Inspiração: o peso, os maus hábitos alimentares e o final feliz de Filomena Nascimento
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Inspiração: o peso, os maus hábitos alimentares e o final feliz de Filomena Nascimento

“Cresci numa vila no norte do país onde a alimentação saudável era tão normal que nunca questionei se, outras pessoas, noutros pontos do globo, poderiam sentar-se à mesa e ter nos seus pratos qualquer coisa diferente de verduras, peixe ou fruta fresca.”

São estas as primeiras palavras escritas por Filomena Nascimento, 37 anos, no livro que acaba de chegar às livrarias – “Mindful Eating”. Em 207 páginas ficamos a conhecer a sua história de força e determinação, as suas reflexões e a aprender [ou a recordar, como diz] muitas dicas a propósito da batalha contra a perda de peso, contra os maus hábitos alimentares e a favor de uma vida saudável e equilibrada.

Aos 12 anos, depois de uma infância saudável em Vidago, rumou a Lisboa com a família. “Até então”, como relata, viveu “numa vila quase aldeia”, onde, por norma, e de uma forma que não lhe era consciente, “a alimentação era muito cuidada, com produtos biológicos e muito controlada pela mãe.”

O capítulo seguinte da sua vida foi diferente. Este novo sítio, a nova liberdade e a adolescência trouxeram-lhe também o contacto com as comidas rápidas, nutricionalmente fracas e excessivamente calóricas.

“Em miúda eu era mesmo muito magra, mas lidava bem com isso. Não me importava. Era eu. Mas quando vim para Lisboa tive acesso a um mundo novo, onde as distâncias eram muito maiores e onde eu é que controlava a minha alimentação.”

Desconhecendo a diferença entre “alimentos bons e alimentos maus”, passou a fazer escolhas que não eram nem acertadas, nem saudáveis. “Chegaram os quilos a mais”, relata. “Mas eu não compreendia a ligação.”

Com o peso vieram os comentários e o desconforto. Não se sentia na sua própria pele. Não sentia que estava no seu corpo. E tentava escondê-lo: “Ia à praia e não tirava a roupa, vestia-me de forma diferente e não estava fisicamente à vontade nos mais diversos lugares. Ficava introvertida e fechada em mim”, relata.

Como nos é descrito o livro, esta é “uma história real e com um final feliz”. Como acontece sempre, tudo mudou num dia que parecia ser como os outros: “Encontrei um olheiro de moda. Ele disse-me que andava à procura de sangue novo e que, apesar de, eu fisicamente não corresponder ao estereótipo, tinha traços de manequim na cara que iam ao encontro das novas tendências.”

Foi este momento que determinou a mudança de comportamento de Filomena e que tornou possível a publicação deste livro: “Tentei que [o livro] fosse o mais simples possível para conseguir chegar a todas as pessoas. É um livro de dicas, de truques. No fundo, um memorando, uma agenda, em que as pessoas podem recordar tudo aquilo que esqueceram ou que não querem recordar”.

“Mindful Eating” não nos traz uma dieta, uma fórmula milagrosa e não pretende, de forma nenhuma, substituir um médico. Reflete sobre a importância da existência de uma aliança entre o interior e exterior, ou seja, entre as componentes física e psicológica. Para a autora – que, depois de ser manequim, também trabalhou televisão e em assessoria de imprens –  é nesta união que está o segredo. É este bem estar emocional – que inclui a existência de uma consciência alimentar  – que vai determina aquilo que somos e a forma como nos comportamos.

“Comecei a procurar o meu caminho, sobre a orientação da minha nutricionista até atingir o corpo que eu desejava e com o qual eu me via. Fui conquistando esse equilíbrio passo a passo.”

Foi um processo difícil. Depois de muitas dietas yoyo,  consultou uma nutricionista – que é quem a acompanha até hoje – e compreendeu que seria preciso muito esforço e determinação. O seu metabolismo, relata, não a ajudou.

“É muito lento. Foi muito difícil. Eu tenho muita dificuldade em perder peso. Se não fosse a minha dedicação, o meu método e rigor, não estaria como estou: feliz  por dentro e por fora – eles têm de estar em aliança.”

Quando falámos sobre os números da balança, a autora revelou logo: “O primeiro truque que a minha nutricionista me ensinou foi que não me devia pesar. E não me peso há cerca de 17 anos. Mas sei que a diferença ronda os 20 quilos”.

“Mindful Eating” surgiu desta vivência, mas é fruto, sobretudo de um período vivido 2014: “Passei uma fase complicada na minha vida pessoal e tive uma recaída. Voltei a engordar cerca de 20 quilos tive de voltar atrás e ver como é que tinha tido sucesso. Foi muito difícil porque já tinha 33 e o meu metabolismo já estava mais lento”.

Foi em todas as anotações que tinha escrito há dez anos que Filomena, em 2016, foi buscar forças para voltar a sentir-se bem consigo. São essas mesmas anotações que, compiladas, constituem o livro que decidiu publicar, com a vontade de ajudar todos os que passam pelo mesmo.

Este é o seu último parágrafo: “Por essa altura agarrei-me às anotações (tão antigas) escritas em cadernos, blocos, telemóvel e pedaços de papel. Tudo o que já me tinha servido de âncora e me ajudou a concretizar, passo a passo, o meu objetivo. Li, reli cumpri, não desistir e venci. Custou, se custou. Mas, por outras palavras, agarrei-me à vida. A minha. E nem sempre é fácil mas também nunca ninguém disse que seria. É nesses dias que este livro nasce”.

Mais casos de inspiração: a história de Ana Luísa, de Sandra Gonçalves, de David Storch, de Joana Moura, de Catarina Gonçalves ou de Constância Franco.

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