o meu diário

quero que me escrevam “forever” nos meus allstar velhinhos

Ontem fui ao cinema. Sozinha porque gosto demasiado dos meus amigos para lhes pedir que fossem ver a Melodia do Adeus. Eu leio compulsivamente livros de qualidade duvidosa e intelectualidade reduzida e vejo filmes ao mesmo nível. Não sou fã do Nicolas Spark [a quem posso interessar gosto de autoras novelescas irlandesas] porque o gajo gosta sempre de matar a personagem mais interessante que vive – de certeza – numa casa de praia sulista, mas não resisto a um bom drama-romântico-ainda-para-mais-se-meter-primeiros-amores. Ontem fui ao cinema sozinha, saltei sobre a bancada das pipocas para beijar o rapazinho que me pediu o cartão jovem e estive durante duas horas entre o sorriso estúpido e o choro compulsivo. E agradeci pela Miley Cyrus e o Liam Hemsworth namorarem desde o fim das filmagens [apesar de lamentar imenso o facto do Liam não namorar comigo] porque quero continuar a acreditar que naquela idade ninguém finge que está apaixonado sem se apaixonar de verdade.
[e depois de ver a Miley Cyrus de calções aproveitei que o Continente ainda estava aberto e fui comprar comprimidos anti-envelhecimento.

o meu diário

Já não me custam as noites. Devo ter crescido e, apesar da minha cama não sentir o calor do meu corpo há demasiado tempo, adormeço serena. Nem me lembro dos sonhos mas sei que sonhei porque acordo muito zangada. Guardo a raiva entre o momento em que acordo e o momento em que te vejo acordar. Disseram-me que tens as bochechas da mãe mas eu acho, felizmente, que são bochechas-de-sono. Refilas e explicas-me que és nocturno: queres viver de noite e dormir de dia e eu calo-me porque acredito que temos anos e anos para discutir este assunto. Já não me custam as noites mas custam-me aqueles minutos depois de te deixar na escola. Cresci e fiquei a ganhar: troquei várias horas por apenas alguns minutos. E melhor ainda descobri a solução. Se correr muito depressa durante quinze minutos, se quando me apetecer parar disser todas as coisas feias que me zangaram em sonhos, se escrever cartas que nunca vou mandar, se organizar discursos que nunca vou fazer. Se correr muito depressa durante quinze minutos fico tão cansada que não tenho força para estar zangada.

o meu diário

amo-te [3]

esperei por ti e não vieste. como sempre. já percebi que não vale a pena esperar por ti. entreti-me a ver um filme italiano, depois comi uma sobremesa, a seguir desliguei o computador de raiva e finalmente adormeci com o telemóvel em cima da minha barriga para o sentir, caso ligasses a horas indecentes. não ligaste, esperei demais. não encontro nada mais que valha a pena fazer por ti.

o meu diário

amo-te [2] *

Por mim, tinha-te a viver debaixo da minha cama…
[i wish that we were magic]
* vivo o amor-adolescente nas palavras da Marta. e percebo – por muito que negue – as saudades que tenho de estar apaixonada. apaixonada-a-sério. morrer de amor.

o meu diário

para a minha mãe, tua avó.

Leio todas as noites antes do G. adormecer. A minha leu-me todas as noites até ao dia em que sai de casa. Tinha 19 anos. Quando regressei, grávida, a casa dos meus pais – que passara a ser a casa só da minha mãe – pedi, muitas noites, à minha mãe que me lesse. A voz da minha mãe tranquiliza-me e adormece-me. O G. era recém nascido e eu adormecia a ouvi-la conversar com ele.
– Mãe, eu gosto tanto que me leias. A tua voz é maravilhosa.[oh exagerado romântico…]– Obrigada filho. A mãe também gosta muito quando a avó lê para ela.– Pois… a voz da avó é ainda mais bonita. Não te importas, mãe?Sorri.– Claro que não. Acho que tens razão.– Gosto tanto da voz da avó a ler.– Também eu, filho.

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