viver família

perguntar a quem sabe: “mãe de onde é que vêm os bebés?”

“de onde é que vêm os bebés?”. uma pergunta que muitos pais temem e que frequentemente não sabem como responder. a Vânia Beliz é sexóloga e autora de vários livros relacionados com o tema e já colaborou comigo aqui no blogue. ela é a pessoa ideal para esclarecer todas as dúvidas sobre como explicar a sexualidade aos miúdos. em 2016 lançou, em conjunto com a Sara Rodi, um livro pensado especificamente para estas questão. chama-se”A Viagem de Peludim”, e, através de uma história, explica às crianças, de forma clara, objetiva, simples e divertida tudo sobre a sexualidade. além disso, no decorrer da narrativa, reflete sobre as diferenças físicas entre os meninos e as meninas, sobre o respeito que é obrigatório existir, defende a igualdade de géneros e faz por não criar estereótipos. é uma ótima ferramenta para educação sexual, com uma parte dedicada aos pais, no final. eu tenho-o cá em casa! o livro faz parte de um projeto chamado Peludim. podem ver aqui  site.

“Mãe, de onde é que vêm os bebes?”. Como é que devemos responder a esta pergunta?
Devem, em primeiro lugar, questionar a criança de forma a conhecer o que ela sabe ou imagina. Depois, de acordo com a sua idade, deverá ser dada uma resposta adequada também à sua maturidade, de forma objetiva e simples. Uma criança de 4 anos pode ter dificuldade em perceber o processo de reprodução, mas durante o ensino básico a criança tem capacidade para perceber o processo. Desde cedo a criança deve perceber que somos todos feitos de pequeninas células e que existem umas especiais no corpo dos homens e das mulheres: as do homem estão numas bolinhas que se chamam testículos e são os espermatozóides, e as das mulheres estão dentro dos ovários e chamam-se óvulos. Quando os dois se juntam pode começar a formar-se um bebé.

À medida que a criança compreende ou questiona podemos dar respostas mais completas. O excesso de informação é tão contraproducente como a ausência. Depois de dar a resposta devemos tentar compreender se a criança a compreendeu.

Que benefícios é que pais e filhos ganham em ser claros desde cedo?
Falar sobre estes temas aumenta a confiança entre todas as partes envolvidas e, assim, as crianças e os jovens encontram um espaço onde estão à vontade para tirar todas as suas dúvidas. Ignorar a sexualidade e as suas diferentes manifestações é voltar as costas a uma forma de desenvolvimento que irá proporcionar às crianças um cenário de confiança e de tropeção. É importante perceber que quando uma criança faz uma pergunta relacionada com o tema, isto não significa que ela esteja interessada em fazer sexo. O termo sexualidade levanta muitas dúvidas e conduz-nos a erros. A sexualidade infantil nada tem a ver com a adulta, erótica e focada no prazer. As crianças quando se tocam estão a descobrir o seu corpo e a satisfazer-se com ele, da mesma forma que o fazem com a boca, com as mãos. É positivo quando um adolescente é curioso e faz perguntas. Quando o castrarmos com sermões e não com respostas, estamos a fechar uma porta que muito importante entre as crianças e educadores.

E que perigos é que estão associados ao facto de ser omitida a verdade?
A sexualidade inclui muitos conceitos. Através dela as crianças podem e devem aprender a respeitar o seu corpo, as suas sensações e emoções. Devem aprender a respeitar a diferença entre meninos e meninas. A igualdade de género e prevenção da violência sexual começa desde cedo, no momento em que lhes ensinamos noções de privacidade em relação ao corpo e quando lhes falamos de zonas íntimas e privadas, por exemplo. A forma como selecionamos a roupa, os brinquedos e o cenário que envolve o universo do nosso filho pode colocar em causa a sua felicidade e bem-estar. Os meninos continuam a ser educados para serem heróis, fortes e corajosos e as meninas para serem princesas, delicadas e bonitas. Como podemos assim fazer frente aos estereótipos que nos condicionam? Cabe às famílias encontrarem espaços de igualdade e promoção do respeito pela diferença. E isto é educação sexual. A forma como o casal se comporta em casa mostra à criança a forma como ela se deverá comportar no futuro.

A história da cegonha deve ser, então, completamente posta de parte?
Sim, essa a das couves, a dos beijinhos na boca…muitas crianças acham que o pai dá a semente à mãe através do beijo. E por causa disto ainda encontramos meninas adolescentes perdidas de medo porque beijaram um menino e temem estar grávidas. As perguntas associadas às revistas estilo “Maria”, ainda existem, porque na base continuam a sobreviver muitos mitos que fazem perdurar muitos conceitos. Muitas meninas ainda acham que o sangue da menstruação é de uma ferida e que, por isso, não se pode tomar banho, ir à praia e fazer bolos. Muitas mães não deixam as filhas usarem tampões receando a perda da virgindade. Histórias de fantasia só prejudicam as crianças no seu desenvolvimento, principalmente se estas forem sobre as suas próprias transformações físicas e psicológicas. As crianças podem acreditar no pai natal e isso não a coloca em risco. Mas se não souberem como se fazem os bebés estão mais vulneráveis à violência sexual – muitos abusadores aproveitam-se da ignorância e do desconhecimento das crianças, pelo que é muito importante que tenhamos consciência de como algumas fantasias podem colocá-las em risco.

Falar e responder às crianças não incentiva a nada. Vários estudos referem que crianças e jovens mais informados iniciam mais tarde e com mais cuidados a sua intimidade. Não é por o jovem saber o que é o preservativo que vai a correr experimentar. Quando falamos de prevenção do consumo de álcool, por exemplo, as crianças não vão a correr experimentar bebidas alcoólicas certo? Existe muito receio, mas os estudos são claros.

Devemos ser específicos desde sempre com as crianças? Ou podemos dizer meias verdades?
Não devemos dar informação que elas não conseguem compreender. Todas as nossas respostas devem ir ao encontro da sua idade, maturidade e curiosidade. Por isso sempre que houver uma dúvida devemos tentar explorar o que a criança sabe e a resposta deve ser adequada, com uma linguagem simples e de forma muito objetiva. Depois da explicação devemos sempre tentar verificar o que aprenderam.

Da tua experiência, os pais já se sentem mais à vontade para falar do assunto ou ainda é tabu?
Continua a existir muita dificuldade, muitos ainda acham que as crianças vão aprender por elas, porque muitos também não abordaram os temas da sexualidade com a sua família. Existe muito desconhecimento, vergonha e medo de falar de sexualidade.

Porque é que eles se sentem desconfortáveis a falar?
Porque muitas vezes não se sentem capazes de o fazer, sentem que não sabem como responder e receiam dar explicações erradas. Alguns desconhecem a importância desta abordagem e outros acham que a escola explicará o essencial. O desconforto e a dificuldade na sua própria intimidade são muitas vezes as principais razões para o desconforto.

Comentários (1)

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