o meu diário

[na próxima vida não tenho filhos]

vão achar que estou a exagerar. mas não estou. na próxima vida não vou ter filhos. não é “não quero ter”, porque já sei que vou querer, mas não vou ter. não vou ter esta angústia permanente no peito por amar alguém demasiado. não vou ter esta preocupação, que não me larga, que não me deixa dormir profundamente como quando não os tinha. não sirvo para encarar a realidade que não os posso proteger de tudo, que nem sempre as coisas vão estar bem. não sirvo sequer para as pequenas merdas, as febres normais, uma discussão com um amigo. basta-me um “estou mal disposto” para sentir o coração na boca. não sirvo para isto. é excessivo. é demasiado. e ainda tenho que estar sempre estável e forte, como se quer de qualquer mãe. tenho que mostrar segurança e estar serena, com um sorriso de apoio, enquanto eles conhecem o mundo. quando caem de tromba ao chão, quando andam à tareia, quando viajam ou saem à noite. não! na próxima vida não tenho filhos: saio à noite, discuto eu com as minhas amigas, caio e levanto-me, mas não ando sempre com o coração na boca. não sirvo para amar tanto. não sirvo mesmo.

isto acreditando que existo porque, na próxima vida, a minha mãe pode pensar como eu.

Comentários (19)

  • Partilho do mesmo sentimento, é dolorosa demais esta dor que sentimos de não os conseguirmos proteger, de lhe transmitirmos a força e segurança que às vezes não temos e que eles tão bem percebem que não a temos. É bom demais sentir este amor que nos salta do peito, mas é angustiante acompanhar as desilusões deles, as frustações, sem às vezes nada podermos fazer, porque fazem parte do crescimento.

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  • Ámen. nunca pensei que pudesse amar tanto alguém como amo as minhas filhas. é um amor que é uma dor constante mas que se quer viver a toda à hora. é um amar desassossegado, mas que nos torna mais iluminados, mais preenchidos. que nos obriga a crecer e a ser fortes, quando a vontade é desistir. É ter um colo cheio e haver sempre espaço para mais um boneco, uma mala, um lápis e um livro, os anéis e os colares, uma história um abraço e um beijinho e mais um e mais um antes de ir dormir… mas é tão bom, mesmo assim. ainda bem que a minha mãe não pensou o quanto se sofre quando se ama tanto.

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  • Não estás nada a exagerar, sinto exactamente o mesmo, compreendo-te tão bem… 🙂 Beijo.

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  • Não diga isso!!!! Ver crescer os nossos filhos é algo tão mágico! Em vez de pensar no lado negativo do crescimento, tente focar-se no contributo que o sofrimento deles terá na sua personalidade tornando-os mais fortes, mais independentes e maduros.
    Todos os dias agradeço as maravilhas que a maternidade fez em mim, o quanto me ajudou a crescer e me transformou numa pessoa muito melhor. Se for para sofrer por amar demais, não me importo nadinha, mas não dispenso de maneira alguma a bênção de ser mãe e se viver em outras vidas, pois que seja sempre assim 😉 Beijoca

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  • Não diga isso!!!! Ver crescer os nossos filhos é algo tão mágico! Em vez de pensar no lado negativo do crescimento, tente focar-se no contributo que o sofrimento deles terá na sua personalidade tornando-os mais fortes, mais independentes e maduros.
    Todos os dias agradeço as maravilhas que a maternidade fez em mim, o quanto me ajudou a crescer e me transformou numa pessoa muito melhor. Se for para sofrer por amar demais, não me importo nadinha, mas não dispenso de maneira alguma a bênção de ser mãe e se viver em outras vidas, pois que seja sempre assim 😉 Beijoca

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  • eu sempre fui super cool com tudo (ou inconsciente) e agora que tenho uma adolescente só estou descansada quando ela está com o pai (porque não penso nisso). nem pensar em sair à noite porque eu não poderia dormir a noite inteira até ela chegar.

    mas é que um adolescente fuma, fuma droga, bebe.

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  • Uii o que eu entendo estas palavas e o quanto tb já me passaram essas ideias pelo pensamento, no entanto por mais que me queira lembrar de quando eu era só uma só me lembro de ser três como se as minhas filhas fizessem parte mim desde sempre.

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  • há dias pensava…como poderei deixar um bilhete para na próxima vida me lembrar que não devo ter filhos… 🙂 amo-o mmais que tudo…mas é uma preocupação constante…

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  • É isto. É mesmo isto.

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  • Pronto. Acho que descreveste a sensação que todas as mães têm 🙂 Mesmo assim… o outro lado da moeda é tão bom! bjs

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  • Olá! Descobri, por acaso, o seu blog que nada tem a ver com o meu, que trata de decoração.
    Mas não posso deixar de passar por aqui, quase todos os dias, para ler as suas "reflexões". Este texto sobre, não ter filhos na próxima vida, para além de estar muito bem escrito, tem tudo a ver comigo. Penso exactamente igual. Tenho os mesmos sentimentos, da angústia permanente que "nos persegue", quando passamos a ser mães. Desejo tudo de bom para si e seus filhos. Tenho uma princesa de 8 anos.Belo blog. Evelyne
    evelyne-home-interiors.blogspot.pt

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  • um, só um…(como já te sussurei no grupo)
    mas se me dessem a escolher gostaria de experimentar regressar em homem. Morro de curiosidade 😉

    *

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  • Como eu te entendo!!! Sinto precisamente o mesmo e não fiquei pela primeira, tenho duas…

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  • Mas como eu te entendo….

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  • Como eu te entendo….

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  • […] para respirarmos de alívio [ter filhos mata uma pessoa de ataques cardíacos e ansiedades várias. leiam isto, foi exactamente o que senti nos últimos dias.], quero escrever para […]

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  • […] para respirarmos de alívio [ter filhos mata uma pessoa de ataques cardíacos e ansiedades várias. leiam isto, foi exactamente o que senti nos últimos dias], quero escrever para […]

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  • Eu tb entendo… e não se iludam, piora à medida que crescem. Quando se tornam adultos ( eu tenho dois, 26 e 22) e nós achamos que já se viram sozinhos ( doce ilusão!) viram nada. o “oh mãe!” continua… e depois vêm os netos… e olhem não vou dizer mais nada porque não quero assustar ninguém ( mais!)

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  • De facto concordo que é excessivo e demasiado. Tenho dois, uma de 8 e um de 2, sendo que ambos têm “questões” cardíacas e a dele é potencialmente fatal. Estão a ver o medo que temos do síndrome da morte súbita? Eu tenho de viver com esse risco para toda a vida dele. Mal de mim se fosse viver nessa angústia permanente por causa de uma discussão com um amigo ou uma febre costumeira… A vida é demasiado curta para viver sempre com medo que esfolem os joelhos. Desculpem que diga isto mas conheço crianças com mães assim sempre nervosas e ansiosas por tudo e por nada e isso reflete-se nos miúdos. Ao mesmo tempo, noto que as pessoas mais nervosas e ansiosas às vezes são incapazes de fazer algo de útil numa situação realmente séria. Façam um favor a vocês mesmas e relaxem um bocadinho. Não vejam cada subida ao escorrega como uma escalada a uma torre de 20 andares…

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