.

o meu diário

70 anos

70 anos

há um ano escrevi sobre o meu pai.  farias hoje 70 anos. serias o melhor avô do mundo. continuas a ser o melhor pai do mundo. dói-me que não conheças o Gonçalo e o Afonso. dói-me não poder ligar-te para ir almoçar contigo ao Trem e confirmar-te apenas com o olhar que sou feliz.
serias [és] o pai mais bonito do mundo.
obrigada por tudo.

as saudades têm a tua banda sonora.

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