caos
o meu diário

o caos [não é na teoria, é mesmo na prática]

há momentos em que sinto o caos.

o que é o caos? aqueles minutos em que a Maria Luiza refila, ou chora mesmo, o Afonso explica alguma coisa num tom de voz dez vezes acima do necessário, o Gonçalo tenta dizer-me uma coisa importante, eu estou a meio de qualquer coisa: seja fazer o jantar, dar banho, acabar um texto ou fazer um telefonema. quase sempre, para que seja completo, há um brinquedo que faz barulho e continua ligado, um alarme a tocar ou a televisão esquecida num volume elevado.

há momentos em que, se pudesse, sentava-me, se calhar aproveitava e deitava-me, num cantinho e chorava porque tenho a sensação que a minha cabeça vai rebentar. eu tento organizar os dias para minimizar a probabilidade do caos acontecer mas nem sempre consigo. quando estou sozinha, o caos acontece, depois desaparece, a dor de cabeça alivia e é como se nunca tivesse acontecido. mesmo que a normalidade da minha sanidade só esteja mesmo restabelecida quando todos dormem.

quando estou com o Pedro penso quando é que ele vai optar por fugir com uma miúda de 19 anos sem filhos. depois olhamos um para o outro e damos uma gargalhada. e ele segura a situação enquanto tento restabelecer-me. ou fico eu para que o Pedro ganhe forças.

depois o caos desaparece. felizmente, quase sempre, desaparece muito rápido mesmo que, enquanto dura, pareça uma eternidade. enquanto a dor de cabeça alivia eu penso que falta pouco, mesmo que na verdade ainda falte muito, para irmos só os dois na autocaravana, passear de mão dada, adormecer na praia, jantar em silêncio e ficar na cama sem pressa. mesmo que vinte minutos depois de estarmos só nós estejamos a falar das criaturas responsáveis pelo caos.

há momentos em que sinto o caos. e a certeza que a melhor coisa que fiz foi ter casado contigo.

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