o meu diário

Conclusões sobre o choro [desde que me lembro de chorar]

Quando era criança só chorava se me estivessem a ver. Era um choro de protesto ou de lamento que só fazia sentido se ali estivesse quem pudesse limpar-me as lágrimas e curar-me a dor. Nas poucas vezes que chorava sozinha no meu quarta acreditava que o Micha me podia ver e guardava papelinhos com segredos e promessas num cantinho descosido dentro da espuma do meu urso-melhor-amigo-vindo-directamente-da-URSS. Acho que a adolescência chegou quando comecei a chorar escondida mas suficientemente alto para que alguém ouvisse e perguntasse o que se passava. É uma coisa uma bocadinho parva, tão parva como outras tantas coisas da adolescência. Não tão parva como desesperar num domingo à tarde porque descobri que a laca para a fazer a popa tinha acabado e o meu mundo também [e, não há muito tempo porque eu sou ainda adolescente, mas há coisa de 15 anos não existia lugar nenhum para comprar laca ao domingo]. O choro-escondido-mas-alto-para-que-alguém-ouça é uma técnica que exige alguma prática. É preciso choramingar nos momentos em que os ruídos exteriores são mínimos e movimentar bastante o corpo – principalmente se chorarmos durante a noite. Também resulta sair de um local quase quase a chorar e ir “tentar-ficar-sozinha” porque – de certeza – que vem alguém atrás. Tornei-me adulta no dia em que o meu pai morreu.

o meu diário

equilíbrios

o miúdo gosta de dançar e eu quero dar-lhe referências masculinas. o miúdo quer ser artista e eu quero que faça desporto. o miúdo mudou-se para Lisboa e eu quero que os subúrbios façam sempre parte da nossa vida.
hoje começa as aulas de capoeira.

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