Quando enchemos o armário mas o que queríamos era encher a alma
dieta das princesas viver mais com menos

Quando enchemos o armário mas o que queríamos era encher a alma

O que é que aquilo que compramos – e a forma como compramos – diz sobre as nossas emoções? Da mesma maneira que as compulsões alimentares refletem o nosso estado de espírito [comemos, não porque temos fome, mas para nos refugiarmos dos problemas], o volume no nosso armário e a forma como nos comportamentos como consumidoras também espelha aquilo que se anda a passar na nossa vida.

A maioria das clientes que tenho recorre ao serviço de Closet New Look porque o armário já esgotou a lotação há muito. A confusão diária que nasce no momento em que se tem de decidir o que vestir pode muito bem advir de se terem coisas a mais. Como digo muitas vezes, quanto mais peças temos no armário mais difícil é tomar a decisão ensonada acerca do outfit vencedor do dia. E, antes de me chamarem, como é que costumam tentar resolver o problema e sentirem-se melhor com as escolhas diárias? Vão comprar mais – e mais do mesmo,  geralmente. A zona de conforto é mais forte e acabam por continuar a encher o guarda-fatos com a confusão de sempre.

Já tenho apanhado alguns casos de shopaholics moderadas. Assim como eu recorro ao chocolate em épocas de maior stress (ou no dia-a-dia mais normal de todos, a bem da verdade), há quem recorra à amiga Zara. Right? Este comportamento funciona como uma espécie de método de compensação: por se sentirem desconfortáveis com alguma coisa [com o corpo, trabalho, falta de tempo, sonhos adiados] recorrem à adrenalina e à boa sensação que é a de comprar uma peça nova. Mas o que vem depois? A culpa, esse peso de toneladas que nos invade a consciência – seja porque já nem há espaço no armário para guardar mais uma blusa ou porque o plafond do mês para gastos pessoais esgotou logo no dia 8. E como é que uma shopaholic resolve o desconforto da culpa? Com mais compras. E assim cresce a bola de neve.

Mas há solução. E esta divide-se em três etapas:

1. Primeiro, é preciso identificar o motivo que leva a comprar emocionalmente. Já perceberam que sapatos novos não resolvem, então dediquem-se a conseguir ver o problema: percebam o que é que vos leva a agir desta forma e, posteriormente, concentrarem-se em criar soluções [até as podem escrever].

2. A segunda etapa já acontece no closet: toca a atacar o armário e a minimizar para simplificar. Seleccionem o que realmente vos fica bem, aquilo de que gostam de paixão e tudo o que seja versátil. Deixem ir o resto, que podem vender e fazer até algum dinheiro extra. Incorporem o mantra de que “menos é mais” e a ideia de que, com pouco, podem estimular mais a vossa criatividade e fazer a confusão desaparecer.

3. Por fim, afastem-se da tentação e estejam presentes no momento. Comecem a almoçar num sítio novo, longe da Zara, preferencialmente. Mas, se derem por vocês já na fila da caixa, sem nem saberem como lá foram parar, pensem: ‘preciso mesmo disto?’ ou ‘a sensação boa momentânea compensa o sentimento de culpa que sei que vou sentir a seguir?’

Aquilo que têm já é suficiente – saibam aproveitar o vosso closet da melhor maneira possível e apostem, sim, em encher a alma com aquilo que vos dá prazer, seja um passeio, ver um filme, uma conversa com amigos ou o abraço do filho. Tudo isto gratuito e guilty free.

Anita Silvestre
Consultora de imagem & coach

 

Comentários (4)

  • onde está o botão de like?!
    identifico-me a 100% com o texto, infelizmente mais na parte de comida emocional,mas por vezes tb vai uma comprinha emocional…
    sem duvida que a melhor maneira é dar uma volta e espairecer, de preferencia em boa companhia!

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  • […] A maioria das clientes que tenho recorre ao serviço de Closet New Look porque o armário já esgotou a lotação há muito. A confusão diária que nasce no momento em que se … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Parabéns pelo excelente artigo. Demonstra uma grande clareza num tópico tão importante. E que se sigam mais post assim. Um excelente dia.

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