primeira saída
o meu diário viver família

a primeira saída sem filhos. quando?

quando fui mãe aos 24 anos sofri em cada noite em que não pude ir sair com os meus amigos. tenho perfeita memória de ser sexta- feira à noite e eu lutar contra a sensação de tristeza e frustração. não me lembro da primeira vez que sai porque tinha a minha mãe mesmo ao lado, disponível, a viver o primeiro neto como o oxigénio depois da tristeza imensa de perder o meu pai. não me lembro da minha primeira saída sem o  eu filho grande.

quando fui mães aos 33 anos, pelas circunstâncias, pela culpa de sentir que estava a fazer tudo errado nisto das histórias de amor, agarrei-me aos meu bebé com todas as minhas forças. foram três anos de entrega absoluta mas também absolutamente serena. não pus a hipótese de o deixar uma noite sem mim mas também não senti esse necessidade.

com a Maria Luiza não fiz planos. já sei que isto de nascer um filho é uma surpresa, seja o primeiro ou o vigésimo. já sei que cada bebé é diferente mas a mesma mãe também é sempre uma pessoa nova, ou renovada ou apenas em adaptação. tenho uma realidade nova. até agora nunca me apeteceu estar longe durante o momento que é tão nosso: o adormecer. mas chegou Junho, chegaram os Santos e os bailaricos. e apeteceu-me ir ver a noite de Lisboa sem dar colo, sem preocupações. Maria Luiza ficou com uma tia especial, jantou e adormeceu. nós chegamos cedo, pouco depois das 23h. acordou um única vez durante a noite [contrastando com as habituais seis ou sete] e eu pondero começar a sair todas as noites.

vá, piadas ou impossibilidades à parte: cada mãe sabe de si e dos seus. cada família gere as circunstâncias e as necessidades. eu defendo que não há pressa para nada. podemos não querer saber de mais nada durante meses ou decidir dar um biberon ao fim de alguns dias porque não aguentamos mais.

não há pressa, apenas a necessidade de estarmos atentas ao equilíbrio difícil entre sermos gente e sermos mães. e darmos um bocadinho de tempo à pessoa que somos. e darmos um bocadinho de oxigénio para ganharmos fôlego nesta missão de criar outras pessoas.

 

 

[leiam também: quanto tempo dura o pós-parto?]

Comentários (3)

  • […] quando fui mães aos 33 anos, pelas circunstâncias, pela culpa de sentir que estava a … Ver artigo completo no Blog […]

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  • O equilibrio entre todos os nosso papeis! Às vezes tão dificil. Gosto muito de dizer que todos os fllhos são diferentes e nós como mães de cada um deles também somos. Fui de um jeito com o mais velho e só de outro com o mais novo!

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  • Quando os pais quiserem !!

    A.

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