o meu diário

uma parte daquilo que sou: a Eurovisão

acharão este título exagerado. não é. ainda estão guardadas na mesma gaveta todas as cassetes VHS com uma capa feita impressa pelo meu pai. todos os anos a Eurovisão ficava gravada e era revista vezes sem conta durante um ano. todos os anos a noite da Eurovisão era assim uma espécie de festa, fazíamos apostas, vibrávamos com cada canção. com excepção para as maratonas nos jogos olímpicos era a única noite em que o meu pai ia dormir mais tarde para ficar a ver televisão.

na verdade, a Eurovisão não era apenas uma noite, eram todas as outras em que cada música era apresentada depois do telejornal [como eu adorava aqueles vídeos]. quando aprendi a escrever o suficiente para saber todas as letras de cada país fazia uma lista e dávamos classificações. só entenderiam a dimensão desta espécie de festa se conhecessem o meu pai, homem das barbas carrancudo e pouco dado a entusiasmos.

eu cantei com a Dora, com a Dulce Pontes e os DaVinci. e todos os anos ele contava a história d’Os Amigos e como tinha conseguido ser seleccionados em 1977. e eu fingia que nunca tinha ouvido a história dos cupões para votos que vinham no jornal.

uma parte daquilo que sou é a Eurovisão. faz parte da minha infância, das minhas memórias, do meu mapa emocional.

voltar a ver a Eurovisão, com uma música que imagino que o meu pai gostaria muito [eu demorei, estranhei, estranhei mas depois entranhou-se], é assim uma confusão de sensações entre a dor das saudades e doçura das memórias.

 

se virmos este vídeo percebemos o que o Salvador recuperou…

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