o meu diário viver família

amamentação [e coisas práticas sobre mamas]

quem me lê há algum tempo sabe que sou uma acérrima defensora da amamentação. também já expliquei que aquilo que defendo é que, quando uma mulher decide amamentar, possa fazê-lo durante o tempo que ela e o seu bebé quiserem, sem olhares críticos ou comentários recriminatórios. dar de mamar é uma decisão íntima e cada mulher tem que tomar essa decisão de forma livre e informada [o leite materno é o melhor alimento do mundo, isso é um facto].
recupero aquilo que escrevi no projecto Loove.

 

Quando era miúda tinha pesadelos em que imaginava que estava a dar de mamar. Estranho sonho esse que me perseguia e me provocava sensações de desconforto e estranheza. Grávida do meu primeiro filho prometi não pensar no assunto. E assim foi até ao instante em que, depois de nascer, o meu filho mais velho foi posto no meu peito com um gorro branco, ainda cheio de sangue. Foi, nesse mesmo instante que, depois de um parto normal e um ser minúsculo alapado à minha mama que lhe bastava para viver, que me consciencializei da minha condição: sou mamífera.

Não foi imediata a sintonia com este lado animal. Primeiro sufocou-me a ideia de ser essencial ao meu filho. Depois doeu-me. A seguir cansou-me. Fui, devagar, descobrindo o prazer daqueles instantes. Mas foi, confesso, uma descoberta solitária e quase envergonhada face aos comentários que me diziam que já chegava, que o menino estava viciado em mama, que não dormia por minha culpa. Descobri também que, esta coisa da maternidade, é plena de sentimentos de culpa e foram estes os primeiros a que cedi.

Passaram oito anos, o meu filho grande cresceu, fez-me um menino lindo e continuou a dormir mal mesmo comendo tudo, e eu aventurei-me a um segundo filho no estado civil solteira, desempregada, e com rumores que aí viria a maior crise de todos os tempos.

Mamífera consciente e feliz, ali estava, depois de parir o meu segundo filho de parto natural, com aquela criatura pequena alapada à minha mama. Mas desta vez não me enganavam, havia de bastar ao meu filho o tempo que os dois quiséssemos, havia de dar de mamar orgulhosa perante os olhares alheios, havia de aproveitar cada segundo deste momento de amor, deste prolongamento da criação, deste mimo infinito.

 

o Afonso deixou de mamar com três anos e meio. já  mamava muito pouco. já passava temporadas longas no pai e nunca pedia mas quando me via… “mnhama!” um dia voltou do pai e não pediu. eu chorei porque era uma etapa que terminava mas fiquei feliz porque já sentia que chegava.

com a Maria Luíza assim será: enquanto ela quiser e enquanto eu me sentir bem.

enquadrei o tema que me é tão querido apenas para falar de coisas que ajudam na amamentação. os primeiros dias são, na minha opinião, os mais difíceis, mais sensibilidade e gestão de quantidade depois da subida do leite. se há coisa que sempre detestei, nos primeiros dias, foram os discos para absorver o excesso porque aquilo colava e magoava-me imenso os mamilos. descobri as conchas [tenho da Medela] e fiquei fascinada. perfeito: os mamilos estão sempre protegidos, podem apanhar ar, e ficam com o formato perfeito para dar de mamar. único problema, se tiverem muito leite – no instagram ajudaram-me a resolver: convém por uma compressa ou mesmo um tampão no fundo da concha para não andar a derramar.

problema número dois: chega uma altura que não apetece sair à rua com aspecto de Madonna. então surgem os salvadores discos e tecido laváveis. que coisa confortável.

nos treinos prefiro usar os discos normais descartáveis porque suo e vão logo para o lixo.

 

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fica a dica: conchas no primeiro mês e em casa e discos de tecido lavável na rua.

e aproveitar cada minuto da amamentação porque são únicos.

 

[a foto é da Marta Dreamaker, na segunda semana da Maria Luiza.

hoje à tarde na SIC Mulher, no programa Faz Sentido falamos de amamentação.]

Comentários (13)

  • Consegue ser um ajuste perfeito!
    Os meus, até agora, 2 filhos mamaram até por volta dos 15 meses, que foi até quererem, e eu também…
    Sempre usei apenas os discos descartáveis… não necessitei de mais… É sempre bom saber das outras opções para o caso de necessidade…
    Beijinho

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  • […] post amamentação [e coisas práticas sobre mamas] appeared first on dias de uma […]

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  • É o melhor alimento e sem dúvida, o melhor para o bebé enquanto não se alimenta de mais nada – facto indiscutível.

    Quanto ao resto… Será sempre uma discussão sem fim, em que cada uma tem direito à sua opinião (e não está nem mais certa nem mais errada que ninguém).

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  • Não me quero focar nisso, mas leio tantos relatos de mães que no primeiro filho se deixaram influenciar pelos (milhares de) comentários ignorantes das pessoas em redor. Não admira. Muitas vezes vêm até da própria família. Também os ouvi a todos, acenei com a cabeça porque a última coisa que me apetecia no pós-parto (e agora) era pregar aos peixes, mas felizmente estava munida da informação que me permitiu, e permite, amamentar o meu filho (tem 15 meses) sem receios nem culpas. Recentemente ouvi de uma médica que amamentar até “tarde” (?) provoca danos psicológicos à criança. Continuei numa de smile and wave e foi o pai que lhe respondeu, e muito bem: “então porque é que a OMS aconselha a amamentação até aos 2 anos de idade?”. A ignorante calou-se.

    E ao ler este texto ri-me com a quantidade de vezes que dei pelas roupas molhadas de leite vertido dos discos… e nunca me ocorreu uma solução!

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  • Obrigada….. a si e às muitas mulheres que decidem amamentar.
    eu recebo comentários e olhares discriminatórios de pessoas próximas (familiares inclusive) por ainda estar a amamentar a minha princesa de 23meses… há 1ano atrás cheguei a ouvir de uma médica que o meu leite lhe iria provocar caries nos dentes… enfim…
    sozinhas desde que ela tinha 2meses (para me dar despesa, trabalho e aturar birras já tinha a minha filha) é um momento único só nosso onde lhe dou o melhor de mim e que é sem dúvida o melhor para ela… entristece-me que haja tanta ignorância e preconceito….
    também eu usei as conchas da medela com os discos…. o que me ri a ler e a relembrar….
    bjinho e felicidades a todas

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    • A minha filha só mamou até aos 2meses e meio. Ela tinha imensas cólicas,não engordou porque ao mamar ficava com cólicas e então parava de mamar. Não quis ouvir ninguém,eu sentia que o problema não era o meu leite,mas ouvi a pediatra e comecei a dar-lhe o suplemento. Foi um erro claro.Ao mudar de pediatra,este explicou-me a questão das cólicas e que o meu leite não tinha problema algum. Eu no fundo sabia,mas sendo mãe pela primeira vez e graças à pressão dos familiares,tirava a minha filha da mama para dar o suplemento. Tinha tanto mas tanto leite e chorei tanto enquanto o retirava com a bomba. Adorei amamentar e não volto a cometer o mesmo erro. Devemos seguir a nossa intuição.

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  • Obrigado,pela conversa hoje no faz sentido,fiquei muito satisfeita por saber que as mães também tem pensamentos maus e que se pode falar disso nem que seja no blog,mto obrigado mesmo.

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  • Lindo texto Catarina.
    Sempre sonhei amamentar mas o corpo não ouviu os meus sonhos. Ainda cedeu e deu-me a possibilidade de dar o colostro ao meu filho mas apenas isso. Quando falei com o meu obstetra sobre o facto de simplesmente não ter leite este sorriu e disse calmamente: Mãe não a posso ajudar mas o seu bebé não vai ficar sem alimento…tem o leite em pó. Admiro-a mãe, em tantos anos de profissão é a primeira mãe que chora por não amamentar…muitas mães pedem sim para secar o leite.
    Naquele momento chorei muito. Fiquei triste e revoltada. Como podia haver mães que queriam secar o leite?! Hoje, 12 anos depois, respeito a decisão de cada mãe. Esta é que sabe…quem sou eu para julgar? Mas ainda tenho esta mágoa. Esta sensação de que falhei…

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  • Por quanto tempo amamentou o seu primeiro filho?

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  • Parabéns Catarina por uma visão tão clara e convicta da amamentação. Foi muito bom ler tudo o que escreveu.

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  • Benditas conchas! por aqui vamos em três meses de amamentação em exclusivo e em livre demanda. Tão,tão bom.

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  • […] sou acérrima defensora do leite materno e da amamentação, acredito verdadeiramente que a leite materno é o melhor alimento do mundo. mas acredito com a mesma força que dar de mamar não define o vinculo entre uma mãe um filho. eu quero amamentar enquanto eu e a minha filha estivermos felizes com isso [assim como fiz com o Afonso e durou 3 anos e meio]. […]

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  • Sem dúvida será o melhor alimento do mundo… qd estava grávida da minha primeira filha houve mt pressão (normal). Ainda por cima fui tê-la num hospital amigo dos bebés e da amamentação. Leite tive eu com fartura… Até caroços fazia no peito (doloroso!). Mas a minha filha nada quis com a mama da mãe…. Não foi por falta de tentar pois pela frustração dela não pegar chorei mt e quase entrei em depressão. A minha filha pura e simplesmente não sabia mamar e não conseguia. Eu tenho o mamilo super bem formado, tudo para uma boa pega, mas ela nada… Até mamilos de silicone arranjei a ver se ajudava, mas nada…. Depois de nascer com 3, 700kg e de eu dizer “ela não mama” e depois das enfermeiras tentarem de tudo para me ajudar, teve de ser internada na neonatalogia com hiperinsulinismo transitório. Teve de fazer soro 3 dias para estabilizar a glicose no sangue e saiu do hospital aos 11 dias de vida, com biberão e açúcar (próprio) no leite, mamadas religiosas de 3 em 3 horas e testes de glicose 2 vezes ao dia. Até depois dos 3 meses. Acabou por si mesma ultrapassar o problema. E agora aos quase 5 anos é e foi sempre uma menina saudável (só teve uma amigdalite com otite e dps sapinhos qd entrou na creche aos 18 meses) e cheia de vida, mas (tinha de haver um mas…) com uma preguica enorme para comer (mas come de tudo). Temos de insistir com ela em TODAS as refeições, todos os dias…. É cansativo mas ela é saudável, é o que importa.

    Qt a mim? Todo o leite que tive secou em menos de um mês porque tirado à bomba o peito não é estimulado e começou a produzir cada vez menos até que secou…. agora, grávida da 2a menina (está quase quase a nascer) naturalmente que vamos à maminha outra vez.
    Nem outra coisa poderia ser mas não penso nt nisso nem stresso pela experiência stressante com a mais velha… será o que a bebé quiser… temos sempre de tentar. Mas quem sempre deu mama (e quem se queixe de o fazer) não imagina o turbilhão de emoções que passa quem o quer fazer e não consegue dar a mama pq o bebé não a quer… deseje-me sorte com a segunda…
    Duma seguidora atenta, um beijinho. Lúcia Soares

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