viver família

pensar a escola: primeiro mudava as condições dos pais

É sempre a mesma conversa: bom mesmo era se não existissem trabalhos de casa, nem testes, nem exames. O ideal era andar na escola apenas a meio tempo. Já sei, já sei, na Finlândia é que é! Brincam muito mais do que estudam e não são obrigados a nada.

Se sou a favor dos trabalhos de casa? Sim, se forem um desafio para a criança testar aquilo que já sabe fora da sala de aula. Os trabalhos de casa não são uma tarefa dos pais, nem uma folha para entregar e ter 100% para mostrar que se sabe. Os trabalhos de casa são um exercício de autonomia e, se não houve capacidade ou tempo para serem feitos, deve ser essa a informação que a criança transmite ao professor. O problema não está nos trabalhos de casa mas na forma como são encarados.

Se sou a favor de exames? Sim, se forem um momento de avaliação imparcial e uma aprendizagem sobre a gestão da ansiedade e o stress de um momento solene. Não será assim pela nossa vida fora? Sou contra que os exames determinem uma nota final porque há imensos fatores que avaliam um aluno e não apenas um exame. Aliás, até a entrada para o ensino superior, quando já somos mais crescidos, deveria passar por um conversa e análise de percurso. Somos muito mais do que a nota de um exame.

Se era bom que as crianças pudessem andar na escola apenas metade do dia? Era perfeito. Mas isso começa por ter quem fique com eles na outra metade e, em Portugal ao contrário de na Finlândia, ficar em casa a criar filhos é um luxo e não um direito. As crianças finlandesas brincam mais tempo na escola porque são as horas que têm com alguma hipótese de assimilar vitamina D. Supostamente os miúdos em Portugal quando saem às 16h ou 17h (possa alguém ir buscar os miúdos à hora que eles acabam as aulas) ainda poderiam ir brincar para o jardim.

Para mim há uma certa confusão. O problema não está na escola, nem na forma como está organizada, mas na falta de disponibilidade dos pais para acompanharem os filhos, pequenos ou crescidos. O mercado laboral em Portugal levou a que os miúdos fossem entregues durante horas infinitas à escola. Isso não acontece na Finlândia. O mercado laboral ainda se faz do cumprimento do horário mesmo que não se esteja a fazer nada, e pela desconfiança de quem trabalha a partir de casa. Ainda somos um país de fato e gravata e de quanto mais horas no emprego melhor. Isso não acontece na Finlândia.

É preciso dar mais direitos a quem cuida, descomplicar isso das aparências, dar valor ao trabalho e à criatividade e não às horas de entrada e saída. A escola é a preparação para a vida futura. E eu acredito que devíamos começar por mudar o mercado de trabalho, E depois, podemos ir mudando a escola. Em relação às condições atmosféricas, por mim, podemos manter as que temos em Portugal.

 

Crónica Dinheiro Vivo 

foto: Pau Storch

 

Comentários (1)

  • Perfeito! Concordo a 1000%. Tenho este discurso mtas vezes e penso ainda mais vezes.
    Vou partilhar.
    Beijinho grande Catarina. Não me conheces, porque não passo de uma leitora e fã, mas gosto mesmo mto de ti e adoro a tua felicidade. Acompanho-te desde que existia só o G. e adoro ver como estás ainda mais feliz!!
    Inspiras-me, nem imaginas o quanto.
    Que continues sempre assim, ou melhor ainda 🙂 <3
    Diana

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