dieta flexível
perguntar a quem sabe viver saudável

dieta flexível: “mais do que uma dieta, isto é uma mentalidade”

hoje o Nuno Martins, que faz Online Coaching – um serviço online personalizado em que acompanha e ajuda pessoas a concretizarem os seus objetivos – deixa-nos uma forma de equilíbrio e de consciência alimentar. não é bem uma dieta. é uma forma de estar na vida. uma forma de olhar para a comida e de encarar um plano alimentar. chamam-lhe dieta flexível. vale a pena saber mais.

 

Vivemos numa Era onde o alvo a capturar é a atenção das pessoas, surgindo diariamente modas cada vez mais criativas. A “Lady Gaga” do momento é a Dieta Flexível.

Mas o que é isto de ser “flexível”?

Em primeiro lugar, “dieta flexível” não é uma dieta. Não temos de eliminar ou incluir alimentos, não temos de comer em horários definidos pelos nossos antepassados, nem temos de conjugar com um plano de treino milagroso e um conjunto de suplementos vindos de Hogwarts.

Quando falamos em “dieta flexível”, falamos de uma mentalidade. Uma forma de encarar a alimentação. Embora a dieta flexível seja a actual capa de revista, este conceito encontra-se presente na literatura científica desde os anos 90.

 

O que caracteriza uma mentalidade flexível?

– Não existe uma visão dicotómica de “preto” ou “branco” perante a alimentação.

– Os alimentos não são julgados como sendo “bons” ou “maus” de forma isolada.

– Quando existem desvios no plano, a situação é superada com tranquilidade e não através de uma atitude de “perdido por 100 perdido por 1000”, podendo, inclusivamente, resultar num episódio de compulsão alimentar.

 

Agora perguntam-me… “será que uma mudança de mentalidade é o suficiente para ter resultados”? Vejamos os benefícios que a ciência nos apresenta quando contrastada com uma visão mais “rígida”:

– Menor índice de massa corporal

– Menores níveis de stress

– Menor recorrência de episódios de compulsão alimentar

– Maior facilidade em manter o peso perdido

 

Agora que já falámos do conceito de dieta flexivel, vamos esclarecer alguns “mitos”:

– Contar calorias e macronutrientes não implica ser flexível, e vice-versa.

– Fazer estas contagens é outra estratégia que se encontra na moda, dando autonomia à pessoa no que toca à gestão da dieta. No entanto, é muito comum observar comportamentos obsessivos, como deitar fora 5 gramas de banana porque “não cabe nas macros”.

– Por outro lado, uma pessoa pode ter um plano alimentar, que muitos consideram ser restrito, e ter flexibilidade no horário de cada refeição, assim como na sua composição, tendo sempre diversas opções.

– Ser flexível não implica comer doces, e vice-versa

 

Sim, é verdade que podemos incluir doces na nossa alimentação, mas isto não significa que tenhamos de o fazer. Ser flexível permite-nos incluir de tudo na nossa dieta. Contudo, não nos podemos esquecer dos factores “inteligência” e “bom senso”.

 

Será que faz sentido uma mulher gastar 250 calorias numa guloseima, quando necessita de consumir 1200 calorias por dia para perder peso?

Na verdade até pode fazê-lo, mas gastar 20% do seu consumo diário em algo que desaparece em 3 segundos e reduz a fome em aproximadamente 0% não me parece a melhor ideia. No entanto, não temos de fugir dos doces e produtos processados como o diabo da cruz. É verdade que não vamos retirar benefícios deles, mas isto não implica que tragam malefícios. Aliás, se um consumo controlado e regular destes alimentos prevenir episódios de compulsão alimentar no final da semana, parece-me ser uma opção a considerar.

Porque um dia num plano é tão significativo como uma gota no oceano, e a melhor dieta é aquela que, cumprindo os princípios básicos, nos permite ser mais consistentes.

Posto isto, caso cumpram as vossas necessidades diárias de macronutrientes e micronutrientes, podem utilizar algumas calorias para alimentar a alma. Reservem este espaço – as calorias discricionárias que devem corresponder a 10 – 20% das necessidades diárias – para as perdições.

Concluindo: ser flexível apenas reflecte uma forma de encarar a alimentação. Em vez de nos restringirmos a alimentos e horários específicos, ou de nos odiarmos por cada desvio do nosso plano, temos uma flexibilidade que nos permite adequar as nossas refeições diárias de acordo com o nosso dia-a-dia e necessidades, assim como superar cada desvio ao plano com maturidade, encarando como parte do processo e retomando tranquilamente o percurso.

Não façam “dieta flexível”, sejam flexíveis.

 

 

Quem é Nuno Martins?

O Nuno Martins sempre praticou desporto, desde o futebol, ao taekwondo, ginástica, musculação. Quis ser engenheiro informático, mas optou pelo exercício porque era, e é, esta a sua grande paixão. Formou-se em Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana. Mais tarde, frequentou um mestrado em Exercício e Saúde. Entre estas duas etapas começou a trabalhar num ginásio. Hoje está a tirar Doutoramento na Universidade de Leeds sobre Nutrição e Comportamento Humano. Tem ainda um serviço de online coaching, em que ajuda quem precisa a atingir os seus objetivos, com prescrição de treino, acompanhamento personalizado e inclusão num grupo onde se promove a partilha de conteúdo relevante.

Comentários (6)

  • […] Mas o que é isto … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Gosto muito de desporto e neste momento pratico musculação. sou também um apaixonado por nutrição e como tal sigo tudo que o Nuno escreve…sempre muito esclarecido..obrigado

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    • Muito obrigado pelo feedback e por seguires o meu trabalho Artur! É muito importante para mim e dá-me motivação para continuar 🙂

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  • Um artigo bastante esclarecedor e actual, obrigada Nuno 🙂

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    • Muito obrigado Paula! Dúvidas e sugestões para futuros textos são sempre bem-vindos! 🙂

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  • O Nuno é uma pessoa fantástica! Já participei num dos grupos dele no facebook e só tenho a dizer que se aprende imenso, dá-nos ferramentas e dicas muito boas. Um beijinho ao Nuno e outro à Catarina 🙂

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