Inspiração: "A psicoterapia fez-me acreditar que não vou ser sempre refém da balança"
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Inspiração: “A psicoterapia fez-me acreditar que não vou ser sempre refém da balança”

Nunca pensei que recordar este momento para o blog Dias de uma Princesa me custasse tanto, tal como o vivi. A Catarina pediu-me para pensar nos momentos mais marcantes durante a minha perda de peso e eu pensei. Pensei tanto que o um dos momentos que mais me marcou nesta etapa foi quando decidi fazer psicoterapia.[quando o meu pai morreu há 20 anos, a minha mãe levou-me a uma psicóloga. Lembro-me como se fosse hoje: o consultório era escuro e ela pediu-me para desenhar a partir da linha que tinha feito. Desenhei uma árvore de natal estrondosa, e nunca mais lá apareci]

Sempre fui muito cética sobre a minha opinião relativamente aos psicólogos. E hoje contra mim falo. Não só sinto como da minha parte ter sido um ato de coragem, como assumo que hoje foi das melhores atitudes que tomei enquanto ser humano que sou.

Cheguei a um ponto na minha dieta em que a balança era quem julgava as minhas atitudes e escolhas alimentares [ainda hoje é, mas muito menos, algo que trabalho na psicoterapia que ainda faço]. A balança decidia se eu me portava bem, se eu me portava mal. E chegou a um ponto tão péssimo que se tornou viciante pesar-me [pesava-me duas vezes por dia].

Claro que isto não era funcional. Para mim durante muito tempo até foi e eu achava que estava tudo bem, porque o número na balança ia sendo cada vez mais baixo e isso era o que fazia os meus dias terem mais sentido [e isto não é de TODO o mais importante].

Claro que tudo o que é de mais tem limites e chegou a um ponto em que eu própria me apercebi de aquilo não era normal. Decidi que não podia continuar refém para toda a minha vida de um numero e de uma balança.

Fazer psicoterapia fez-me dominar as minhas inseguranças e torná-las em medos. Fazer psicoterapia faz-me poder acreditar que não vou ser refém de uma balança para todo o sempre.

O dia em que decidi fazer psicoterapia foi precisamente uma semana antes do meu casamento, mas foi o dia em que também senti um novo recomeço neste processo de mudança e de alimentação saudável! E ainda hoje faço psicoterapia, porque sei que ainda tenho um longo caminho em admitir que não posso ser controlada por um número.

 

[É um processo demorado, acreditem, ainda me sinto refém. Mas parece que já só estou presa por um braço e a sensação é libertadora]

 

 

podem ler mais textos da Ana Luísa Gil no”U Choose Unpredictable Life” ou recordar o post “Escrever sobre a perda de peso é sempre complicado“, publicado aqui no blogue.

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