é mais fácil ser mãe solteira
o meu diário viver família

é mais fácil ser mãe solteira [não é uma pergunta, é uma afirmação]

fui mãe solteira durante 12 anos. ser mãe solteira tem um lado muito difícil. talvez o momento que o melhor o retrata foi quando a meio da noite, com um miúdo de oito anos e um recém nascido, percebi que ardia em febre. com quase 41 graus, a tremer sem parar, desorientada por ser a única adulta, pus oito supositórios 125. à distância parece ter piada. no momento foi apenas a metáfora daquilo que acontece quando somos a única adulta em casa.

mas quantas são as mulheres casadas que em muitos momentos estão absolutamente sozinhas? (existirão homens que sentem o mesmo. falo no feminino porque é a realidade que conheço.)  a solidão da maternidade não pertence apenas às mães solteiras. mas, quando somos apenas um adulto em casa, sabemos exactamente com o que podemos contar. não temos expectativas, nem aquela situação de injustiça (às vezes também tão injusta) que nos faz descarregar no outro.

posso começar por aqui. é mais fácil ser mãe solteira porque somos apenas um e a gestão dos dias, mesmo que no geral a logística seja mais dura, é também mais previsível. somos apenas um nas decisões, certas ou erradas, somos apenas um a reagir naquela birra insuportável, não temos testemunhas em que subornamos os miúdos e lhes fazemos as vontades só para os calar. quando somos apenas um não há divergências de opinião (apenas as nossas contradições).

ser mãe em casal é ter uma capacidade infinita de investimento. quando és mãe solteira, os miúdos adormecem, aterras no sofá e deixas que o fio de baba escorra à vontade enquanto dás uns puns sem qualquer vergonha. pronto, quando és casada fazes exactamente o mesmo, mas com o desejo de ainda ter força para fazer sexo com o marido que desejas e, de preferência, sem gases. quando era mãe solteira não sofria de saudades do meu marido, apesar de ele estar mesmo ao meu lado mas a logística dos dias não dar para mais.

não me lixem, eu sei que um casal é um equipa. eu até já acredito que o Pedro possa gostar de mim mesmo que eu dê puns e vá à casa de banho, mesmo que eu seja imperfeita, acorde de mau humor e viva fixada em coisas que acho que perdi mas encontro sempre. não me lixem, as relações precisam de investimento, precisam de tempo, precisam de beijos na boca, sexo, e conversas que não envolvam as compras do supermercado, a máquina da roupa e a gestão das férias escolares. quando és mãe solteira, o pouco tempo que sobra nesta missão de criar criaturas pelas quais temos um amor tão grande que não cabe no peito, é nosso. ok, podemos usar esse tempo para chorar porque estamos sozinhas mas é só nosso. quando és mãe e apaixonada há sempre esta sensação que o tempo não chega para tudo.

 

 

este é apenas um post de saudades do meu marido. agora não queria voltar a ser mãe solteira porque, embora seja mais fácil, não quero ficar sem este gajo por quem me apaixonei e aprendi que, mesmo nos dias que me sinto uma merda, há quem me veja maravilhosa (mas sim, temos poucos anos disto, e tenho medo que um dia já não me veja assim…).

 

quando escrevi sobre isto no Instagram pedi a outras mulheres que me dissessem o que sentem. vou trazer esses comentários (sem identificar as pessoas obviamente) e conversar mais sobre este tema.

 

foto: Lia Rodrigues

Comentários (27)

  • Sim Catarina. Concordo com tudo. Apenas sei a versão da mãe solteira, mas talvez por defesa, já imaginei se não fosse como seria. Não ter a expectativa de contar com alguém tem as suas vantagens. Mas ter o amor de um companheiro que possa ser uma equipa deve ser impagável! ❤

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  • Completamente.
    Nunca me casei mas estive 6 anos com o pai dos meus filhos. E foi um inferno desde que o primeiro filho nasceu, por muitas razões. Mas uma delas dizia respeito ao facto de o senhor pouco se importar com os assuntos que dizem respeito a casa, educação dos miúdos, tempo para os dois e para a relação… só ele e o que ele queria é que importava. Nós estávamos em último.
    Separei-me pouco depois de saber q estava gravida da mnh filha. Estamos separados há quase dois anos. Ele tentou voltar, gozou a licença de parentalidade e ajudou-me muito. Fazia muito ca em casa. Mas já veio tarde.
    Isto para dizer, basicamente, que realmente mais vale estar só do que mal acompanhada… é muito peso para uma só pessoa, mas é muito melhor. Dois filhos chegam… para empatar não faz falta ninguém…
    Bjoca e tudo de bom 😊

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  • Obrigada do fundo do coração 😍😍😍😍
    Sou mãe solteira e sim, é muito mais fácil!!!! Cada palavra escrita por ti, parece minha!
    Quando penso que poderei apaixonar-me dá um medo valente! Dammmmm……outro ser a partilhar decisões????? Um dia passa, hoje ainda digo “Dammmmm” 😂😂😂

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  • […] mas quantas são as mulheres casadas que em muitos momentos estão absolutamente sozinhas? (existirão homens que sentem o mesmo. … Ver artigo completo no Blog […]

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  • A menina é muito moderna para a minha maneira de pensar. Não concordo consigo em 99% das vezes. Não quero mais ser notificada dos seus posts.

    Como mãe desejo-lhe muitas felicidades para si e para a sua prole. No entanto, deixe-me lembrar-lhe que não fez os seus filhos sozinha, não é justo (na minha opinião) privar os pais das suas crias. Uma moeda tem sempre dois lados. Mas a vida é mesmo assim, cada pessoa tem a sua maneira de ser e de estar e só temos que respeitar.

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    • Senão lhe agrada não siga! É simples!
      É assim mesmo, há dias em que tudo parece mais fácil quando somos mães solteiras, porque vocacionamos o nosso tempo apenas para os filhos. Só segue o seu blog quem se identifica consigo, e com a sua forma de viver e pensar. Beijinhos

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    • Maria, penso que não percebeu bem o post.
      A maioria das mulheres, eu incluída, não pretende privar os filhos dos seus progenitores muito pelo contrário (quem nos dera nunca ter de dar esse passo e tomar essa decisão – a separação), mas muitos dos progenitores não têm interesse em o ser, sabe dá muito trabalho.
      Nos tempos que correm uma grande maioria dos homens querem mulheres independentes e que também trabalhem fora de casa, que também ajudem a contribuir com o pão para a casa, mas na hora de dar o corpo ao manifesto e dividir tarefas e contribuir para a educação dos filhos de repente regridem um século e esperam que a mulher (que também trabalha fora de casa, por vezes com um horário mais carregado), faça tudo dentro de casa, nesse sentido quem não contribui para a ajuda do lar também não deve opinar.
      Não é essa a mensagem e exemplo que pretendo passar aos meus filhos. Acredito em direitos e deveres iguais independentemente do género. Deste modo, sendo eu já mãe “solteira” por imposição, embora estando casada, se calhar melhor será assumir de uma vez esse estado civil, para o bem e para o mal, é como diz o post, não existem expectativas, dependo somente de mim…

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    • Ai não foi isso que ela quis dizer, que ignorância.

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  • Adorei o post!
    Mesmo não sendo, nem nunca ter sido (até agora) mãe solteira percebo perfeitamente o que quer dizer.
    Felicidades.

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  • Eu sou mãe casada e sempre fui mãe casada, mas já tenho dito muitas vezes ao meu marido que é mais fácil quando ele não está. Por um lado, só tenho que aturar as birras dos miúdos, que são quem tem idade para as ter (e não um homem de 40 anos, quase a fazer 41…) E, por outro lado, ter que estar linda e maravilhosa, porque senão um dia destes ele repara que eu estou velha e gorda… Que canseira. E quando é que se tem tempo para conversar que não seja dos miúdos, das compras ou da casa??? Trabalhamos os dois e o resto do tempo não dá para conversar sem um “Ó papá, ó papá, mas eu quero-te dizer uma coisa” 🙂 Mas sendo difícil, não me estou a queixar… pelo menos não completamente 😉

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  • gostei tanto… também eu sinto saudades do namorido , com ele mesmo ali ao lado , e também eu começo a acreditar que” é amor para a vida inteira” – como diz a música. porque só sendo amor sentimos saudades(ele também sente a minha falta , já mo disse) mas pensamos que quando formos velhinhos vamos ter tempo uma para o outro, para já vamos dividindo as coisas.

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  • Exatamente tudo isso é mãos algumas coisas, já há algum tempo escreveu sobre o caos, e é essa mm a sensação que tenho….há dias em que acho que alguém por quem me apaixone ou se apaixone por mim, poderá ñ sobreviver ao meu caos, ou eu poderei não conseguir lidar com o facto de outra pessoa observar ou interferir no mm. Sou mãe solteira (mais a sério) há cerca de 5anos, mas antes tb passei pela fase mais complicada da logística de ter dois bebés qse da mesma idade, mas que ñ são gêmeos, e o marido mto pouco presente em muitas das ocasiões, habituei-me a desenrascar-me na maioria das x’s, com tds os ponto de que fala. Também partilho desse receio de que a pessoa de quem gostemos, um dia possa ñ nos achar mais piada , nos dias em que ñ temos piada, mas afinal esse ñ é um risco que corremos sempre??!!
    Obrigado por tds as palavras, sem pudor, pela tda partilha de mulher real (aquela que dá puns e por x’s cede ao que os miúdos pedem, só para os calar), existem tantas situações e “coisas”, que nos fazem sentir tão mal, Pk ñ cumprimos estas ou aquelas regras….

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  • Sou solteira, mas não sou mãe, e costumo dizer que, para mim, é mais fácil estar sozinha, mas não é o que me faz melhor. Pode parecer uma contradição, mas não é. Com ou sem filhos, é mais fácil gerir a vida a sós: faço o que quero, quando quero e com quem quero. No entanto, sermos tão déspotas do nosso tempo e espaço não é bom, torna-nos menos tolerantes. É bom sabermos estar sozinhos, mas não nos devemos fechar aos outros.

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  • Oi catarina 🙂
    Pois bem eu sou mãe solteira e concordo contigo!!! Prefiro esta sozinha e fazer o que quizer do que me preocupar com mais pessoas, hoje namoro e fico chateada so de pensar que ele esta chateado com alguma coisa futil, como eu te entendo catarina !!

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  • […] Ao meu texto desta manhã, que falava no desafio dantesco de ser casal feliz e ter filhos, recebi du… […]

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  • Ao ler as suas palavras identifiquei-me na hora! Apesar de achar que é informação a mais… 🙂 Há coisas que só a nós pertence, não partilhamos nem com quem vive connosco, nem com o mundo à nossa volta… é o nosso mundo… cada um tem o seu… não muito diferente mas é pessoal e intransmissível… Imagine se cada vez que formos à casa de banho se tivéssemos espectadores… alguém à espreita a ouvir e a contar ao mundo o que lá fazemos?… Imagine que tínhamos o mundo dentro da nossa casa, a ver e a ouvir tudo o que falamos, fazemos, comemos, respiramos… não será de certeza uma sensação muito agradável, não concorda?… e até pode condicionar a nossa vivencia diária… dia após dia… até a nível de saúde pode dar origem a consequências…. é por isso que penso que há coisas que só a nós pertence… somos reais… todos diferentes, todos iguais… mas sim, concordo inteiramente, mais vale sozinha que mal acompanhada.

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  • Onde ir buscar a forca e a coragem para investir na relacao? Ao amor que nos move, e claro… mas as vezes parece que o amor “so”nao chega. Sentimo-nos cansadas, esgotadas…como se fosse demasiado peso nos nossos ombros. Sou mae de uma menina de 1 ano, vivo “em pecado” com o homem que escolhi, sou feliz… amo-o, amo a minha filha. Mas… (ha sempre um mas), como combater esta exaustao cronica, esta sensacao do “tenho que pensar em tudo o tempo todo” (e atencao em casa e em relacao a bebe ambos somos activos e participativos). Mas mesmo assim… como encontrar a motivacao para tratar de nos? Como combater o facto de sair para ir comprar um vestido e voltar carregada de produtos de limpeza e uma ou duas pecas de roupa para a minha filha. Como combater o cansaco ao fim do dia, altura em que “deviamos”estar lindas e dispostas para dar umas cambalhotas. Como combater a irritacao que acaba sempre por pender para aquele que esta ao nosso lado e que provavelmente esta tao cansado como nos… Enfim… o meu grande aplauso para todas as maes solteiras, casadas e “juntas”(“juntas”e fantastico)… porque de certo nao e facil em nenhum dos casos.

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  • […] Ao meu texto desta manhã, que falava no desafio dantesco de ser casal feliz e ter filhos, recebi du… […]

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  • Fui casada durante 13 anos, o pai das minhas filhas foi sempre muito ausente. Aprendi desce cedo a desenrascar-me sozinha e sim percebi que apenas podia contar comigo própria mesmo estando casada.
    A verdade, é que mais vale só do que mal acompanhada. Há dois anos que estou solteira. Sei com aquilo que posso contar. Sem expectativas.
    Obrigada Catarina por abordar temas sem tabus. Beijinhos

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  • Sou mãe solteira desde os 4 meses de gravidez… foi duro passar uma gravidez sozinha, ser eu a única a ver a barriga crescer, a fazer-lhe festinhas e a falar com ela! Como foi igualmente duro suportar os comentários da sociedade sobre isso! Não foi uma opção minha mas sim da outra parte em não querer ficar connosco! Hoje, e apesar de não ter sido uma decisão minha, estou certa que foi o melhor e estou em paz com isso! Perdi uma relação, um homem que achava que era para a vida, perdi dinheiro e as minhas “coisinhas”! Fui convidada a sair daquela casa, apenas com as chaves do carro numa mão, a cadela debaixo do braço, a minha filha na barriga e de lágrimas nos olhos… Costumo dizer que não tive sorte com nada, mas a minha filha é TUDO de bom! Nem todos os dias são fáceis, a logística é enorme e o peso da responsabilidade é abismal! Mas hoje sinto não não há sequer espaço para mais ninguém (apesar de sentir falta de carinho como qualquer mulher, sim… também sou mulher para além de ser mãe)! Dou preferência à minha filha e o meu tempo é dela, não me importo de deixar a cozinha por arrumar e ir brincar com ela ou ir para o jardim, não me sinto pior por isso! Acordar e ver aquele sorriso, adormecer bem chegadinha a ela e sentir a sua respiração, aquele cheirinho a bebé, aquele abracinho desajeitado e aquela gargalhada espontânea é TUDO o que preciso para ter forças para enfrentar todos os dias!
    Parabéns pelo seu trabalho* Beijinhos

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  • excelente post. Vai ser mote para, talvez amanhã, escreve um neste sentido, mas como mãe casada e seus dilemas.

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  • Sou mãe de 3 princesas, não solteira. E feliz, não todos os dias. Compreendo perfeitamente do que fala. Dividir as atenções por 4 deixa pouco (ou nenhum) tempo para nós próprias. É duro.
    Dividir as decisões por 2 dificulta a gestão de uma família e da nossa vida. É duro.
    Muitas vezes pensei como deveria ser mais fácil ser mãe solteira. Mas resisti. Com altos e baixos ainda hoje perduram.
    Na velhice, quando as 3 crescerem e voarem, acho que vai ser melhor ser mãe a meias e mulher casada, se resistirmos 😉
    Beijinho e parabéns pelo blog!

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  • 8 supositorios seguidos, numa noite, tecnicamente, é masturbação…ó Catarina!!!

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  • Olá, eu sou mãe solteira por opção, adoptei uma menina e sozinha, aliás, sozinha não, com a ajuda dos pais e amigos que para mim são fundamentais neste processo,e sinto-me bem com isso, devo no entanto confessar que em situações complicadas que já me aconteceram, neste caso falo de bullyng, tive de tratar do assunto sozinha, mas lá consegui, mas confesso que uma presença masculina nas reuniões com o pai da miúda seria uma mais valia,contudo só acho piada quando menciona os puns e ir à casa de banho, isso faz-lhe confusão?
    Quando vivi 10 anos com o meu companheiro não tinha problemas com isso, faz parte da nossa natureza.aliás ele estava tanto tempo na casa de banho, 2 horas se exagero que eu entrava tomava banho, ia tomar um café e fazer umas compras, quando chegava a casa ele ainda estava a tomar banho:)

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  • OMG como me identifiquei neste texto. Como me realizei a ler estas simples frases e aqueci minha alma ao perceber que afinal, não sou assim tão única. Ser mãe solteira é preferível, e acima de tudo, MAIS SAUDÁVEL e menos INSANO do que ser mãe-solteira-casada, ou seja, quantas casadas não se sentem solteiras em tudo o que diz respeito a filhos/consultas, filhos/escola dos filhos, /casa/etc etc etc.
    Vivi assim 12 anos, vivo solteira há 1 ano… e finalmente, sinto-me na minha verdadeira pele!

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  • Boa noite a todas!
    Eu já fui mãe solteira…alias acho que continuo a ser e sempre fui, mesmo quando era casada!
    Atualmente vivo com o meu namorado…e a verdade é que sinto que tenho muito mais afazeres para além de mais responsabilidades do que quando era só eu e os meus pestinhas!
    Sempre soube fazer tudo sozinha desde quando os meus filhos nasceram habituei me a pouca presença do pai, e ai nem diferença me fazia pq decidia tudo sozinha.
    As vezes digo e sinto falta do MEU tempo, de estar sozinha, sem pressas, sem horas a cumprir…
    Nós antes de sermos mulher de alguém e mãe. ..somos mulheres, somos nós! E temos que nos dedicar e mimar!
    Na minha opinião ser mãe solteira pode ser duro, mas nao é tão complicado quanto parece. Os filhos ensinam nos muito e crescemos bastante como pessoas.
    Um bem haja a todas as mães e acreditwm que fazem sempre o melhor peloa vossos filhos!

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  • Passei para dizer apenas que gosto que existam pessoas com coragem para dizerem o que sentem. Nunca fui mãe solteira (tenho dois filhos) e vivo um amor de adolescente há 23 anos com o meu marido. No entanto, concordo a 100% com o que escreve. Uma relação dá muito trabalho, às vezes daquele que não nos apetece ter. E em momentos da minha vida (poucos felizmente) também achei que estar sozinha seria menos cansativo. O que não significa que preferia estar sozinha…. senão estaria… Obrigada pela sinceridade do que escreveu 😉

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