viver família

incomoda-me expor os meus filhos na internet?

soube por uma leitora (obrigada pela mensagem) que a Maria Luiza tinha sido referida no programa “Passadeira Vermelha” a propósito do tema “expor ou não expor os filhos/as crianças na internet”. acho que nunca falei deste tema aqui no blog, embora tenho falado imenso enquanto participei no “Não Faz Sentido” na Sic Mulher.

eu acho que em tudo aquilo que envolve os filhos, considerando pais sensatos e responsáveis, cada um sabe de si. os argumentos que possa ter para que não me incomode mostrar a Maria Luiza são tão válidos como as razões que levam outros pais a não querer que os seus filhos apareçam nas redes sociais.

posto isto, porque é que não me incomoda expor os meus filhos na internet? (porque por muito que não goste da palavra exposição é a única apropriada.)

por partes, a afirmação não pode ser generalizada. os meus filhos têm vontade própria em relação à sua imagem e, a partir do momento em que a expressam, eu respeito-a. o Afonso adora aparecer, o Gonçalo detesta. a Maria Luiza não fala. assim sendo, de uma forma muito natural, aparece. tenho os meus limites, as coisa com que me sinto bem, não gosto de nudez, por exemplo. no dia em a Maria Luiza disser que não quer aparecer, não aparece. agora perguntam-me: e lá porque não fala, tenho o direito a usar a sua imagem? e eu respondo: pouparei dinheiro, e acredito que a visibilidade que tenho aumentou desde que a minha miúda nasceu, para lhe dar quando ela precisar.

quando o Afonso aparece em posts ou vídeos de marcas eu explico-lhe que a mãe ganha dinheiro com isso e temos uma poupança para ele porque ajuda.

 

agora o tópico mais sensível: e os pedófilos? e quem usa a imagem das crianças que não são suas? primeiro que tudo, o crime nojento de que falamos passa mais por proximidade (até familiar) do que por desconhecidos. segundo, uma criança desconhecida está tão exposta como uma que aparece nas redes sociais. terceiro: a internet faz-nos rever todos os conceitos de privacidade e segurança porque as fotos que estão nos nossos telemóveis e computadores guardadas em pastas estão acessíveis a loucos como aquelas que estão nas redes.

exponho os meus filhos exactamente como saio com eles à rua. exponho-me porque foi uma consequência natural (e lenta, o que me permitiu ir pensando nestas coisas) deste blog, dos meus livros, da televisão.

 

mas repito: esta é a minha forma de ver as coisas, tão válida como uma mãe ou um pai que pensam de forma absolutamente oposta.

 

Comentários (31)

  • Não costumo comentar e de facto quando vi no Passadeira Vermelha referirem-se à Maria L. também não gostei. Acho que quando as crianças são pequenas, a opção deve ser sempre dos pais. Acho que estamos numa fase de fácil julgamento e estamos constantemente a olhar com os olhos abertos demais para a vida dos outros. O que a Catarina partilha é de uma ternura e acima de tudo de uma genuinidade bonita que eu, assumo, gosto de ver. Sem olhos de julgamento. Deixa-me mais feliz. Quase que os sinto como família. O mal do mundo é a infelicidade. Não o contrário. Não compliquem, pessoas que julgam o viver dos outros ….

    aescritadosdias.blogspot.com

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  • Quem segue a Catarina sabe perfeitamente que há algum tipo de diálogo com os filhos neste sentido, basta reparar que o Gonçalo raramente aparece e “juntar 2+2”! Tocaste num ponto interessante: privacidade no telemóvel. Sempre que instalamos aplicações estamos a permitir que acedam a essa privacidade, não é nas fotografias que publicamos que anda o maior perigo, o grande perigo vem de pessoas próximas (como dizes) ou das redes de pedofilia que infelizmente, se quiserem, acedem às fotografias dos nossos computadores e afins, não precisam de ir ao instagram ou Facebook!
    Quanto à liberdade da M. L., pois bem… Em criança fui batizada e tive de frequentar a catequese. Aos 10 anos pedi aos meus pais para sair, argumentei o porquê, fui ouvida e saí… Nunca, em criança ou adulta, me incomodei com isso, enquanto meus pais fizeram o que achavam o melhor para mim e quando perceberam que eu queria ter “voz” sobre isso… Deram ma! 🙂 aceitar que o caminho faz se de formas bem diferentes por todos nós, ser mãe /pai é muito isso! Um beijinho para vocês

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  • Nunca publiquei nenhuma foto da minha filha, mas não porque sou contra a exposição de crianças na internet, mas porque simplesmente nunca senti necessidade disso! Mas adoro ver os seus vídeos, as suas fotos, todos os dias! Os seus filhos são uns fofos e ainda bem que a Catarina expõem os seus filhos, porque ajuda muito quem está deste lado!

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  • A Catarina é inspiradora e a maior prova de que o que faz é certo é o sorriso estampado nos rostos dos seus filhos 😃😍 Derreto me qd assisto aos seus vídeos com eles , uns amores ❤️

    Os teóricos não passam disso , teóricos !!! Já agora , quanto tempo passam com os seus filhos ? Hummm.. talvez isso sim seja preocupante !! Alguns críticos que por aí andam,têm os chamados ” filhos órfãos ” , como lhes chamo em jeito de brincadeira: é vê los sozinhos na praia a brincar( com
    Pais a metros de distância distraídos ) é vê los com
    Amas e empregadas noites a fio,porque os pais têm sempre imeeensoos programas !! Enfim.. incomoda mais a ausência de convívio que a exposição das crianças na internet naquele que devia ser o
    Ambiente normal de todas as casas !
    Um beijinho nesta família maravilhosa 😘

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  • […] eu acho que em tudo aquilo que envolve os filhos, considerando pais sensatos e responsáveis, cada um sabe de si. os argumentos que possa ter para que não me incomode mostrar a Maria Luiza são tão válidos como as razões que levam outros pais a não querer que … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Concordo mil vezes. Desde que o meu filho nasceu que imensa gente me diz que não devia por fotos dele. Hoje em dia, basta sair à rua e somos expostos. Dizem ” vêm uma foto dele e podem saber onde ele está” e eu respondo “ou podem ver uma foto tua e saberem.o nde tu estas… e estas com o teu filho” guardar fotos num pc nao é como guardar num álbum. Qualquer um pode vir ver! Nunca encontrei palavras e a Catarina conseguiu explicar o que eu sinto. O meu filho tambem fez publicidade e dizem que é trabalho infantil… as pessoas arranjam sempre maneira de criticar o branco e o preto. Nunca nada está certo

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  • Pois eu também acho que cada um tem de fazer o que acha melhor é o faz sentir melhor. Não tenho filhos mas tenho muitos sobrinhos, uns de coração e os de sangue.
    Quem me conhece sabe que adoro crianças, e a Maria Luiza é especial , pela simpatia, a expressividade dela.
    Vocês transmitem naturalidade, transparência, amor, coisas que hoje em dia é difícil para muitos. Como já foi dito atrás fazem nos sentir da “família” e isso foi evidente no carinho e nos pensamentos que tivemos e preocupação pela saúde da Maria Luiza
    Beijinhos e tudo de bom

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  • Discordo completamente de si. Comparar uma saída à rua com a exposição na internet é no mínimo infantil. Claro que os filhos são seus e faz o que bem lhe apetecer. No entanto acho lamentável que os pais ganhem dinheiro com a exposição dos filhos (fazendo ou não uma poupança em nome deles). Antigamente (tenho idade para ser sua mãe), quando uma criança trabalhava para ajudar a pôr pão na mesa era exploração infantil. Não pense por um segundo que alguma vez concordei com isto. Agora diga-me, qual é a diferença? Só porque não exercem trabalho físico e tudo se passa na virtualidade? É igual. Rigorosamente igual.
    Pelos comentários que li, depreendo que todas as leitoras sejam muito mais novas do que eu, já que todas acham que sair á rua é igual a redes sociais. Tenho dois filhos de 19 e 22 anos e sempre lhes dei atenção e os pus em primeiro lugar. Enquanto foram pequenos abdiquei de muitas saídas para ficar com eles e não me arrependo nada. Criei dois filhos maravilhosos (ela está a acaba o mestrado) e ele vai para o segundo ano da faculdade. Sempre trabalhei no duro e nunca tive necessidade de os expor. A isto das redes sociais eu adjetivo de Modernices. Vão ao cabeleireiro, postam, arranjam as unhas, postam, jantam fora, postam, compram uma coisa qualquer, postam. Por favor! O tempo que fazem isso, dediquem-no aos filhos, ao cão, ao gato…
    Reitero que os filhos são seus e, por enquanto, pode fazer quase tudo o que lhe aprouver. Não pode é ficar melindrada se alguém tem uma opinião contrária. Afinal, a senhora ganha com a exposição das crianças, certo?
    P.S. Não vi o programa em questão. Apenas vim ter a este blog por mero acaso. Desejo-lhe tudo de bom.

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    • Cara Maria,
      Mas parece-lhe que a Catarina ficou melindrada? Do texto que leio, não tiro essa conclusão, a única coisa que interpreto é uma opinião, a dela! Em momento algum se denota, na minha opinião, qualquer melindre ou crítica a quem pensa de outra forma. O que já não parece ser o seu caso…
      Só uma nota adicional, mas ainda assim só a minha opinião: ter dois filhos maravilhosos, acho fantástico; entender que essa maravilha vem do facto de a sua filha estar a acabar um mestrado e o seu filho estar na faculdade, já me parece uma interpretação da vida um pouco distorcida. Mas será como diz, outros tempos, outra forma de encarar a vida, afinal terá idade para ser minha mãe…

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      • Tão bem visto, sinceramente concordo a 100% com a sua nota adicional, que interpretação tão distorcida. Os filhos não seriam maravilhosos na mesma se tirassem curso superior, ou seriam menos que os outros por causa disso? Aos olhos da mãe ela sentiria menos orgulho nos filhos por não serem licenciados? Faz-me imensa confusão isto sinceramente.

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    • Olá.
      De facto cada um tem direito à sua opinião e a minha é que exploração infantil é quando obrigamos crianças a não ter “vida de criança” e não poderem ir á escola para trabalharem. Não é o caso de crianças que fazem publicidade fazendo uma ou outra sessão de fotografias ou vídeos e continuam a fazer vida de criança e a frequentar a escola normalmente.
      Quanto á exposição de crianças nas redes sociais, que reine o bom senso, há já várias directrizes/conselhos para fazê-lo com um pouco de mais segurança, e também concordo que cada pai ou mãe é que sabe de si e dos seus.
      Também notei a correlação de filhos maravilhosos “ela está a acabar o mestrado e ele o 2º ano da fac”. Ainda bem que os seus filhos são maravilhosos e que essa maravilha é simbolizada/referida, unicamente, pela frequência de cursos superiores. Lá está, são outros tempos… os meus avós também pensavam assim e a bem ver os meus pais e sogros também… e eu já tenho 40 anos! 😀 Tenho filhos e não relaciono a maravilha que são aos bons resultados académicos que têm. Cada cabeça sua sentença, não é verdade?

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    • Cláudia e Vanessa, parece-me que estão a fazer juízos de valor, exatamente iguais àqueles com os quais não concordam.
      A Maria terá um contexto de vida e um passado que nós não temos. Mas temos mães, se calhar da idade da Maria e, provavelmente, ficaríamos surpreendidas com as opiniões delas sobre este assunto. É, sem dúvida, uma questão geracional.
      Sejamos todos tolerante e respeitemos as opiniões e decisões de cada um e isto fica um lugar melhor para todos.

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  • Primeiramente eu exponho os meus 4 sobrinhos (com devida autorização dos pais desde bebes). Mas quando o meu irmão publicou inocentemente umas fotos das miúdas a sair do banho fui uma das muitas pessoas que lhe ligou a dizer que talvez não fosse uma boa ideia. Não sei o que farei quando forem meus, julgo que muito alarido é em vão mas recentemente vi o caso de uma blogger ser bombardeada com um talk da Blake Lively sobre o assunto com estatísticas e casos, e damn, dá o que pensar.

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    • Este tema é mesmo muito interessante e ainda bem que foi colocado neste blogue onde parece haver uma discussão saudável sobre isto.
      Tendo eu um blogue, onde partilho muitas coisas pessoais (não intimas mas pessoais) e tendo duas filhas pequenas, pensei muito nesta questão da exposição das crianças e conversei bastante com o meu namorado.
      Pensei nisto durante dias, semanas e meses. Voltava sempre à indecisão sobre se devia publicar ou não fotos das minhas filhas.
      Nunca coloquei em causa a questão da segurança. Não me parece mesmo que colocar fotos (normais) das crianças, as vá colocar em perigo. Não mais do que andar na rua.
      As minhas dúvidas eram outras.
      E acabei por decidir não colocar fotos onde se veja a cara das minhas filhas. Terei colocado uma ou outra (em 3 anos), sem stresses, mas não o faço de uma forma regular. De resto coloco fotos minhas, e do meu namorado, e também das minhas filhas (tantas), mas tento que não se veja a cara.
      Não o faço pelo mesmo motivo porque não lhes furo as orelhas ou batizo. Acho que têm que ser elas a decidir se querem esta exposição ou não. Não me sinto à vontade para decidir por elas porque não queria que tivessem decidido por mim.
      Mas depois vem o outro lado da questão. Penso em todos os blogues que leio (inclusive este) e em como gosto tanto de ver as fotos amorosas das crianças. Como são inspiradoras as fotos de família, como são amorosas e capazes de melhorarem o meu dia e me fazerem acreditar num mundo melhor. O blogue http://eueleeamaria.blogspot.pt (por exemplo) é maravilhoso e as fotos dos filhos da Vera são mesmo inspiradoras.
      As crianças são mesmo o melhor do mundo e sinto-me até um pouco egoísta por não partilhar mais o melhor da minha vida. Vou partilhando como posso, como sei e como consigo.
      Não digo que não vá mudar de atitude. É possível. Hoje é assim que me sinto bem mas quem sabe como será o amanhã.
      Posto isto não julgo nem critico de forma nenhuma quem expõe os seus filhos na Internet. Principalmente quem vive dos blogues. É uma consequência natural e uma forma de vida que para mim é muito atrativa (por isso não digo que nunca o farei).
      Acho muito corajoso e até altruísta publicar fotos dos filhos num blogue. Não acho, de todo, errado.
      Simplesmente tenho uma opção diferente. É simples como isso.
      E ainda bem que existem mães diferentes e pessoas diferentes porque a diferença e a tolerância são coisas maravilhosas! Diria até que são o que torna as coisas ainda mais interessantes.

      http://www.vinilepurpurina.com

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  • Hmmmm…. Alguém mencionou o açúcar??

    Chiça penico…

    😂 “que pesada la peña eh”

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  • Acho que realmente cada um sabe de si.. e sempre contestar quem não tem a mesma opinião não dá em nada, só serve para ficarmos mais nervosos. Os filhos são da Catarina, não é pior nem melhor mãe do que aqueles que não publicam nada online. Em relação ao acesso, é tal e qual como dizes.. qualquer pessoa pode ter acesso ao nosso pc, telemóvel, etc! Estamos todos indirectamente a ser “espiados” e antes da internet surgir já havia casos de pedofilia.. !! Que as coisas lhes foram facilitadas?? Sim, mas se calhar as técnicas para os apanhar também. Tudo faz parte da evolução. Só em Marte é que estamos a salvo!!

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  • Catarina, não podia ter explicado melhor. Abordou os temas todos. Ponto.
    Excelente post.
    Beijinho

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  • É tal e qual!
    – Havendo bom senso, “expor” os filhos na internet, não é mais que andar com eles na rua… onde o perigo espreita em qualquer esquina! Qualquer pessoa com más intenções tira fotos às crianças sem ninguém se aperceber.
    Beijinhos

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  • Este tema já me deu que pensar algumas vezes e, honestamente, não poderia concordar mais!

    Uma vez, há cerca de uns dois anos, fui a uma festa com o meu marido e a minha filha. A certa altura, ouvi chamar pelo meu nome e, quando me virei, era uma amiga de infância que já não via há alguns anos, que me faz este comentário: “Procurei-te no meio desta gente toda porque vi ali a tua filha com o teu marido, reconheci-os pelas fotos do facebook!” Este episódio deu-me uma perspetiva diferente desta questão das redes sociais: será que a exposição e o facto de dar a conhecer uma criança é um perigo, ou pode ser também uma segurança? Afinal, quando há uma criança desaparecida, não é a primeira coisa que se faz, divulgar por todas as vias e o mais rápido possível, a sua fotografia? Sinceramente, e posso estar enganada, mas não me parece que seja por aqui que aumenta o risco de pedofilia ou que a segurança fica posta em causa.

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  • Na “nossa internet” só se pode partilhar desgraça, enxovalhar os outros, partilhar fotos de rabos carregados de photoshop, fingir vidas que não existem e dramatizar. Partilhar a imagem daquilo que é mais belo no mundo, daquilo que embeleza as nossas vidas, isso não, é muito perigoso! Sociadade diabólica… Concordo com o facto de que cada um decide o que fazer com a imagem dos seus filhos, mas este desabafo pode ajudar algumas pessoas a relativizar as coisas.

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  • Olá, hoje vi o programa em questão e acho que estão a fazer uma tempestade num copo de água, não disseram nada de especial em relação à Catarina, só a deram como exemplo por causa de uma foto publicada pela Claudia Vieira, que realmente foi tirada inocentemente mas com as quais é preciso ter um bocadinho de atenção, mas nada de especial, falaram em pedófilos, e redes pedófilas, mas às vezes um pedófilo é o nosso vizinho do lado ou um nosso amigo, vejam por exemplo o caso da menina em França, pelos vistos o homem era amigo do pai, e o caso de Matosinhos em que o Sr. que violou a filha adotiva é meu vizinho e marido de uma ex amiga minha, ironias da vida não? no meu caso só tiro fotos à minha filha agora que tem 15 anos, pois como é adotada sempre tive receio que pela redes sociais a família a encontrasse, agora como está muito diferente já vou tirando algumas, mas tal como o filho mais velho da Catarina ela não acha muita piada, por isso só o faço com o consentimento dela.

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  • Cheguei a este blog por mera coincidência. E digo-lhe, faça o que quiser. A vida é sua os filhos são seus. Se os põe a trabalhar? Então o que dizer das criançinhas das novelas e dos filmes. Viva a sua vida, continue a partilha e mais importante, seja feliz. Bj

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  • Gostei muito deste post! Também não tenho receio de partilhar as fotos do meu filho nas redes sociais e acredito plenamente que não o protejo mais porque lhe ponho um emoji na cara ou lhe desfoco o rosto (na minha opinião mais valia não postar nada e acho que daqui a uns anos ele iria se chatear comigo porque andei a fazer isto ás fotos dele). Quando vou com ele ao parque ou ao centro de saúde também não lhe tapo o rosto e quem me diz que não há um maluco qualquer a tirar-lhe fotos de longe?? O perigo pode estar em qualquer lado nos dias de hoje… Sobre o facto de eles não terem ainda capacidade de falar, decidir e pensar sobre isto, também ninguém lhes pergunta se querem ser baptizados e adoptar a religião católica…fazem e pronto e talvez de uns anos para a frente eles prefiram ser budistas. Não é isto também retira-lhes a voz de decisão? Enfim…podíamos comparar uma série de exemplos. O que importa aqui é haver respeito por quem opta por não os expor e por quem não tem qualquer problema com isso. Há espaço para todos e ninguém tem nada a ver com o que cada um opta por fazer.

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  • Toda a pessoa tem direito à sua imagem. Direito ao seu espaço privado, à sua intimidade.
    Acompanho o seu blog e no que se refere à privacidade e intimidade das crianças, penso que a Catarina nunca a afectou: não há partilha (em texto ou imagem) de momentos íntimos, de questões que os seus filhos lhe colocam, da entrada na adolescência e das tragédias que isso acarreta, do gostarem de um ou uma colega em especial – há outros blogs que o fazem, em posts que não têm nada a ver com publicidade directa (apenas contará o número de visualizações), e isso sim choca-me. É a tal esfera privada, íntima, que as pessoas – e mais ainda – as crianças têm direito. E enquanto não sabem ou não têm capacidade para opinar e decidir sobre ela, cabe aos pais terem o cuidado de a respeitar.
    Outra coisa é a imagem. Até uma determinada idade, não se tem a capacidade de decidir se se quer ou não entrar num determinado anúncio; quem usa a imagem/fotos de crianças para vender um produto ou serviço sabe disso, e por isso os pais têm de assinar autorizações para que a imagem dos filhos apareça no Facebook da instituição onde andam, no catálogo de roupas onde aparecem, etc. Autorização / responsabilidade. A criança não pode decidir sozinha.
    É aqui que cada mãe/pai/agência deve decidir de acordo com a sua cabeça. E é aqui que, adorando a Catarina e os textos que escreve, que suspiro quando vejo que num evento patrocinado por uma marca de gelados não aparece a Catarina mas a pequenita. E que me perturbou quando vi a pequenina a fazer publicidade (no que à imagem/foto se refere) a leite em pó (nesse post, linda e belamente escrito, foi isto que me perturbou. o resto, sobre dar ou não de mamar, estava como sempre cheio de uma delicadeza e sensibilidade especiais).
    As nossas crianças dão mais likes, mais clicks, mais visualizações. Sentimo-nos atraídos para as coisas pequenas, é instintivo. E poder assistir ao crescimento de filhos que não são nossos – ideia tão adorável quanto perturbadora – pode ser uma fonte de alegria e de paz.
    Ainda vivo este dilema :). Se acompanho um post com uma foto da criançada, os likes e os comentários e as partilhas sucedem-se; se apareço eu na foto, a coisa não é tão impactante. É assim, e as marcas sabem disso 🙂

    Quanto aos espaços públicos, são isso mesmo: a esfera pública – eventos, passeios – onde estamos sujeitos a ser fotografados porque estamos em público. E aqui não haverá autorização: o espaço é público, as regras serão diferentes.

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    • Não teria escrito tão bem mas é exatamente como penso.

      A menina é linda, dá likes e euros e isso não deixa de me perturbar. A minha mãe, do alto dos seu 65 anos, diria: então levar os miúdos para o campo é trabalho infantil mas isto não? Há muitos anos vi uma mãe preparar um filho, de 5 anos, para uma peça institucional, sobre o local onde trabalho, fiquei com a certeza que deve haver poucas coisas tão violentas como: lê, decora, vá, nada de dor de barriga agora, fome outra vez? Isto uma tarde inteira, filmagens uma tarde inteira, com uma criança contrariada (a ser criança).

      Eu que sigo a Catarina desde o inicio não posso deixar de me perguntar: E será que não poderia ganhar o mesmo dinheiro, sem ser às custas da imagem da Maria Luisa?

      Ou pior que isso, e admito já que não gosto de pensar o que vou escrever: Se os bloggers descobrem o filão que são os filhos pequenos vão procriar mais, para render mais…

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      • o filão está descoberto 🙂 mas eu não arrisco o quarto por causa disso. como explico, se ganho mais dinheiro por causa da Maria Luísa faço questão de poupar para ela.

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        • Ahahahaha sim, pois!

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  • Nem mais. Não escreveria melhor.

    Felicidades Catarina =)

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  • Comparar a exposição dos filhos na internet ao mesmo que andar com os filhos na rua, parece-me no mínimo uma comparação totalmente desproporcionada. Quando andamos na rua, quem nos pode ver são os transeuntes daquela rua. Já o mesmo não se passa quando colocamos uma fotografia na internet, visto que a internet é global, eu coloco uma fotografia aqui, em Portugal e alguém do outro lado do mundo a pode ver (mesmo que tenha as definições para só determinadas pessoas verem, sabe-se que é fácil piratear uma “conta on-line”).
    Relativamente ao facto de a filhota que ainda não fala e por isso pode colocar fotografias dela, e quando ela falar e expressar a sua vontade, que se for contrária a respeita, há um direito à imagem inerente à menor que deve ser respeitado, de acordo com o código civil e demais legislação em vigor, sendo que há já acórdãos nesse sentido. No entanto, este assunto ainda está a anos-luz de ser consensual. Não considero correcto colocar fotografias de crianças nas redes sociais ou qualquer outra plataforma on-line, excepto para angariação de fundos ou pedidos de ajudas com elas relacionados.

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  • Imagine que daqui a 10 anos a sua filha têm a opinião do mais velho e não gosta de aparecer. Nunca poderá evitar anos e anos de exposição e partilha diária do que foi a sua infância (mesmo sabendo que só temos acesso a uma parte). Uma coisa é uma foto ocasional, mas trata—se de fotos diárias, isso pessoalmente faz—me imensa confusão.

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  • Se calhar a leitora só queria alertar para os perigos (reais) da exposição excessiva de fotos de crianças na internet

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