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Samanta McMurray: “Come comida verde, mexe o teu corpo e faz aquilo que amas”

A Samanta McMurray é autora do blogue Eat Love With Love. Basta entrarem na página – quer seja do blogue ou instagram – para verem tudo aquilo que ela faz. Junta à fotografia o gosto pela cozinha. Melhor: junta à fotografia o gosto pela cozinha saudável. Em bom é infinitamente bonito. Aliás, como a própria Samanta.

É a prova de que comer bem pode mesmo ser saboroso, equilibrado, saudável – assim mesmo, tudo junto. E uma fonte de inspiração aqui no blogue porque, como muitas de nós, já fez uma alimentação – assim no tempo da adolescência – com pizzas e hambúrgueres. Com o tempo, e com a influência da mãe, foi aprendendo mais sobre os alimentos, ganhou o gosto pela cozinha, pelos sabores e pela fotografia – atualmente está mesmo a trabalhar num estúdio de food styling em Cleveland, nos Estados Unidos. Entretanto, já lançou três livros: ” Sumos com Segredos”; “Manhãs com Segredos”; e “Sopas com Segredos”.

Atenção: a Samanta está Portugal a dar workshops de food styling. o de Lisboa aconteceu no Greenfest, mas o pessoal do Porto, ainda vai a tempo – vai ser no Pretinho do Japão.


1. Onde nasceu esse gosto por cozinhar que a leva a passar horas na cozinha?
Desde pequena que me lembro de cozinhar. A minha mãe foi a minha primeira professora neste campo e sempre me pôs à vontade para mexer no fogão. Lembro-me que aos 8 anos já sabia fazer arroz branco sozinha em fogão de lume. Um dos primos com quem me dou melhor é chef de cozinha, e foi ele que me ensinou a olhar para a cozinha de uma forma menos amadora, a fazer empratamentos, técnicas de corte e afins. Uma das coisas que me faz passar várias horas na cozinha é o facto de adorar comer e sobretudo experimentar novos ingredientes.

 

2. E a preocupação com a alimentação? Sempre foi uma constante ou nem sempre foi assim?
Sempre fui boa boca e comia de tudo um pouco, às vezes um bocadinho a mais de certas coisas não tão saudáveis. Na fase da adolescência ganhei uns quilos a mais e comecei a perceber isso quando me chamaram gorda na escola. A partir daí ganhei mais consciência do que deveria ou não comer. Não posso dizer que me tornei super saudável nessa altura. Continuava a comer hambúrgueres com batatas fritas e pizza, mas acompanhados de legumes ou salada.

O aumento de verdes e a redução de refrigerantes na minha alimentação foi o primeiro passo que dei. Devia ter uns 13 ou 14 anos. A minha alimentação teve várias fases dentro do saudável. Já tive a fase low-carb, já tive a fase paleo. Sempre gostei de fazer experiências e perceber quais os melhores alimentos para o meu corpo. Neste momento estou em modo plant-based. Não como nada de origem animal há 3 meses, e nunca me senti tão bem em todos os sentidos.

Em Portugal cresce tudo mais devagar, infelizmente por falta de dinheiro, mas nem por isso deixa de crescer.

 

3. E a fotografia? Foi sempre um hobby ou nasceu com o blogue? 

Antes de criar o blogue já gostava de tirar algumas fotografias ao que cozinhava e já postava no instagram – na altura conta privada e nada a ver com o que é hoje em dia. A fotografia nasceu de um mês que passei na Suíça a fotografar pratos que o meu primo cozinhava para mim em casa dele. Na altura disse-me que eu tinha muito jeito, e quando regressei a Portugal decidi criar o blogue para juntar a comida saudável ao gosto (ainda recente) pela fotografia de comida.

 

4. Vive nos EUA. O que é que a levou a mudar de país?
Sou Luso-americana, e apesar de ter nascido em Portugal sempre senti vontade de ir viver uma temporada para os EUA. Vivi 4 meses em NYC e agora estou em Cleveland há cerca de um ano e meio. Convenci o meu marido a irmos para lá uns tempos. Ele é médico e fomos para Cleveland mais por causa dele, por questões profissionais, mas eu estou a adorar a experiência. Já comecei algumas colaborações com marcas americanas e trabalho como stylist num estúdio de food photography. Apesar de estar longe continuo a conseguir fazer a ponte com Portugal. Venho cá duas ou três vezes por ano para dar workshops e trabalho à distância com algumas marcas portuguesas. O mundo online possibilita isto tudo e isso também ajuda na parte da saudade.

 

5. Quando viaja, o que é que leva sempre consigo?
Tento ser minimalista, mas quase nunca consigo. Levo sempre o meu computador e a minha câmara fotográfica. Snacks saudáveis – barritas, frutos secos, bananas, água – e roupa extremamente confortável, de preferência parecida com pijama. E meias de lã para calçar no avião.

 

6. Tem saudades da cozinha portuguesa? De quê, em concreto?
Tenho saudades do pão. Principalmente da broa de milho e de centeio.

 

8. E de Portugal, no geral. Do que é que sente mais falta?
Da minha família e dos meus amigos. Ah, e das noitadas de conversa até às tantas. Lá acaba tudo muito cedo. Podia dizer que sinto falta do bom tempo no Inverno, mas por enquanto a neve ainda me encanta bastante!

 

9. Na temática da alimentação saudável, que diferenças nota entre a mentalidade americana e portuguesa?
O que vou dizer pode parecer totalmente oposto, mas os americanos estão a anos-luz à frente dos portugueses no que toca à alimentação saudável. Há muita obesidade, é verdade, mas em relação a conhecimento individual, qualquer pessoa fala de nutrição (e até de medicina no geral) com bastante conhecimento. É incrível.

Eu costumo dizer que vivo no futuro, porque as modas começam quase sempre primeiro do lado de lá. Por exemplo, em quase todos os restaurantes há opções inteiramente plant-based, muito graças às diferentes culturas que lá habitam. Qualquer loja de conveniência tem opções saudáveis à disposição.

É claro que continua a haver muito fast-food mau, mas também há muito fast-food saudável e cadeias de supermercados gigantescas inteiramente dedicadas ao tema, como é o caso do Whole Foods. E eu vivo numa cidade pequena que se poderia equiparar a Oliveira do Hospital.

Em Portugal cresce tudo mais devagar, infelizmente por falta de dinheiro, mas nem por isso deixa de crescer. Estou espantada com a abertura de restaurantes e supermercados saudáveis em Lisboa! Espero que daqui a uns anos haja essa abertura em todo o país e que a alimentação saudável não passe só pelas grandes cidades.

Come comida de verdade e de preferência 80% de origem vegetal (bebe muita água – esta faz parte da 1ª); mexe o teu corpo todos os dias e faz aquilo que mais amas.

 

10. Já lançou três livros. Há previsões para um próximo?
Não faço a menor ideia. Só digo que gostava de lançar mais livros. Adoro o processo de criação de um livro!

 

11. Em que projetos é que está a trabalhar?
Neste momento estou a estudar para ser Health Coach. Ando numa fase muito introspectiva e muito dedicada ao estudo. Quero aprender mais para poder ajudar as pessoas a adoptarem uma vida mais saudável.

 

12. E guilty pleasures? Qual é o maior?
Não resisto a um bom gelado.

 

13. As três dicas de ouro para conseguir levar um estilo de vida equilibrado…
Come comida de verdade e de preferência 80% de origem vegetal (bebe muita água – esta faz parte da 1ª); mexe o teu corpo todos os dias e faz aquilo que mais amas.

 

Vejam também as entrevistas a Miss Kale e a Raquel Fortes.

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