dieta das princesas

Se eu me amar, se tu me amares, se nós nos amarmos…

Há muito que procurava um desafio e um espaço para escrever sobre desejo, amor, paixão, prazer, sobre a falta disto ou sobre as partidas que tantas vezes estes substantivos impõem às nossas vidas. Já ouvi e li, nestes últimos anos, tantas mulheres: escuto-as e leio-as com a mesma atenção e dedicação que elas colocam em cada palavra que revela diferentes mundos de fantasia, frustrações e dificuldades.

Escrevi um livro sobre nós, mas teria de escrever muitos mais para não nos reduzir a tão poucas páginas, tal é a nossa complexidade. E quanto mais nos escuto e nos leio, mais me surpreende a capacidade que temos de amar mais os outros do que a nós próprias. Um dia destes confidenciei a uma princesa o quão importante é amarmo-nos primeiro, desejarmos verdadeiramente e tomarmos as rédeas da nossa capacidade de seduzir. O importante que é fazermos as pazes com o nosso corpo, com a nossa imagem, e enfrentarmos os espelhos com orgulho e admiração.

As mulheres que tantas vezes escuto e leio andam tão esquecidas de si, que o corpo parece ser só uma vestimenta que ficou a um canto, num dos cabides velhos lá de casa. As mulheres com quem me encontro no meu consultório são tantas vezes inseguras, tristes e infelizes, primeiro consigo mesmas – ainda que muitas ainda não o tenham descoberto – e, depois, com todos os outros com quem se partilham.

Procuram o desejo nos namorados, maridos, amantes, com uma pressa digna de uma epopeia. Preparam surpresas para fintar a monotonia, compram lingerie com a qual nem se sentem bem, compram coisas que vibram para lhes mostrarem que são desinibidas mas, quase todas, esqueceram-se de se amar primeiro, de amarem cada centímetro do seu corpo, de arrumarem aquele cabide velho e despertarem a sua autoestima adormecida para se tornarem únicas e poderosas.

Se eu me amar mais vou desejar mais, e isso fará toda a diferença. O nosso corpo é como o adubo com que alimentamos as plantas: a nossa autoestima precisa dele para sermos mais felizes e para nos sentirmos e mantermos vivas.

Vânia Beliz
Sexologista

 

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