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Inspiração: para a Marisa Barroca aquilo que a salva é poder ajudar os outros

Conheci a Marisa Barroca no dia em lancei o meu primeiro livro. Na verdade conheci-a apenas pessoalmente porque as mensagens que trocávamos há algum tempo eram demasiado pessoais para nos considerarmos desconhecidas. Disse à Marisa aquilo em que acredito, a vida resolve-se sozinha e não há exemplo melhor para dar a um filho do que nunca desistirmos de sermos felizes. A Marisa é especial. Pela força que tem. A Marisa é especial, ponto. E não existe nada mais inspirador, nada melhor para ganharmos força para a semana que amanhã conheça, do que conhecermos melhor esta mulher. Já vão perceber porquê.

Na passada quinta-feira a Marisa conseguiu juntar o valor de uma dívida que estava a ser cobrado a uma antiga aluna do Instituto Politécnico do Porto. A acção de ajuda iniciou-se rapidamente, logo após a Marisa ter conhecimento do caso. Começou com a criação de um evento no Facebook chamado “Vamos ajudar a F”. A situação era esta:

A F é uma antiga aluna do ISEP [Instituto Superior de Engenharia do Porto] a quem a vida pregou algumas partidas e a falta de saúde não ajudou. Vive num quadro depressivo grave, tem um filho pequeno e só conta com a ajuda da mãe, também já debilitada pelos problemas da filha. Foi notificada pelo IPP para pagar as propinas que deixou em débito relativos a 2012/13 no valor de 788.72€. Temos 30 dias para evitar a penhora nas finanças.

Convidou pessoas, contactou o grupo de fados para atuar e, em 8 dias – desde que o teve contacto com a situação – conseguiu cumprir a missão, mais uma integrada no Mercado dos Santos, a Associação Solidária que nasceu em 2012.

A filha, Mariana, este ano, em Midões.

 

O caso de F  representa a primeira e única vez em que o mercado dos Santos serviu para solucionar um dos tantos casos que no trabalho – na sua outra vida – lhe vão parar às mãos.

A Marisa não é uma pessoa como as outras. Já vos disse que é muito especial. É um verdadeiro exemplo de coragem, determinação e força. E tem duas vidas: uma que adora e outra que detesta, que já quase a fez bater no fundo. Aquela que lhe dá força e que a ajudou a levantar-se é esta mesmo: o Mercado dos Santos. Mas, de segunda a sexta-feira, Marisa tem de se levantar e rumar ao Instituto Politécnico do Porto, para trabalhar na cobrança coerciva de dividas, em que o fim do processo, na ausência do pagamento, termina na penhora de bens e vencimentos de alunos e antigos alunos. O caso de F foi um dos tantos processos a que teve acesso.

Como diz, este trabalho, que a faz “imensamente infeliz”, serve meramente para “encher o frigorífico”. A associação que paralelamente criou – e que ajuda sobretudo pessoas doentes e, agora, com o caso dos incêndios, pessoas e famílias que ficaram sem nada – é a sua vida. É a sua tábua de salvação. É o que a salva do mal que a rodeia, todos os dias, durante sete horas.  É o que a faz sentir bem.

“O mercado salva-me. Salva-me das sete horrorosas horas que passo ali por dia. Sem ele eu estava doente. Sou a pessoa mais feliz do mundo quando entrego com um abraço uma ajuda, quando no meio do caos de separar roupa por tamanhos e sexo, consigo brincar com quem está comigo.”

Com ajuda de quem quer colaborar, Marisa Barroca analisa situações, compreende necessidades e monta rápidas operações de ajuda, planeadas ao pormenor. Passa horas – incluindo o tempo do almoço, em que vai para a garagem do IPP, trabalhar para a Associação – a receber e a separar roupas, por tamanhos ou idades. A separar bens alimentares ou de higiene. A tentar angariar fundos para quem tem necessidade. Passa horas no carro a ir ao encontro de quem precisa de ajuda.

Mariana a abraçar uma dos membros de uma família que, com 4 filhos, perdeu tudo nos incêndios.

 

26 de novembro é uma data especial. É o seu aniversário. Em vez de uma festa no conforto de casa, Marisa Barroca decidiu que vai passar este dia em Midões, um dos locais altamente afetados pelos incêndios. Consigo leva um bolo, amigos, voluntários, o marido e a filha, Mariana, que, ainda tão nova, já a acompanha-a nestas missões, trazendo consigo a mesma vontade de ajudar: “A Mariana compreende as necessidade, nunca recusa ajuda e nunca se queixa. Acho que esta é a melhor forma que tenho de a educar e é o melhor que posso passar.”

O trabalho é feito diretamente com os locais. Não recorre às juntas de freguesia, porque o destino das doações é incerto e muitas vezes mal gerido e utilizado. Só com o apoio daqueles que a rodeiam, sem ninguém a trabalhar na comunicação do projeto e com amigos que prontamente se prestam a ajudá-la no design dos cartazes, Marisa conseguiu encher uma carrinha para levar para Midões. Nas seguintes, encheu outras duas e vários carros particulares.

A história da Marisa mostra-nos que, por mais infeliz e insatisfatória que seja a nossa situação, há  espaço e tempo para criarmos projetos inspiradores, que nos apaixonem e que servem como remédio. Melhor ainda quando aquilo que nos faz feliz é trazer alguma felicidade aos outros. Se todos fossemos assim, o mundo seria um lugar muito melhor. Obrigada Marisa Barroca, do fundo do coração.

Vamos oferecer um presente à Marisa Barroca

Vamos enviar-lhe fraldas, leite lata, leite normal, cereais, óleo azeite, produtos higiene para bebe, produtos limpeza, detergente, roupa e donativos para os frescos (como fruta iogurtes carne e legumes) para poder ajudar quem ficou sem nada com os incêndios e ainda para um lar de apoio a mães solteiras, na Figueira da Foz.

E, no dia 1 de dezembro, há mais um evento solidário de homenagem a um amigo que faleceu este ano, e que também vai servir para angariar mais fundos para ajudar a F, que precisa de tratamento psicológico. Façam like na página de Facebook para saberem como podem ajudar, mesmo se não puderem ir.

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