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Pedro Barbosa: dos escritórios de advogados ao mundo do yoga [e de um continente para outro]

A vida do Pedro Barbosa, brasileiro, natural do Rio de Janeiro de 28 anos, deu uma volta enorme. Há dois anos não imaginava que ia estar a viver em Portugal. Não imaginava que ia deixar de trabalhar ona área do Direito para ser instrutor de yoga. Mas tudo isto aconteceu. E é essa a historia que vos conto hoje.

O Pedro nunca teve a certeza de que queria trabalhar no Direito. Aconteceu – como a quase toda a gente – porque era o caminho mais fácil e seguro a seguir: já havia um histórico de advogados na família e podia esperar alguma estabilidade financeira, bem como uma estrutura de vida sólida.

Problema? Não estava satisfeito. Estava saturado e ainda estava no inicio. Pensou, planeou, desenhou objetivos que, apesar de diferentes, o levaram ao estado de espírito onde agora está.

Esta é mais uma história de inspiração, que nos prova que basta querermos muito, arriscarmos e trabalharmos para termos. Porque quando o desejo é real, o “universo vai conspirar a nossa favor”. Só precisamos de olhar para “fora da caixinha”.

As aulas de yoga do Pedro fazem parte do grupo de treino outdoor, Move HIIT. Foi fundado pelo Ze Maria Castelo Branco, sobre quem também já vos falei aqui no blogue.

 

Porquê o curso de direito?

Decidi que ia para o curso de direito com 18 anos, mas na realidade, com aquela idade, eu não fazia a mínima ideia daquilo que queria fazer. Como já tinha alguns advogados na família – avô, madrinha, tias – pareceu-me um caminho mais fácil “para o sucesso”. Foi isto que na altura me fez tomar esta decisão.

 

E depois?

Fiz o curso, trabalhei na área enquanto estudava – estive em quatro ou cinco escritórios, em estágios, trabalhei no tribunal de justiça – e formei-me com 24 anos. Antes de terminar, passei na prova da Ordem dos Advogados no Brasil. Nessa altura, por mais que não tivesse a certeza daquilo que queria fazer, pensei: “Bem, já sou praticamente advogado. Só preciso de acabar o curso e vou tentar seguir o caminho e ver no que é que da”. Logo a seguir, comecei a trabalhar no escritório, onde fiquei efetivo. Depois abri o meu próprio escritório com um amigo. No inicio foi difícil porque o Brasil estava numa situação económica e política qpéssima e os nosso clientes não tinham dinheiro para pagar, mas passados 8 ou 10 meses cresceu. Mas, mesmo assim, decidi vir para Portugal tirar um mestrado. Foi a primeira vez que estive aqui, em 2015. Estive cá um ano e foi nessa altura que percebi que estava saturado do direito. E a questão começou a surgir: que outra coisa poderia fazer? Não encontrava nenhum caminho que me interessasse e queria ter algum objetivo.

Se estivermos num caminho que nos faz felizes, a energia do universo vai conspirar a nosso favor. Quando fazemos as coisas com intenção, com uma vontade de dentro, com amor a sério, as coisas têm tudo para dar certo. Tudo é possível. Basta olhar para fora da caixinha.

Entretanto voltei para o Brasil porque já estava a gastar muito dinheiro aqui. Não terminei o mestrado e decidi que ia mesmo largar o direito, que ia voltar para Portugal.

 

 

O que é que gostas aqui?

Gosto das pessoas, gosto da educação das pessoas, da civilização. Gosto da simplicidade das coisas. Gosto da facilidade com que as coisas funcionam. Fartei-me da desorganização do Brasil. E gosto da segurança. Apesar de ter vivido em Ipanema, via, diariamente, ladrões, pessoas a levarem facadas – cheguei a socorrer uma pessoa que tinha levado uma facada de uma criança. O surf, as ondas são melhores do que no Brasil. Depois de ter vindo cá a primeira vez, senti logo uma conexão. Sinto-me mais em casa aqui do que lá. Foi um desses motivos que me levou a repensar a minha vida. Também já conhecia muitos portugueses, mesmo antes de vir estudar para Portugal – há um enorme intercâmbio entre os dois países e há vários portugueses no Brasil.

 

E a passagem para o ioga?

Sempre tive um contacto com o yoga por causa do surf – já pratico surf há 12 anos. Em 2012 entrei numa escola de yoga no Rio e foi nessa altura que comecei a perceber e a gostar da filosofia do Yoga. Vi que tinha a ver comigo: a questão de conhecermos melhor o nosso corpo, a nossa mente, de conseguirmos, através da respiração, atingir níveis de tranquilidade em momentos de stress, ou de atingir níveis de energia em alturas em que precisamos de nos sentir mais ativos. Senti que o yoga tinha muito a ver comigo e entretanto decidi que não queria só praticar yoga, mas também dar aulas de yoga. Sempre senti que era meu dever trocar conhecimento com as pessoas. Gosto de partilhar informação. Sinto mesmo que é uma responsabilidade. Sempre senti.

 

 

 

O que é que isto mudou em ti?

Além da questão da técnica e das posturas, o yoga é algo que envolve toda uma filosofia. Não é só físico. Há princípios fortes de cuidado com a humanidade, com o planeta, com os seres vivos. É uma responsabilidade universal. É uma consciência universal. Quando começou o meu curso de yoga, nos 2 primeiros dias, já sabia que me ia apaixonar. E desde então, tenho evoluído mais nas minhas questões pessoais e espirituais. Aprendi a auto avaliar-me para melhorar.

As energias, a questão mais espiritual, é muito importante para mim. Há pessoas que não acreditam, mas eu acho que todos temos essa sensibilidade. É só uma questão de a reconhecermos. No meu caso, lembro-me de entrar em alguns sítios e sentir-me muito bem. Mas também me lembro de entrar noutros e sentir-me péssimo. Isto acontecia sobretudo em festas. Sentia-me mal. Ficava cansado. Não queria estar ali. Na altura associava estas sensações a mim mesmo: achava que era pessoal, da minha cabeça. Isto é o mais normal: as pessoas associam estes estados de espírito a elas mesmas, quando na realidade pode mesmo estar relacionado com o exterior. É o nosso corpo a perceber o que é que esta a acontecer à nossa volta. Acho que este caminho puxou por mim, neste sentido do bem estar. Esta foi uma das questões que me fez criar esta ligação com o yoga.

A mudança, a nível pessoal e profissional, é possível em qualquer situação. Ela vem sempre de dentro. O maior erro que podemos cometer é esperar que fatores externos nos indiquem o momento certo. A minha maior dificuldade foi perceber o momento. Eu já sabia que queria mudar há alguns anos, mas faltava-me a coragem.

 

Qualquer pessoa pode mudar de vida?

Eu acho que a mudança é completamente possível, independentemente do sítio onde estamos. A mudança, a nível pessoal e profissional, é possível em qualquer situação. Ela vem sempre de dentro. O maior erro que podemos cometer é esperar que fatores externos nos indiquem o momento certo. A minha maior dificuldade foi perceber o momento. Eu já sabia que queria mudar há alguns anos, mas faltava-me a coragem.

 

Quais é que foram as maiores dificuldades do processo?

Foi difícil tomar a decisão de sair do direito. A minha família dizia-me que já estava a construir uma carreira como advogado. Eles querem o nosso bem e segurança e acham que o caminho que mostra mais estabilidade é o certo. Resignarmo-nos a um estado de estabilidade é um muito comum e que pode durar uma vida toda. Isto tira a nossa essencial e espontaneidade. Era isso que eu estava a sentir. Só nós é que sabemos o que é que nos faz felizes. É difícil conhecermo-nos, é um processo longo, mas o primeiro passo está dentro de nós: aceitarmos que não estamos satisfeitos com a nossa realidade e acreditar que e possível mudar. Não é sair com uma mão à frente e outra atrás, mas tentar ver um caminho, uma possibilidade de crescimento. 

É difícil conhecermo-nos, é um processo longo, mas o primeiro passo está dentro de nós: aceitarmos que não estamos satisfeitos com a nossa realidade e acreditar que e possível mudar. Não é sair com uma mão à frente e outra atrás, mas tentar ver um caminho, uma possibilidade de crescimento.

 

Em termos práticos, o que é que tiveste de fazer?

Tive de pensar na estabilidade financeira, ou seja, quanto tempo poderia tê-la, sem que houvesse dinheiro a entrar. A coisa é poupar! Depois, pensar bem e estruturar as ideias no papel: pensar em mais de um caminho para atingir os objetivos. O terceiro aspeto é muito importante: ter paciência, ser tolerante até que as coisas se encaixam. Nada surge automaticamente. É importante ter isto em mente, sobretudo agora, num mundo onde se quer tudo no imediato. Temos de saber isto: tudo requer trabalho e tempo. Nada surge de uma hora para a outra. Se estivermos num caminho que nos faz felizes, a energia do universo vai conspirar a nosso favor. Quando fazemos as coisas com intenção, com uma vontade de dentro, com amor a sério, as coisas têm tudo para dar certo. Tudo é possível. Basta olhar para fora da caixinha.

 

E objetivos novos? Já tens?

Depois de terminar o curso de yoga e de ver as coisas funcionarem em tão pouco tempo – em 8 meses – e sentir-me tão bem, quero criar mais projetos virados para o bem-estar, virado para a alimentação saudável.

 

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obrigada ao Pedro (o meu) elas fotografias.

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