o meu diário

sobre puns, diarreias, neuras e amor [isso tudo]

nos meus tempos de terapia falávamos muito nisto: esta minha ideia de que as relações eram perfeitas, sem puns nem idas à casa de banho, sem dias menos bons e os maus nem pensar. aqui, neste estranho mundo das coisas em que pensamos, construi essa barreira. o outro podia estar doente, preocupado, com cheiro de final do dia, ou uma neura impossível de aturar. eu existia – também, para apoiar. aqui, neste estranho mundo das coisas em que pensamos, eu não podia nada disso, apenas o melhor de mim. caso contrário, que interesse teriam em mim? atenção, em defesa dos meus amores passados, que guardo em gavetas cheirosas e arrumados com muito carinho, nunca me fizeram sentir isso. eu construí essa ideia e esse enorme muro que afastava as pessoas do meu mundo mais íntimo.

não mudei. continuo a ser uma insegura perante um vómito ou uma diarreia. continuo a não perceber porque raio alguém gosta de mim nos dias em que sou apenas uma chata. não mudei mas uma coisa mudou: eu sei que a vida com o Pedro existe mesmo nos dias maus e menos bons, naqueles em que me sinto a menos interessante e atraente das criaturas. é o Pedro que procuro mesmo quando me dói a barriga ou não me apetece dizer nada. é o Pedro que quero nas noites em que só me apetece dormir. é o Pedro porque sou apaixonada nas manhãs à pressa, cheios de sono e mau humor. é ao Pedro que confesso os meus medos e lhe peço que fique comigo sempre.

 

bom dia.

 

foto: Marta Dreamaker

Comentários (12)

  • És tão grande Catarina!!! 🙂
    Cada vez te admiro mais, sempre tão verdadeira, crua e sem pudores.

    Beijinhos e continuação de tão boas partilhas

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  • És linda Catarina! 🙂

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  • espetacular.

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  • E é tão bom ter um “Pedro” nas nossas vidas
    Parabéns pelo texto e pelo blog 😉
    us4all.blogs.sapo.pt

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  • Como eu me revejo nessas inseguranças, inquietações e amedrontamentos interiores. Revejo “às vezes” porque existem vezes em que simplesmente estou-me nas tintas para se gostam ou não.
    Já tive uma relação que acabou e tenho uma outra que renasceu. Nesta tento não me armar em perfeita e ser simplesmente Eu! E para meu espanto… não é que está a correr bem 🙂
    Obrigada Catarina 🙂

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  • Oh pah não há como não gostar de te ler!!!

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  • Eu também tenho o meu ” Pedro” e isso faz me tãoooo feliz! tudo de bom

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  • Adorei o título e eu já fui um bocadinho assim, conheço muita gente assim mas eu já não o sou…
    Toda a gente tem gases, diarreia, fica doente, tem dias bons e maus e eu não sou excepção… 😉

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  • Essa é a verdade do amor que só (re) conhecemos com a calma que a maturidade traz. Bjs

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  • Não sei. Não tenho o dom, nem a capacidade de conseguir transmitir com esta lucidez e simplicidade, reflexões sobre a complexidade que nos molda a vida. Fico sempre rendida. Também me identifiquei, sem saberes, às vezes ligas interruptores que acendem luzinhas. Obrigada!

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  • Um grande abraço para ti e para esse grande amigo.

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  • […] me lixem, eu sei que um casal é um equipa. eu até já acredito que o Pedro possa gostar de mim mesmo que eu dê puns e vá à casa de banho, mesmo que eu seja imperfeita, acorde de mau humor e […]

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