tampas
viver família

a Maria Luiza brinca com tampas. e isso não é perigoso?

no post em que partilhei 10 factos nos 10 meses da Maria Luiza falei sobre um dos seus fascínios: as tampas. recebi várias mensagens a alertar para os perigos desta brincadeira – e algumas até a chamar-me irresponsável.

é verdade, a Maria Luiza brinca com tampas. quase sempre agarradas às garrafas mas às vezes soltas. tendo consciência de que aquele objecto cabe na boca da miúda só o faz quando estamos a olhar permanentemente para ela. imaginemos este cenário: estamos no restaurante e ela pega numa tampa pousada em cima da mesa, nessa altura eu deixo enquanto estou a observar, dizendo de forma firme “não” quando leva a tampa à boca. se tiver que atender o telemóvel ou enviar uma mensagem – sabendo que isto são realidades que me tiram a atenção – tiro-lhe a tampa da mão.

na minha opinião proteger as crianças de tudo o que é perigoso, é ainda mais perigoso.

dou outro exemplo: em minha casa há fichas que não estão protegidas. estão em locais onde a Maria Luiza não está habitualmente. na salinha onde trabalho posso deixar a miúda no chão a brincar sem estar a olhar permanentemente para ela. se a deixar gatinhar pelo corredor estou a olhar para ela e direi “não” quando a vir fazer alguma coisa errada.

e só mais um: fará sentido alterar completamente o quarto do Afonso? que tem Legos e outras peças pequenas? para mim não, mas também não faz sentido que a Maria Luiza lá esteja sem supervisão.

a ausência de perigos no nosso lugar habitual não significa que o mundo ficou ausente de perigo. eu quero que a Maria Luiza saiba que não pode tocar nas fichas – porque podendo enfiar os dedos em todas as fichas da casa vai fazê-lo numa casa em que as fichas não estão todas protegidas. também quero que aprenda que as tampas não podem ser levadas à boca mas podem ser utilizadas para praticar a motricidade fina. os bebés compreendem o não e devem até aprender a lidar com a palavra desde sempre.

para mim – e isto é importante: para mim! – aprender a lidar com os perigos faz parte do crescimento. não é preciso enfiar os dedos na ficha para explicar o que é um choque, mas podes explicar que é perigoso e estar atento. repito: estar atento! se não temos tempo ou disponibilidade – seja lá isso porque razão for e pode ser apenas porque estamos cansadas (ou cansados) – não vamos colocar os nosso filhos em canários que exigem máxima vigilância.

sim, a Maria Luiza brinca com tampas e continuará a brincar. desde que eu esteja a ver. e que vá aprendendo que não as pode por na boca.

para as zonas em que preferem ter um ambiente protegido fica esta marca que é excelente:  https://www.safety1st.com – vende-se nas mesmas lojas onde há BebeConfort [a cadeira da Maria Luiza é de lá].

 

Comentários (8)

  • Por aqui fazemos exatamente o mesmo.
    Por exemplo,com a aranha. Não a usamos durante muito tempo mas se precisamos de usar (ela adora!) colocamos num ambiente seguro e onde possamos estar sempre a ver. Não deixamos de usar mas tendo consciência do perigo de acidentes, estamos sempre atentos.
    O mesmo com objetos pequenos, quando deixamos a Maria a brincar com a Lara, etc.
    http://www.vinilepurpurina.com

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  • Por aqui é igual. Muita supervisão e o “Não” em modo repeat. Mas também, é só assim que eles aprendem 🙂 Tem toda a razão quando diz “proteger as crianças de tudo o que é perigoso, é ainda mais perigoso”, temos é de ensinar a lidar com os perigos 🙂

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  • Com as devidas diferenças (e melhorias) a verdade é que crescemos em camas de ferro, rodeados com tinta que continha chumbo, a comer terra na rua, a escarafunchar as crostas dos joelhos (que teimavam em sarar); temos de proteger os nossos filhos sim, mas também temos de os deixar experimentar o que os rodeia, sempre atentos aos perigos.

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  • Depende dos miúdos também. Com o mais velho nunca precisei preocupar-me com as fichas eléctricas que nunca lhe despertaram a mínima curiosidade, sempre foi um miúdo tranquilo, sem sobressaltos. Com a mais nova, além das proteções que ela tentava arrancar com os dentes, tinha que ter tudo vedado, fechado, protegido, trancado, pq a criança não só era uma verdadeira kamikaze (ainda hoje aos 22 anos, é) como a palavra não, dita, fosse em que tom fosse, não surtia o mínimo efeito. Mas sim, acho que a Catarina tem razão. Sempre os deixei experimentar. Apanhei alguns sustos, passei algumas noites nas urgências dos hospitais, mas acredito que aprenderam. Eu e eles. Não é fácil criar filhos. Mas como diz a Catarina e sigo muito essa máxima “A vida resolve-se sozinha”. E resolve.

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  • Concordo 100%. Mas como bloguer ja sabes que ha pessoaa que só se sentem bem a criticar qualquer coisa que os outros façam. Se fizeres uma alimentação equilibrada à Maria Luiza e um dia lhe deres uma bolacha cai te tudo em cima. Eu tambem deixo o.meu com 14meses tentar subir as escadas sozinho, mas nunca o deixo sozinho nas escadas. Também brincar com tampas, mas nunca sozinho.

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  • Olá 🙂
    Por cá optámos por uma estratégia pouco habitual: a minha filha sabe que as agulhas, facas e saca-rolhas magoam porque ao ver o fascínio que tinha pela gaveta onde estão guardados pegámos em cada um dos objetos e “picámos” a sua mão. Mostrámos que dói. Ela disse “aU!!!”, e já não se interessa por eles.
    Fichas foi preciso dar uma palmadita nas mãos. Recuperador de calor – o meu medo maior, porque facilmente o vidro atinge temperaturas capazes de causar queimaduras de primeiro grau -, fi-la tocar no vidro quando estava quente (ok, morno, mas o suficiente para perceber que é quente). Agora quando anda lá perto, diz “quente! quente” e afasta-se – mesmo no verão.
    Se vai resultar sempre? Claro que não :D, por isso fico vigilante. Mas prefiro que saiba que dói, que magoa, que “queima”, do que viver na angústia daquele segundo em que não vou conseguir estar a olhar 🙂

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  • Tampas são divertidas e dá para fazer instrumentos, pode unir com uma corda e fica um chocalho 😁

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  • […] de deixar a Maria Luiza brincar com tampas [já vos contei aqui no blogue, lembram-se?], dou alguma importância aos brinquedos que decido […]

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