Domingo é dia de votar. Em Lisboa eu voto (e sou) CDU
o meu diário

Domingo é dia de votar. Em Lisboa eu voto (e sou) CDU.

Hoje falo sobre política. Corrijo, hoje escrevo sobre os meus valores. Sou candidata à Assembleia Municipal de Lisboa, pela CDU. Vocês não saberão mas já fui vogal na Junta de Freguesia de Almada, durante quatro anos. Depois fui mãe – três vezes, mudei para Lisboa e, este ano, aceitei o desafio.

Nunca escondi o meus valores. Tantas vezes me disseram esconder aquilo que sou porque não era comercialmente interessante. Sei o risco que corro. Mas que sentido teria não mostrar os valores que me sustentam?

Cresci numa casa onde os meus pais eram politicamente activos. Participavam em reuniões e actividade relacionadas com o Partido. Dizem-me muitas vezes que sou comunista emocional. Talvez seja. Cresci assim. Tenho uma enorme dose de emoção nos valores que herdei. Sei disso quando me comovo num comício, quando choro na Festa do Avante, quando canto as musicas do Zeca, quando salto com a Carvalhesa. Mas depois de crescer questionei, duvidei, pus em causa. Não houve emoção que evitasse isso e ainda bem.

Quando, já adulta, organizei os valores, assim em jeito de pessoa crescida, percebi que o lugar onde tinha crescido era também o lugar onde queria estar.

Sou candidata à Assembleia Municipal de Lisboa porque acredito no projecto para a cidade onde vivo.

Porque li e reli o programa eleitoral, fiz críticas e dei contributos. Não sei se é comercialmente atraente. Nem sequer me interessa. Porque aquilo que sou é um todo.

10 Prioridades da CDU para Lisboa:

1. A recuperação da actividade produtiva da cidade, estimulando a diversificação da base económica da cidade, dando particular atenção às Micro, Pequenas e Médias Empresas e ao comércio tradicional;

2. Implementar políticas de urbanismo, criar fogos de habitação a preços acessíveis e uma bolsa de fogos para arrendamentos a custos acessíveis e dignificar os bairros municipais;

3. Defender o direito à mobilidade, apostando em mais e melhores transportes públicos para todos;

4. Construir uma cidade solidária, com políticas sociais dirigidas às famílias, às crianças e aos mais idosos;

5. Defender os serviços públicos de saúde;

6. Melhorar o Espaço Público e a qualidade ambiental, apostando na melhoria da sua higiene e limpeza, assim como na manutenção e requalificação dos seus espaços verdes;

7. Promover a Escola Pública de qualidade, desenvolver uma política cultural de apoio à criação e fruição culturais e retomar, em Lisboa, o processo de autêntica democratização da Cultura Física e do Desporto;

8. Praticar uma gestão democrática, descentralizada e participativa da cidade, envolvendo as populações no processo de decisão;

9. Respeitar e valorizar os trabalhadores do Município, combatendo a precariedade, salvaguardando os postos de trabalho e o trabalho com direitos;

10. Colocar as Finanças municipais ao serviço das populações.

E em que é que se traduzem estas ideias? Ficam alguns exemplos!

– Criar bolsas de fogos para arrendamentos a custos acessíveis a partir do património municipal imobiliário disperso.

– Intervir junto do Metropolitano de Lisboa para que se reponha a capacidade do serviço e se expanda a rede através da conclusão dos troços iniciados – principalmente na extensão de S. Sebastião / Campolide / Amoreiras / Campo de Ourique / Alcântara, bem como o prolongamento da linha verde de telheiras.

– Modernizar a rede de mercados da cidade e o seu funcionamento, tendo em conta as necessidades e expectativas da população e dos comerciantes, adaptando-os às dinâmicas actuais e emergentes de procura e de consumo.

– Valorizar o papel dos Bombeiros Sapadores, recuperando o número de efectivos, melhorando as suas condições de operacionalidade, de trabalho, recusando o encerramento dos quartéis em detrimento dos Postos de Socorro Avançado.1

– Privilegiar o recurso aos serviços do Município em detrimento de contratações exteriores, dotando os serviços das competências necessárias e apostando nos trabalhadores da CML.

 

 

 

 

 

 

 

Comentários (27)

  • Talvez o defeito seja meu, mas só retive a parte de seres alguém que chora na festa do Avante, e até podia ser a festa do pontal ou de qualquer outro partido político, que não é a ideologia que está em causa. Qualquer pessoa que chora na festa de um partido, seja ele qual for é no mínimo perturbador…

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    • O que se vive e o que se sente naqueles três dias, vai muito além do que chama “a festa de um partido”. Convido-a a vivenciar nos próximos dias 7, 8 e 9 de Setembro de 2018. E não é por acaso que “Não há festa como esta!”. Viva Catarina, Viva a CDU!

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    • Perturbador é um ser humano não se emocionar com coisa nenhuma. Roça a psicopatia. Podemos não nos identificar com os sentimentos dos outros mas daí a classificá -los desta forma…
      Eu percebo bem o que a Catarina expressa com as emoções que a festa lhe desperta, principalmente tendo crescido no seio de uma família politicamente ativa, como disse. São muitas recordações que se criaram naquele ambiente, para além de toda a envolvência que já de si é intensa.
      No meu caso, a consciência política despontou na adolescência e muito ligada ao estímulo do meu pai, que sempre me passou a convicção de que era crucial intervir e ser cidadão em pleno, fossem quais fossem as cores partidárias. Isso e ser solidário, ter compaixão para com os outros, trabalhar para uma sociedade mais justa para todos e todas. Soube cedo para onde os meus valores também pendiam. 😉

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  • Perturbador porque? Não percebi…Chorar numa festa de um partido, ou em qualquer outro lugar/situação/experiência, é perfeitamente normal. É emocionarmos-nos com aquilo que mexe connosco e, neste caso, é a festa e acredito que toda a carga, simbologia do que ela significa. Parabéns Catarina pela transparência e honestidade 😉

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  • […] Cresci numa casa onde os meus pais eram politicamente activos. Participavam em reuniões e actividade relacionadas com … Ver artigo completo no Blog […]

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  • O post da Catarina é honesto e deixa transparecer o seu lado humano, emocional. O facto de ter assumido a sua cor politica e as suas convições, num universo de bloggers ocas onde o consumismo e as futilidades imperam é de louvar. A festa do Avante não é só uma festa de comunistas e de um partido, isso seria demasiado redutor. É uma festa que envolve e cativa pessoas dos mais variados quadrantes politicos e até pessoas sem nenhum interesse pela politica, mas que comove as pessoas pelo que lá se respira, pelos ideias da liberdade, do convívio, da partilha e pelo ambiente salutar onde as familias de qualquer cor se sentem bem! Também eu me comovo na festa do Avante e com as canções do Zeca e parabéns Catarina por ter mostrado este seu lado. Boa sorte nas Autárquicas.

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  • Boa tarde,
    Deixo só uma dica, se realmente chegar a uma posição em que possa fazer algo. Não vivo em Lisboa, mas estudo em Lisboa e acho que uma boa ajuda (e provavelmente muito mais realista do ponto de vista económico) era melhorarem a ligação de comboio alcântara-mar, alcântara terra (que faz exactamente as ligações que se querem fazer por metro a um preço muito mais baixo). Se melhorassem o túnel, pusessem as escadas rolantes a funcionar, mais comboios (actualmente são de 30 em 30 minutos) e existisse por exemplo duas docas de bike sharing, uma em Alcântara Terra e outra em Alcântara-mar, a situação ficava muito melhor e sem os milhões que o alargamento da rede de metro existe.

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  • Catarina… não resisto… CDU??? Gosto de si na mesma, a parte de cores políticas. Não consigo acreditar q defenda tudo o q o CDU defende de forma geral? Comunista… emocional?
    Beijinhos! Voto em si, mas no blog do ano. Boa sorte de verdade.
    Eu voto no concelho de Almada!

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    • Julgo que ninguém está 100% de acordo com uma ideologia. Seria redutor. Uma visão sectária da realidade. Ser de um partido não passa por concordar com tudo.

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  • Naaaaaaaah, voto em si mas no Blogue do Ano… mais nada!

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  • Voto em si no Blogue do Ano. Felizmente as minhas cores partidárias são outras.

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  • Boa tarde Catarina.
    Leio-a há muito tempo e é a primeira vez que comento. Ao ver a caixa de comentários dá para entender porque é que muitas pessoas escondem o seu voto/partido/filiação política… Pois eu, em contra maré, lhe digo, gosto ainda mais de si por isso. E também me emociono na Carvalhesa na Festa! E também luto por aquilo em que acredito.
    Um grande beijinho a si e aos seus

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  • Pela CDU? Bem fico confusa!!!! Já sei , como o Partido Comunista continua em modo decrescente agora decidiu mudar, deve ser do cansaço:(

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  • CDU… lol

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  • Obrigada, Catarina, pela transparência, pela sinceridade e pela coragem. São precisas mais mulheres como a Catarina na vida politica. Bem haja!

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  • Num mundo onde ainda há tanto anti-comunismo primário e pior, neste submundo dos blogs em que pensar em algo mais do que sapatos é coisa proibida, este post foi um ato de enorme coragem que merece ser aplaudido. Não vou votar CDU mas boa sorte para amanhã!

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  • Olá Catarina desejo te muito bom trabalho! As razões que apresentas são suficientes para votar CDU, mas os valores de que falas esses sim devem levar nos a reflectir sobre o que precisamos fazer para ter uma cidade melhor, um país melhor, uma vida feliz!!!
    Eu voto CDU!

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  • Catarina, acompanho com regularidade o teu blog (e outros) e fico contente por encontrar uma entrada sobre a nossa actualidade e com conteúdo social. Infelizmente não é assim tão comum… Esta entrada agrada-me particularmente por reflectir uma cidadã activa, que não ignora o mundo em que vive e que está disposta a modificá-lo… e até apresenta propostas concretas! E são propostas interessantes e pertinentes tendo em conta a realidade de Lisboa, a cidade onde nasci e onde vivo. Espero que seja eleita!

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  • Fazem falta pessoas assim, interventivas e empenhadas em melhorar o nosso mundo e o dos nossos filhos. Boa sorte!

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  • Eu também voto sempre na CDU e gostei de a ver na lista para a Assembleia Municipal da nossa Lisboa. Daqui a pouco vou cumprir o meu direito (e dever) e votar. Força!

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  • Este post é de uma frontalidade enorme (como aliás, praticamente tudo o que a Catarina escreve), num universo virtual onde tanta coisa é apenas aparência, filtros e hashtags. Corporizar um projecto político é um acto de entrega, de coragem e de empenho. Particularmente na CDU onde sei, por experiência própria, que ninguém dá o nome porque “é giro” – aliás basta ver alguma censura latente e até confusões relativamente ao PCP em comentários anteriores. Hoje a cidade (e o país!) vão a votos e desejo que esta frontalidade e coragem de muitas Catarinas em torno de projectos concretos, transparentes e em defesa da população, como é o da CDU, dêem frutos. Vamos lá votar!! 😍

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  • É com enorme alegria que leio este post da Catarina, por quem a minha consideração aumentou exponencialmente. Viva a Catarina e viva a CDU!

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  • Obrigado pelas tuas palavras. Eu também acredito num mundo melhor e mais justo. Por isso voto cdu

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  • Não percebo o motivo da piada (ou mesmo choque) quando se fala na CDU e ainda entendo menos qual a piada quando alguém assume que apoia um determinado partido. Enfim, como li aqui num comentário, não faltam blogs carregados de futilidade e superficialidade. O facto de a Catarina não ter qualquer problema (não vejo porque teria qualquer problema, afinal, vivemos em democracia) em assumir o seu partido e as suas ideologias só me fez admirá-la mais. Força 😉

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  • Que foto péssima! Era para acentuar o ar sopeiresco dos eleitos do PC? A Rita rato até é engraçada e a imagem vende cada vez mais! A cristas por exemplo, teve o resultado que teve por causa do decote…

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    • O seu comentário de sopeira tem muito pouco, não é? Antes sopeira e com dois dedos de testa, que snob e oca como a Maria.

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      • Ó cara Andreia, como é que pode depreender tanta coisa de apenas duas linhas de texto? Isso não pode ser tudo preconceito, pois não?
        Não lhe fica bem chamar sopeira à autora do blog, apesar de referir que ela tem testa.
        O meu comentário vem no sentido exactamente inverso, a Catarina é uma mulher bonita e a foto está manipulada para acentuar o ar rude dos candidatos do PC.alguém ainda acha que isso ganha eleições, mas está errado como se pode aferir pelos resultados destas autárquicas.
        A imagem das pessoas vende cada vez mais e a política não é excepção.

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