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Marcos Piangers, este pai é top

Marcos nasceu em Florianópolis, no Brasil, formou-se em Jornalismo, escreve, faz rádio e foi repórter da Rede Globo até há bem pouco tempo.

Marcos é pai de duas meninas, a Anita com 11 anos e a Aurora com 4, a paternidade trouxe-lhe uma experiência que ele não conhecia, sem referências por não ter tido um pai presente, Marcos teve de desbravar um terreno desconhecido e acabou por encontrar um novo sentido para a sua vida. Ser pai transformou-se numa viagem de auto conhecimento, de profundidade e de exaltação, Marcos começou a escrever os seus pensamentos, as suas histórias e tornou-se no Papai mais conhecido do Brasil. Com mais de 1 milhão de fãs no facebook e 150 mil exemplares dos seus livros vendidos, Marcos apresenta palestras altamente inspiradoras e inovadoras tendo sempre como base a sua experiência e a coragem de ter aberto o seu coração para os outros.

Nheko: Como é que aconteceu este teu debruçar sobre o exercício da Paternidade?

Marcos: Na nossa sociedade os homens não são preparados para ser pais, somos preparados para pagar as contas, treinados para pegar o maior número de mulheres, (às vezes de forma violenta até), e depois pagar as contas da família e isso é realmente um grande equivoco na nossa formação.

Desde que a minha primeira filha nasceu eu fui entendendo algumas coisas que estão completamente erradas na nossa sociedade, eu andava muito com ela, dava banho e fazia o que havia para fazer, então comecei a ouvir dos meus amigos: ” Sua mulher manda em você?!?!”, e eu ficava perplexo com isso, “Como assim, manda em mim???? O que é que isso quer dizer? Eu sou o Pai, isso é meu também, é a minha vida!” E daí surgiu um questionamento que foi ganhando espaço dentro de mim, aí eu comecei a apontar, a escrever e passado algum tempo uma amiga leu e disse que queria publicar no jornal.
Eu encontrei um público enorme, estes são assuntos muito íntimos e tocam muita gente, um homem falando nisso é fora do normal, tem muita gente que acha tudo isto um total absurdo, tem muitos que acham este não é de todo o nosso papel e a nossa sociedade na verdade não incentiva que o pai seja pai.

 

Nheko: O facto de teres crescido sem um pai presente foi essencial para este teu caminho?

Marcos: Todos os dias da minha vida eu lamento não ter tido um pai presente, eu preferia tanto ter tido um pai aqui, um pai amoroso e carinhoso que pudesse ser para mim uma referência. Por um tempo eu também fui um pai que não percebia o meu papel, que não entendia que o facto de valorizar a minha mulher fazia de mim um pai melhor, que se a minha relação está boa isso vai-se reflectir em toda a minha vida em família, na minha relação com as minhas filhas. Eu tive de adquirir todas estas percepções sozinho porque eu não tinha um modelo, tive de construir o meu com a ajuda da minha mulher, da minha mãe e até das minhas filhas, foi no verdadeiro exercício da paternidade que me fui construindo como pai, e isso porque eu não tinha referências para seguir. Se eu tivesse tido um pai presente tinha sido tudo muito melhor, tinha tido uma inspiração, um modelo.

 

Nheko: A tua mãe é um modelo, ela é uma grande inspiração para ti?

Marcos: Minha mãe é muito importante, para mim ela é Deus. Eu escrevi isto num texto e muitos religiosos ficaram zangados comigo, mas, para mim, Deus é a nossa mãe, é quem cuida de nós na terra ou no céu, ela cuida de nós para sempre.

Eu durante muito tempo dediquei a minha atenção, tempo e a minha emoção na procura de um pai que não existia em vez de me focar na mãe que estava lá, quer era presente e eu arrependo-me muito por isso.

(…)

Leiam toda a entrevista em Nheko

e leiam também as memórias de alguns pais sobre o dia em que a sua vida mudou.

Fotografias Nuno Fontinha

Comentários (2)

  • Conheço-o há algum tempo e adoro-o. Vi um vídeo em que ele falava do seu pai ausente, e do que ele sentia sendo agora pai de duas meninas, e é impossível não ficar muito emocionada.
    É difícil ver um homem falar desta forma dos seus sentimentos e é maravilhoso! Os textos dele são mesmo muito bons! Acho que nunca encontrei outro homem a escrever assim sobre parentalidade, de uma forma tão emocional… Isso é o mais delicioso de tudo.
    Ele não podia ser mais diferente do pai que eu tenho mas é (ou espero que seja) muito semelhante ao pai das minhas filhas.

    http://www.vinilepurpurina.com

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