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infantário: “infectário” ou alívio?

estamos quase a entrar no novo ciclo letivo. a esta hora muitos pais estão a preparar-se para viver uma nova fase com os miúdos.

a entrada no infantário, seja o primeiro ou segundo ou décimo quarto filho, mistura vários sentimentos. sentimos medo por eles. temos receio que não se adaptem, que alguma coisa lhes aconteça. sentimos insegurança, quer seja pela escolha do local ou porque temos de entregar o nosso filho aos cuidados de outra pessoa, quase sempre desconhecida. sentimos angústia, sobretudo quando eles choram, nos primeiros dias. mas também sentimos alívio por termos mais tempo para nos dedicarmos a outras coisas. e por sentirmos alívio, sentimos culpa. é um ciclo confuso – mais para umas pessoas, do que para outra, mas é também um ciclo normal.

já passei por esta fase duas vezes: primeiro com o Gonçalo e depois com o Afonso. foram dois casos diferentes: quando tive o Gonçalo trabalhava fora de casa. com o Afonso já geria o meu tempo e fazia do meu quarto a minha secretária. o Gonçalo foi para a escola com meses, o Afonso tinha quase 3 anos. realidades diferentes, com coisas boas e dificuldades diferentes.

ficam algumas dicas. aquelas que seguirei quando chegar a vez da Maria Luiza.

 

⦁ como escolher a escola?

esta é a primeira decisão. escolher o infantário certo depende de muitos factores mas acho que podemos resumir em: localização, orçamento e disponibilidade.

localização
por questões práticas convém que o infantário esteja perto de um dos pontos da logística do dia a dia. seja a casa ou a casa dos avós, o emprego, os transportes. mesmo que no primeiro momento lhe pareça irrelevante face a um infantário que até gostou, na gestão dos dias perceberá que é mesmo importante, nem que seja porque permite que o seu filho durma mais meia hora naqueles dias escuros de inverno. ou que ainda brinquem meia hora em casa depois de um dia cansativo.

orçamento
mas, importante “mas”, qualquer opção, mesmo que seja ao lado de casa, depende daquilo que custa e daquilo que podemos gastar. existem opções privadas e outras em que pagamos de acordo com os rendimentos. não esquecer de fazer as contas sabendo aquilo que está incluído, fraldas, cremes, refeições.

disponibilidade
depois existe a pergunta fundamental, é ao lado de casa, cabe no orçamento. e há vaga? convém perguntar primeiro que tudo o resto só para não criar falsas expectativas. se tem uma data certa para por o seu filho na escola, convém fazer a inscrição com antecedência.
decisão final? com o coração. façam uma lista de opções com os prós e os contras. peçam referências e opiniões.

fechada a parte racional decidam com o coração. não tenham medo de ser uns chatos, façam todas as perguntas, visitem as vezes necessárias. ouçam os ruídos, observem as pessoas.

 

⦁ há uma idade ideal para irem para a escola?

esta é uma pergunta tramada, porque, poderíamos dizer que a resposta varia, de criança para criança, de família para família, mas a verdade é que depende das obrigações que temos. diz-se que o ideal é os miúdos irem para a escola aos 3 anos, mas, muitas vezes, as circunstâncias, a vida dos pais e da logística familiar, não o permite. eu trabalho a partir de casa e consigo ter os miúdos comigo o máximo tempo possível, mas a maioria das famílias não o pode fazer. e mesmo estando em casa há momentos em que não é possível trabalhar e tê-los comigo porque exigem tempo e atenção que não tenho se estiver a trabalhar.

a idade ideal é aquela que os pais precisarem que seja. apesar de serem locais onde a probabilidade de contraírem infeções serem maiores, ir para a escola é positivo. os miúdos, sobretudo aqueles que não têm irmãos e que vivem no meio urbano, onde passam grande parte do tempo em casa, entram mais cedo num circulo social da idade deles e desenvolvem várias competências.capacidades sociais, autonomia, independência e até gestão da frustração. faz parte!

⦁ como lidar com aquele momento em que ele choram e nós também?

sinceramente, a coisa só vai lá com o tempo. quanto tempo? depende da mariquice dos pais e da mariquice dos filhos. desde que o espaço seja bom e de confiança, desde que as lágrimas sejam no início do dia e não quando os vamos buscar (alguns depois choram para sair da escola e também custa) não há necessidade para ter sentimentos de culpa. esta é uma fase normal e é boa para a família toda. é uma etapa de crescimento, quer para os pais, quer para os filhos.

más notícias, enquanto são pequenas este problema dos primeiros dias repete-se depois das férias e até dos fins de semanas. paciência, calma, e lágrimas só depois de largar os miúdos, ok?

 

⦁ o que comprar para esta nova etapa?

sou suspeita porque, apesar do impacto no orçamento adoro as compras do regresso à escola.

precisamos do básico: uma mochila, uma lancheira, caso a escola não dê o almoço ou o lanche, fraldas e toalhitas (mesmo que a escola dê isso é sempre bom trazer na mala), uma ou duas mudas de roupa e um brinquedo, se isso for importante para a criança. a maioria das escola dão a lista daquilo que é preciso levar.

depois, conformem crescem (eu este ano, tenho o Afonso a ir para o primeiro ano) as compras do regresso à escola ganham outra dimensão e entusiasmo! e ainda bem. façam do momento da preparação das coisas para esta nova etapa, uma festa! assim será tudo mais fácil e ainda melhor.

Comentários (3)

  • […] a entrada no infantário, seja o primeiro ou segundo ou décimo quarto filho, mistura vários sentimentos. sentimos medo por eles – temos receio que não se adaptem, que alguma coisa lhes aconteça. sentimos insegurança, quer seja pela escolha do local ou porque temos de entregar o nosso filho aos cuidados de outra pessoa, quase sempre desconhecida. sentimos angústia, sobretudo quando eles choram, nos primeiros dias. mas também sentimos alívio por termos mais tempo para nos dedicarmos a … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Coração apertado…. daqui a 2 meses emigro para a Suíça… O Martim tem 4 anos…. o ano passado esteve no jardim de infância… chorou uma semana…. ontem já voltou a choramingar porque amanha inicia a escola… E quando formos para a Suiça????
    Que turbilhão de sentimentos 🙁

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  • Obrigada Catarina por estas palavras que ajudam a descomplicar e que tranquilizam. O meu filho começa para a semana com quase dois anos e meio. Com a chegada do irmão torna-se complicado a minha mãe ficar com os dois em casa. Escusado será dizer que estou com o coração apertado.

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