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maternidade o meu diário

porque dou de mamar em público e não me incomoda

É estranho pensar que antes de ser mãe aquilo que mais me assustava nisso de ter filhos era amamentar. Fazia-me impressão essa entrega física, isso do corpo que é nosso mas não nos pertence.
Quando fiquei grávida do Gonçalo prometi não pensar mais nisso, logo se via, ninguém me obrigava a dar mama, era o meu corpo, logo se via.
Tenho o parto do Goncalo guardado em memórias envoltas em neblina mas recordo, com enorme clareza, o instante em que, já fora de mim, procurou o meu peito. O conforto que senti foi a resposta para os meus medos. Parte do meu corpo era agora do meu filho, não eram as minhas mamas, eram o seu alimento [alimento do corpo e do mimo].
É exactamente assim que vejo o meu corpo enquanto amamento, poderiam ser as mamas, os braços, os joelhos ou a ponta dos cabelos, é apenas alimento. Foi assim com o Goncalo, foi assim com o Afonso, é assim com a Maria Luiza. Talvez por isso me seja tão fácil amamentar em público.
Sem qualquer glamour e sem qualquer vergonha partilho que o facto do peito estar mole [nada bonito] e pequeno facilita porque torna o momento muito discreto. Há alturas em que as pessoas nem se apercebem que estou a dar de mamar.
É estranho pensar que já tive medo quando hoje dar de mamar é tão natural nisto de ser mãe como ter uma barriga durante quase 40 semanas.

maternidade

todos os dias da nossa vida

todos os dias da nossa vida.

há muitas coisas sobre as quais me falta escrever. na logística de  todos os dias da nossa vida sobra pouco tempo para ordenar os pensamentos em carácteres. a Maria Luiza só mama, começará a comer quando, depois dos seis meses, for percebendo que ela quer. já provou batata doce porque não parava de olhar e gostou. a Maria Luiza só mama e mama quando quer, mama por fome, mama por sede, mama porque tem sono, mama porque sim. assim será enquanto as duas quisermos. a Maria Luiza acorda várias vezes à noite, raramente as conto porque dorme no meio de nós e eu quase nem acordo para lhe dar de mamar. sim, a Maria Luiza dorme no meio de nós porque quando acorda pela primeira vez deita-a connosco e vamos dormir também. às vezes dói-me o corpo quando acordo. às vezes tenho muito sono. às vezes chamo-lhe nomes em pensamento porque quero ir aninhar-me ao Pedro no sofá e ela nunca mais pega no sono. tento conjugar a hora de adormecer na rotina dos irmãos para estarmos todos. a Maria Luiza é bebé e vai crescer, este cansaço dará lugar a outros cansaços, que passam por dar colo sem que doam as costas. para mim, para nós, faz sentido este apego. não é melhor nem pior do que quem faz de forma completamente diferente. para nós é assim que faz sentido.
 
partilhado ontem no instagram. são assim todos os dias da nossa vida.

maternidade o meu diário

em teoria devo estar a fazer tudo errado, na prática não me importo nada [ou dias de uma princesa]

estava a ler a Mariana e comovi-me. também agradeço “aos meus filhos por me fazerem desacreditar das teorias. Sei que sou muito mais feliz assim, mais justa comigo e também com eles“.
tenho a Maria Luiza a dormir nas pernas e tento escrever toda torta com o computador ao lado.  existe um som insuportável de chuva nas Caraíbas intercalado com motores de avião e aspiradores, encontrei no Spotify e resulta sempre. às vezes ponho um vídeo do youtube com uma coisa que garantem ser o som do útero materno mas a mim só parece um secador. o meu filho Afonso está aqui mesmo ao lado a ver um vídeo da Patrulha que é pata mas aqui é canina porque ele vê versões brasileiras de tudo e até fala com um ligeiro sotaque. já demos mimos, já rimos, já conversámos porque a manhã começou demasiado cedo.
tenho sono, esta noite a Maria Luiza mamou vezes infinitas – são infinitas quando não as consigo contar. sei que foram muitas mas já não acordo, consegui habituar a Maria Luiza a mamar deitada. dói-me o ombro esquerdo por causa da posição mas gostamos [os três] do cheiro desta cama cheia.
a hora de deitar tem rotina. depois do banho ficamos fechadas no quarto, num ritual demorado e calmo. os rapazes já sabem que podem entrar, sem fazer barulho. eu aproveito o escuro e a paragem forçada para uma espécie de meditação.

maternidade o meu diário

amamentação [e coisas práticas sobre mamas]

quem me lê há algum tempo sabe que sou uma acérrima defensora da amamentação. também já expliquei que aquilo que defendo é que, quando uma mulher decide amamentar, possa fazê-lo durante o tempo que ela e o seu bebé quiserem, sem olhares críticos ou comentários recriminatórios. dar de mamar é uma decisão íntima e cada mulher tem que tomar essa decisão de forma livre e informada [o leite materno é o melhor alimento do mundo, isso é um facto].
recupero aquilo que escrevi no projecto Loove.
 
Quando era miúda tinha pesadelos em que imaginava que estava a dar de mamar. Estranho sonho esse que me perseguia e me provocava sensações de desconforto e estranheza. Grávida do meu primeiro filho prometi não pensar no assunto. E assim foi até ao instante em que, depois de nascer, o meu filho mais velho foi posto no meu peito com um gorro branco, ainda cheio de sangue. Foi, nesse mesmo instante que, depois de um parto normal e um ser minúsculo alapado à minha mama que lhe bastava para viver, que me consciencializei da minha condição: sou mamífera.
Não foi imediata a sintonia com este lado animal. Primeiro sufocou-me a ideia de ser essencial ao meu filho. Depois doeu-me. A seguir cansou-me. Fui, devagar, descobrindo o prazer daqueles instantes.

maternidade

sobre o sono. e o pai?

a propósito do post do sono perguntaram “e o pai?”, ou seja: onde estava esse malandro enquanto eu estava acordada madrugada fora? acredito que cada família tem a sua forma de gerir as coisas, aqui em casa fazemos exactamente as mesmas coisas excepto dar mama. e eu tenho um princípio que acredito que resulta: basta estar uma pessoa acordada. assim, se eu tenho que dar mama, ou se já estou desperta porque o A. veio chamar-me a mim, não acordo o Pedro. aliás, se ele acorda mando-o voltar a dormir.
a privação de sono é muito complicada de gerir [por alguma razão é mesmo uma forma de tortura] e eu acho que uma família só tem a ganhar se alguém tiver o sono em dia e mantiver a calma e a cabeça no lugar quando falta à outra parte.
se a minha opção é amamentar sei que existirão noites más [e outras boas, felizmente] e que sou insubstituível nessa função. mas também sei que, se cair de sono e adormecer a qualquer hora do dia, o Pedro trata de tudo – da miúda, dos miúdos e da casa. mesmo à noite, se a miúda tiver a fralda suja, eu durmo e o Pedro muda. se eu tiver acabado de dar de mamar, ou for começar, estou acordada e mudo eu.
outra questão é que eu continuo a trabalhar. acordo mais durante a noite mas tenho alturas do dia mais ausente.

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