o meu diário

ingenuidade[s]

G. lê uma revista-do-social perdida na casa de banho: “Filipe, do céu ao inferno”.– Mãe, porque é que o Filipe disse isto?[cá em casa tratamos o Filipe dos Ídolos por tu.]– Porque não sabe se pode levar a namorada para Londres.– O Filipe é muito exagerado!– Não filho. O jornalista que escreveu esse título é que foi exagerado.

o meu diário

[domingo]

O melhor do bairro são as farófias. O bitoque. E o cozido à portuguesa ao domingo. O melhor do bairro é já me conhecerem e não ser preciso dizer quase nada. Eu gosto do silêncio demanhã. E detesto o silêncio ao final da tarde. Demorei sete a compreender as birras que o meu pedaço de gente – quando era apenas um pedacinho de gente – fazia entre as sete e as oito da noite. Descobri que faço exactamente a mesma birra ainda que mais silênciosa.
Esta manhã – em silêncio – fiz um pequeno-almoço de hotel.O cozido e as farófias estão guardados para o jantar.

o meu diário

A minha relação com o meu filho é perfeita. Não é perfeita aos olhos das outras pessoas todas, é perfeita para mim. Demorou sete anos a atingir a perfeição. Será uma relação inversamente proporcional aos namoros, casamentos e relações afim que entram em crise no sétimo aniverário e destroem a minha crença adolescente em paixões para o resto da vida. Eu sofro verdadeiramente com o fim dos amores dasoutras pessoas. É o mais egoísta dos sentimentos: sofro por mim e não por eles. Sofro pelas coisas em que deixo de acreditar.Esta manhã depois dos dez minutos mais rápidos da história [aventura vivida de 2ª a 6ªf entre as 8h45 e as 8h55] enquanto íamos no carro a rir às gargalhadas e a cantar pensei que eu e o meu filho temos a relação perfeita. E eu tenho uma sorte desgraçada.
[e custa-me esta coisa do dia do pai. e tenho a melhor mãe do mundo.

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