o meu diário

meu menino grande [1]

não me lembro da última vez que te vi dormir uma sesta. a casa está em silêncio.
durante nove anos senti-te a febre durante a noite mesmo antes que acordasses. [é a única coisa de que tenho saudades de quando era apenas tua mãe: dormir contigo.]esta noite viste ter comigo à cama e sussurraste:– desculpa acordar-te mãe mas sinto-me fraquinho…ardias em febre. levei-te ao colo para o teu quarto. [quando deixarei de te pegar ao colo?]tratei-te e adormecemos.

o meu diário

coisas [1]

Sou mãe-solteira-de-dois-meninos. Hesitei entre mãe-solteira e mãe-sozinha. Mas mesmo sendo solteira a última coisa que me sinto e sozinha. Ser mãe-solteira é parte daquilo que me dá tranquilidade e parte daquilo de que desisti. Custa nas crises hipocondríacas durante a noite. Mas existem amigos-com-paciência-infinita que nos acalmam. E aquela coisa, exactamente-como-dizem-nos-livros, que ao segundo filho tudo é mais fácil. E custa no segundo andar de escadas íngremes. Mas a culpa é da falta de elevador e não da minha condição de solteira.

o meu diário

[regresso]

Sempre descrevi o meu filho G. como um bebé difícil. Hoje apercebo-me que descrevo o pequeno A. como um bebé risonho mesmo quando chora ou pede ‘mimi’ [nome ridículo que chamo à mama por mimo] a toda a hora. Concluo que fui uma mãe difícil para o meu G.. Concluo que quando tudo se foi tornando tudo mais fácil não foi porque – ou não foi apenas – porque o G. cresceu mas porque eu cresci.
Sinto uma serenidade como pessoa que me permite dizer que ser mãe-de-dois tem sido perfeito. Também sei – e a teoria da balança equilibrada funciona sempre – o preço que paguei por esta paz. Sei do desisti. Mas sei principalmente o que ganhei.

o meu diário

2012

Regressar a este blog, a este pedaço de mim, é a única resolução para o próximo ano. (Minto, já prometi também que vou ter uma alimentação saudável mas acho que prometo isso todos os anos.)Fazem-me falta as palavras quando me enrosco no sofá-que-agora-é-cama no silêncio delicioso do sono dos meus filhos.
E, numa sequência de frases-feitas-e-lugares-comuns, digo e repito que a única coisa que quero é saúde. A minha e a dos meus (não exactamente por esta ordem).

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