viver família viver mais com menos

como se explica a um filho: não, não comprei prenda de natal.

Está assumida e explicada a minha relação com o Natal: não detesto, não adoro, mas não consigo estabelecer uma ligação. Exactamente por isto não faço questão que os meus filhos, os meus rapazes, passem comigo estes dias. Se existe escolha – vicissitudes dos filhos de pais que não vivem juntos – então estejam onde a festa for mais animada e natalícia.

Regressada da viagem de fim de semana – gosto muito de viajar para fora do país nesta altura (também porque é mais barato) mas este ano, com uma bebé pequenina, preferi ficar por cá fomos até ao Algarve – fui buscar o meu filho Afonso. A caminho de casa contou-nos a prenda que tinha recebido, felizmente assim mesmo no singular porque como aquilo que queria mesmo não era barato, a família juntou-se para lhe poder concretizar o desejo.

Quando chegámos, e desculpem os mais sensíveis, mas apesar do miúdo acreditar no Pai Natal não lhe atribui qualquer crédito na parte das ofertas, perguntou-me:

– Tens uma surpresa (é assim que o meu filho chama aos presentes)?

Podia fingir que sou uma pessoa totalmente resolvida com as minhas opções não consumistas mas assumo que a pergunta me provocou alguma angústia. A minha opção de não comprar prendas é muito antiga e foi sendo gradualmente aceite por todos, mas o meu filho tem apenas cinco anos e ainda exige alguma sensibilidade na explicação.

– Não, não tenho meu amor. A mãe comprou-te aquela coisa que querias muito há pouco tempo, lembras-te? E quando quiseres muito outra coisa vamos poupar para isso.

– Já estás a poupar para a prenda que pedi para quando fizer seis anos?

-Claro, até já ando a ver onde é mais barato (acho que até Agosto tenho tempo!).

Explicação aceite. Temos felizmente o privilégio de ter muitos brinquedos no quarto e saúde para brincar com eles. Pode parecer conversa de candidata a Miss Universo mas basta-me (e basta-nos mesmo isso). –

 

Crónica Dinheiro Vivo

Comentários (11)

  • Olá Catarina,

    Uma pergunta sem qualquer teor critico ou negativo mas apenas por curiosidade: como irá fazer quando a pequenina crescer e vir toda a gente ao seu redor a receber prendas e a celebrar o Natal, inclusive os seus irmãos, e ela não?

    Beijinhos e parabéns pela linda família :)

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  • O meu Gil recebeu o presente que pediu ao Pai Natal: uma esferográfica com 4 cores e doze canetas de cor. Anexadas ao pedido (e por comodidade da arrumação cá de casa) veio também um caderno espiral de folhas brancas e uma resma de folhas de cores diferentes. A alegria do miúdo foi imensa. Referiu até que, por ter escrito “Meu querido Pai Natal, o senhor lhe tinha trazido o dobro do que pedira”. Haverá necessidade de gastar imenso dinheiro para fazer uma criança feliz?
    Felicidades Catarina!

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  • Eu não partilho a tua opção mas admiro-a bastante. Acho que é preciso mesmo muita coragem para não nos deixarmos levar pelos “costumes” em algo tão popular como o Natal e sermos simplesmente nós próprios.
    É por isso que gosto tanto de vir aqui, porque sei que encontro algo assumidamente diferente. :)
    http://www.vinilepurpurina.com

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  • Olá,
    eu também sou mãe de dois meninos, uma princesa linda de 5 anos e um pequeno de 2 anos. Quando era mais jovem, também não ligava nenhuma ao Natal, até agradecia ficar sozinha em casa nesse dia entretida com livros. Ao longo dos anos (não muitos), comecei a gostar um pouco mais no Natal, mas ainda assim não gostava das festas e não gostava nem de dar nem de receber prendas.
    Após algum tempo a minha mais velha nasceu e nos dois primeiros anos não tive de me preocupar em impor-lhe o espirito e a tradição natalicia. Quando fez os três anos (já com o mais pequeno a caminho), decidimos passar o Natal com a familia, eu levei prendas para o minimo de pessoas possível, mas não levei a minha filha, pois tinha-lhe dado uma grande prenda duas semanas antes. Depois do almoco abrimos as prendas e quando acabou-se de entregar e receber tudo, a minha filha perguntou-me: “Eu não tenho uma prenda tua, mãe?”, a qual eu lhe dei a mesma resposta que deu ao seu filho, que já tinha comprado a pouco tempo. Ela só me respondeu: “Mas hoje é Natal… a prima recebeu várias prendas dos tios…” e reparei nas lágrimas a virem-lhe aos olhos. Isso partiu-me o coração, foi uma dor tão grande que me fez entender o quanto eu estava a ser injusta com a minha filha. Não é porque eu não gosto do Natal que tenho que fazer com que os meus filhos também não o levem a sério.
    Não é de todo a minha intenção ofende-la, mas tendo filhos tem de se habituar também aos costumes deles. Se passar uma situação assim com a sua filha, como se sentirá? Será que custa assim tanto dar nem que seja um chocolate ou um peluche aos seus filhos? Algo tão simples que não hesite esforço?
    Desculpe se estiver a criticar a sua opção, não é a minha intenção, só que como eu passei por isto com a minha filha, de facto comecei a ter noção da importância que tem uma simples lembrança no Natal. Com filhos, as nossas opções têm de se adaptar a eles, simples gestos que têm imensa importância quando feitos com amor.
    As maiores felicidades!

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  • Não partilho da opção mas também não admiro particularmente. O mal não está no natal mas sim no exagero ou nos exageros consumistas pelos quais nos deixamos levar todos os dias (na minha familia fazemos o amigo secreto, poupamos tempo, dinheiro, o serão é divertido e cada um recebe uma prenda ). Contra mim falo, que também sou mãe mas de uma leonor de 5 meses cujas exigências ainda não passam por ai. Mas quando passarem e ela me pedir coisas que eu considere ou caras ou em demasia, aí sim , espero ter a sua capacidade e levar a minha avante.

    Beijinhos e bom ano.

    Uma rapariga da margem sul.

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  • Ao ler este post, fiquei com a sensação de que se perdeu o sentido simbólico do presente que o Afonso tão brilhantemente chama de surpresa (quando a prenda que lhe deram foi o que pediu, não seria necessariamente uma surpresa). Não é preciso gastar dinheiro para proporcionar uma surpresa ou dar um presente. É obrigatório o consumismo? Perdeu-se a intenção, o fazer sentir ao outro que está “presente” em nós? Não atribuir importância ao ritual já é uma questão pessoal embora transmissível. É verdade que, se nos desiludimos com alguns presentes, é porque nos tornámos mais materialistas do que seria de esperar, mas acho que é um defeito mais dos crescidos. Este post fez-me pensar nisto. Feliz 2017! :)

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    • mas ele tem surpresas noutros dias. não se perde o encanto da surpresa.

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  • Olá Catarina,
    Eu adoro o Natal mas não gosto do lado consumista.
    Já há uns bons anos a minha família deixou de fazer a habitual troca de presentes e passámos a fazer o jogo do amigo secreto. Fazemos um sorteio e o nome que nos calhar é a pessoa a quem oferecemos uma prenda, e já aconteceu calhar o nome da própria pessoa!
    A ideia é oferecermos algo barato, de preferência feito por nós, e vamos descrevendo a pessoa que nos calhou até alguém adivinhar, assim cada um abre a sua prenda na sua vez.
    O que realmente importa no Natal é a união da família, é ter a casa cheia. Não gosto dessa expectativa que a maioria das pessoas tem de receber prendas…

    Um Feliz Ano Novo!

    Diana A.

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  • Catarina, acho que tem toda a razão, mas uma prenda simbólica a pensar em cada filho nem que seja um cartão de boas festas feito por si ,eles vão perceber melhor que o Natal é estar em família sem horas sem preocupações e aproveitar o momento ao Máximo. Bom Ano e muito boa sorte para todos.

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    • Fazemos a árvore, falamos do presépio, e compramos uns chocolates especiais 😉

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