quarto partilhado
viver família

quarto partilhado ou não, eis a questão.

às vezes sinto que é preciso assumir algumas fragilidades para que outras mães, outros pais, outras famílias, se sintam normais. há uns dias mostrei o nosso quarto partilhado no instagram. e expliquei:

o cenário actual do “quarto grande”. quando fiquei grávida o Afonso começou a pedir para dormir comigo. achei normal, uma forma de garantir o seu território. voltou para sua cama uns meses depois do nascimento da Maria Luiza mas, no verão, numa fase mais instável, vieram pesadelos e passamos a ser quatro na cama. a Maria Luiza chama-me várias vezes durante a noite, choraminga, mama e volta a dormir. os quatro na cama significa que eu ainda dormia pior do que já durmo. numa noite péssima o Pedro foi buscar um colchão e dormiu ao pés da cama. mas Afonso mexe-se imenso e eu tinha saudades de dormir ao pé do Pedro. virámos o quarto todo! Afonso feliz da vida. e eu sem medo que a Maria Luiza caia a meio da noite.

não defendo o quarto partilhado (ou cama partilhada) como a solução ideal para as noites bem dormidas. cá em casa funciona, para a nossa forma de estar funciona, com a nossa família funciona. e cada família sabe de si e da forma como faz a sua gestão (do sono e da vida em geral). para nós este é o cenário perfeito porque funciona. é esta a nossa perfeição.

eu tenho um filho com 14 anos. e acreditem que mesmo que lhe pagasse, ele não vinha para a “camarata”. há idades para tudo, há etapas para tudo.

para as mães que optaram por “camaratas” (e eu sei que muitas vezes é porque o cansaço não permite mais): é uma fase. um dia destes cada um vai à sua vida. e há mais espaços em casa para que a intimidade não se perca.

 

voltamos semper à mesma conversa mas vale a pena repetir: nisto de termos filhos temos que ouvir menos o que dizem e perceber mais o que sentimos. há teorias para tudo. e que dá colo a toda a hora parece que só lê os estudos que dizem que o colo é um mau hábito. e quem não da colo parece e que está sempre a ver textos sobre a importância do toque para o bebé. e as famílias que deixam os bebés muito pequeninos para irem passar uma noite fora carregam a culpa porque foi “cedo demais” e os casais que ao final de dois anos ainda não deixaram os seus filhos a dormir em lado nenhum questionam-se se já o deviam ter feito.

no sábado pela primera vez deixei a miúda com a minha mãe durante nove horas. é verdade, nunca me tinha afastado tanto tempo dela. se não preciso e ainda não me tinha sentido confortável com isso, não o fiz.

não há um prazo certo para criar vínculos ou estimular a independência. há famílias, há pais, há mães, há contextos.

 

 

 

outro texto de esperança para os pais e mães de filhos pequenos que não dormem a noite toda.

Comentários (8)

  • Verdade Catarina! Acho que as pessoas sofrem imenso a tentar fazer os que os outros dizem e que é “normal”. Somos muito mais felizes quando esquecemos essas predefinições e encontramos a nossa própria “normalidade”! Obrigada pela partilha!

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  • […] o cenário actual do “quarto grande”. quando fiquei grávida o Afonso começou a pedir para dormir comigo. achei normal, uma forma de garantir o seu território. voltou para sua cama uns meses depois do nascimento da Maria Luiza mas, no verão, numa fase mais instável, vieram pesadelos e passamos a ser quatro na cama. a Maria Luiza chama-me várias vezes durante a noite, choraminga, mama e volta a … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Olhe eu separei me o meu filho tinha tres meses e desde ai somos so os dois… em resumo ate hoje ele dorme comigo! Montes de vezes me perguntam se ele nao tem o quarto dele? Se nao tem a caminha dele? Que isso e um pessimo habito.. que e horrivel! Falo ficar assim e assado..
    Sim… ele tem o quarto dele! Que por acaso ate tem uma cama! E com uma colcha toda gira que ele proprio escolheu! Mas sinceramente eu adoro que ele dorma comigo! Nao acho que isso lhe faca mal algum! E a unica coisa que me deixa triste e saber que ele esta a crescer e daqui a pouco e ele que nao quer dormir comigo nem que lhe pague (roubando lhe as suas palavras…)

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  • Acho muito bem e adoro o quarto partilhado.
    A questão da intimidade é uma treta, pois com filhos a casa e quarto à noite serve mesmo é para dormir, devido ao cansaço. existem outros horários para simpáticos e sítios para namorar. 🙂

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  • Estou tão de acordo Catarina. E a sua partilha é muito positiva, porque infelizmente sofremos imenso com o conceito do que é normal e correcto, e as pessoas esquecem-se que cada familia tem a sua realidade, e o que serve para mim não tem de servir para mais ninguém.

    Cá em casa também somos 5, os meus filhos sempre dormiram comigo, e os mais velhos hoje entram e saem da minha cama á sua vontade. Aliás, o mais velho já nem vem para a minha cama, diz que tem calor e que quer estar á vontade.
    O do meio gosta de se vir aninhar de manhã antes de começar o dia e a bebé adora estar colada a mim com os pés em cima do pai. O gato anda por lá também.

    Somos todos felizes e saudaveis 🙂

    Bjs

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    • Cara Madga, a nossa família é bem mais pequena mas também partilhamos a cama, gatos e cães—e qualquer mamífero que por cá apareça!—incluídos. Não como regra. Cada um tem o seu quarto e a sua cama. Mas, tal como a cozinha e o sofá, a cama é o nosso lugar de partilha. É onde nos encontramos no início e no fim de cada dia. Se não é o meu filho que vem para a minha cama durante a noite, sou eu que me deito na dele ao fim do dia. O que fazemos aninhados na cama, não fazemos em mais lado nenhum. Lemos, rimos, conversamos, lembramo-nos de coisas, sonhamos acordados, imaginamos futuros, planeamos o dia. Não há conceito do que é normal e correto que possa superar esta partilha e esta intimidade. Tenho a certeza de que terei muitas saudades quando o meu filho deixar de vir para a minha cama e/ou não quiser mais que eu vá para a cama dele. Mas sei também que os momentos de partilha que assim conquistamos vão ser parte dele para sempre 🙂

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  • Nisto do quarto partilhado ou não, como em muitas outras coisas, o que funciona para cada família é o mais acertado. Somos todos diferentes e teremos todos realidades e necessidades diferentes.
    Cá em casa não conseguimos dormir com as nossas filhas na cama. Eu tenho medo de rolar para cima da mais pequena e a maior mexe-se tanto que não deixa ninguém dormir. Às vezes seria mais fácil se dormissem connosco nas fases em que acordam mais vezes mas elas próprias preferem dormir nas suas camas…
    Se o caso fosse diferente, dormiriam na nossa cama o tempo que quisessem e precisassem, sem me preocupar minimamente com opiniões alheias. 🙂
    Obrigada pela partilha.

    http://www.vinilepurpurina.com

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  • […] há crianças (eventualmente pode existir só uma). Estamos deitados na mesma cama – os dois ou os três se for o caso de termos o bebé a dormir entre nós. Uma pessoa dá de mamar por opção mas quando acorda pela terceira ou quinta (ou enésima) vez […]

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